Caminho Livre

Ah, o Sul! – Tarkarli Beach e Anjuna – Por Bianca Pereira, no Sul da Índia

Imagens de Tarkarli, local que, aparentemente, contou com a preferência da blogueira, no início da viagem de fim de ano

Porque quem conhece o Sul o ama e sempre volta! Mesmo se for o sul da Índia, ele dá uma sensação diferente de outros lugares.

Meu 2017 começou numa praia linda, com uma fogueira e muitos peixes assados. A ideia inicial era ir visitar o templo do Kama Sutra em Khajuraho, mas como tudo que se planeja demais, não deu certo. Acabei me juntando a uma das minhas colegas de apartamento (agora ex-colega de apartamento para a profunda tristeza das duas) a uma viagem de uma semana para o sul da Índia. Tudo para fugir do frio de Chandigarh e aproveitar uma praia.

Começamos a viagem na sexta-feira dia 30 de dezembro. De manhã me mudei para o novo apartamento, com todas as minhas coisas, as malas da Fra e da Jules e mais da metade das coisas que compramos juntas (a Italiana estava viajando e deixou suas malas comigo e a romena deixaria suas coisas também, já que ficaria duas semanas no sul). Atirei tudo lá, fechei a porta e só fui pensar de novo que não voltaria para o setor 46 no dia 7 de janeiro, quando estava voltando para a cidade.

Pegamos um ônibus para o aeroporto em Nova Delhi e mais dois aviões até Goa, com uma parada na madrugada em Bangalore. Chegamos em Goa na manhã do dia 31 e de lá fomos direto para Tarkarli Beach, pegando dois ônibus no caminho.  Tarkarli é uma vila em Malvan Taluka, no distrito de Sindhudurg e no Estado de Maharashtra. É uma vila de pescadores e uma praia cheia de corais, águas claras e muitos peixes.

Ficamos em uma pequena casinha em um quarto grande com banheiro (sem chuveiro, apenas com as torneiras, mas tínhamos água quente – banho de baldinho por 2 dias!) quase na beira da praia. Chegamos no início da tarde e óbvio fomos direto trocar as camisetas de mangas compridas por biquínis e entrar no mar. Uma areia lisa, água morna, rasa e cheia de ondas.

Nossa virada foi calma, fizemos amizade com o casal indiano que estava no quarto ao lado e eles no convidaram para jantar com eles, peixe recém pescado e assado numa fogueira feita com casca de coco. Comemos perto da fogueira enquanto tomávamos whisky com coca. Na vila havia um concurso de talentos que foi até as 2 horas da manhã, mas mesmo assim podíamos escutar as ondas da onde estávamos. Foi a paz que eu precisava depois de tanto estresse nos últimos meses.

Comemos peixe na fogueira de novo na noite do dia 1º para o 2 de janeiro. Na verdade, passamos a viagem toda comendo peixe. O melhor foi em um pequeno “restaurante” em Tarkarli mesmo, se dá para chamar disso, é um lugar pequeno e meio aberto com algumas mesas, o peixe frito me lembrou de casa e o curry de peixe me lembrou da Índia me deixando com uma sensação estranha de saudades e “estou em casa” ao mesmo tempo.

 

No dia 1º de janeiro fizemos o treinamento para “scuba diving”, definitivamente uma experiência única. Mesmo com a água não sendo tão clara, no treinamento pudemos ver alguns peixes e corais, além de aprender a usar o equipamento, que por sinal é superpesado. Fizemos o verdadeiro mergulho no dia 2 de janeiro bem cedo da manhã. Foi uma experiência incrível! Mesmo eu tendo problemas com a máscara a cada mergulho que ficava entrando água e me impedindo de ver, mas algumas subidas para a superfície e uma troca de máscara depois e tudo certo. Quem tiver oportunidade de fazer o “scuba diving” faça, é estranho, a respiração é desconfortável, mas é lindo ver os corais e os peixes de vários tamanhos e cores tão de perto.

