Caminho Livre

Por mais “pulos” – por Bianca Pereira, de Mohali, Índia

Alguns anos atrás, numa Feisma, calcularam a data do meu aniversário para saber meu número na numerologia. O resultado foi o número 1 (uma leonina com o número 1, nascida no dia 1º, huum!), que tem como significado: “início, recomeços e novos ciclos. Está ligado diretamente à energia da criatividade, originalidade e poder. Tem como características marcantes a liderança, a ambição, a coragem, autoconfiança e a independência. ”

O que me falaram foi que as grandes decisões da minha vida seriam feitas “aos pulos”. Na hora achei engraçado; como assim “aos pulos? ” Entendo como fazer as coisas devagar ou rápido, mas pulando?

Esqueci disso por um tempo, até chegar na Índia. Nesses quase cinco meses aqui me peguei repensando muitas coisas que fiz, que realmente foram “aos pulos”, como a troca de cursos. Pensando bem foi um pulo sim, pelo menos para mim. Sempre falei que não iria fazer comunicação, quem iria querer não ter horário fixo para trabalhar? (Eu! Eu!)

Resolvi seguir a minha matéria favorita na escola, história.

Poderia ser pesquisadora, trabalhar em grandes museus, passar meus dias lendo documentos antigos, aprendendo sobre as diferentes civilizações e os diversos dialetos não mais usados (sim, queria ser o Indiana Jones também, mas sabia que bolas de pedra gigantes não iriam me perseguir por achar um ídolo amaldiçoado, ou que alienígenas não falariam comigo por achar uma caveira de cristal).

Exatamente na metade do curso decidi que não era para mim. Gostava das aulas, dos temas, dos colegas nem tanto, mas isso é outro assunto. Depois de cinco semestres ou dois anos e meio, fazendo mais cadeiras que o semestre pedia eu vi que não queria ser professora, e o curso era basicamente fundamentado na licenciatura mais do que no bacharelado.

E agora? Vou para onde? Faço o que?

Nesse mesmo período estava envolvida com fansites (deixem o meu lado geek quieto, ok?), e percebi que realmente gostava de procurar notícias, fazer entrevistas e escrever. Por que não deixar de ser cabeça dura e ir fazer logo comunicação? Fiquei na dúvida entre Jornalismo e Relações Públicas por muito tempo. Na verdade foi o ponto de corte do ano anterior que me fez escolher o jornal, coisa que não me arrependo, mas acho que tenho muito de RP em mim (mas as piadas no jornal ainda são melhores!).

Lembro que toda essa linha de pensamento foi firmada em menos de uma semana, decidi que não queria ir mais nas aulas, que curso iria fazer depois e que precisava contar para a mãe. Lembro de parte da conversa, dela me dizendo que tudo bem, desde que eu arranjasse um emprego, parada em casa eu não iria ficar e dos dois comunicadores da casa mudos quando falei que curso queria fazer (até começar o lobby para eu escolher a habilitação deles).

Voltando para a Índia, minha vinda para cá também foi um pulo. Tinha um caminho na minha cabeça muito bem traçado e nenhum deles abrangia um ano na Índia. Nos últimos quase quatro anos firmei meus planos ainda mais, incluindo outra pessoa e outros sonhos neles. O término desse relacionamento também foi um pulo, e a minha vinda para cá tem muito a ver com isso.

Precisava de um tempo até de mim mesma, de tudo que me lembrava o lado bons das coisas. Decidi então focar no intercâmbio e abrir minhas opções. Achei a vaga e em menos de dois meses tudo estava resolvido. Sem grandes pensamentos, tudo feito mecânica e tranquilamente (até onde deu). Quando vi estava descendo do avião no outro lado do mundo. O maior pulo até agora.

Aqui tive outro grande pulo, mas esse mais pensado que muitos outros, a troca de emprego e a decisão de sair do primeiro sem esperar ter certeza do segundo. Tudo se resolveu, como geralmente acontece, quando me mantive calma e fui atrás do que queria, ficar mais!

Nesse novo ano só espero mais pulos, talvez não tão grandes quanto este, não tão dolorosos quanto outros, mas mais pulos que me mostrem aonde ir a seguir, que me ensinem muito mais e que mostrem que estou seguindo o caminho que sempre quis.

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Um Comentário

  1. Pulos e acertos minha subra/jornalista. Ví você crescer e me orgulho de estar lendo o que você escreveu. Que orgulho! Um grande e saudoso abraço e continue a pular..

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