O casal indiano foi conosco no barco para o nosso mergulho. Eles eram jovens e haviam casado havia um ou dois anos, pelo que entendi um casamento meio arranjado, eles se escolheram entre as opções, mas nada de namoros antes ou grandes conhecimentos sobre o outro, o que é normal aqui.

Tarkarli Beach é um lugar lindo, se você andar um pouco além dos barcos dos pescadores e do lixo que fica no caminho da praia para a vila. O cheiro é de peixe e há muitos cachorros e pássaros pelo local (além das vacas claro!). Passando essa parte da praia se encontra um lugar limpo, com árvores na beira da areia, perfeito para caminhar e tomar um banho de sol. Numa das nossas caminhadas pela beira da praia, no lado sujo dela já que estávamos voltando da vila, acabamos nos deparando com uma cena horrível, que até agora tento tirar da minha cabeça.

Estávamos cuidando por onde pisávamos já que tinha muitos pedaços de peixe pela areia, cabeças de peixe por todo o lado, restos da venda da pesca do dia, e num descuido quase pisamos em um filhote de cachorro morto meio desenterrado na areia. Provavelmente a mãe o enterrou e com as ondas ele foi desenterrado, mas me mostrou que as pessoas dali não se importavam com esse tipo de coisa. O mar iria lavar tudo, então porque não deixar o filhote ali? Porque não deixar os pedaços de peixe e todo o nosso lixo na beira do mar já que irá “desaparecer?”

Anjuna, no Estado de Goa, e sua praia com vista lindíssima e lotada de turistas

Mesmo assim saímos de Tarkarli querendo ficar e logo após o mergulho. Dois ônibus depois estávamos em Anjuna Beach, conhecida pelas suas festas loucas. Acabamos ficando dois dias na cidade, em um quarto cheio de camas, nenhuma coberta e muitos mosquitos. Procuramos por uma festa no dia 2, mas não achamos nada, nos falaram que havia tido uma grande festa nos últimos dias e que naquele não teria nada especial. Então fomos comer um hambúrguer para mudar um pouco e adivinhem?! Achamos carne vermelha que não é “mutton” ou ovelha adulta como diz a tradução (PS: se come mutton e carne de búfalo na Índia, é mais caro e não tão fácil de achar, além de não ser tão gostosa quando a carne de vaca ou a de ovelha que temos aí –  que saudades de um churrasco!), comemos um hambúrguer de carne de búfalo, que até agora não sabemos se estava bom porque era bom mesmo ou porque estávamos com muita fome para achar ruim.

Anjuna Beach é famosa pelas festas “trance” e pela quantidade de turistas. Fica no estado de Goa e no distrito de North Goa. Lá nós aproveitamos uma praia linda, mais agitada, cheia de estrangeiros e com muita música por todo o lado. Havia mais estrangeiros que indianos lá, muita gente extremamente branca tentando não ficar vermelha no sol e obviamente gastando horrores (para quem recebe em rúpias), o que deixou a cidade mais cara. Em Tarkarli com 200 rupias ou menos de R$ 10,00 almoçávamos muito bem, em Anjuna gastávamos o mesmo por uma misera panqueca com chocolate.

Anjuna foi uma experiência interessante. Ao mesmo tempo que queríamos uma festa já que não fizemos nada no ano novo, não queríamos conhecer ninguém ou fazer a festa na verdade. Queríamos a areia, o mar, o sol e pegar um bronze. Nosso humor estava estranho, sentíamos falta de Tarkarli e não queríamos ter saído de lá, porém queríamos ver outros lugares. Nos arrependemos de ter ficado duas noites em Anjuna quando chegamos na próxima cidade, mas como saberíamos que um quase paraíso estava tão perto da gente?

 

O mercado em Anjuna é uma colação de “camelôs” no caminho para a praia, não tem como escapar de várias “lojinhas” vendendo todo o tipo de coisa, de pinturas, a roupas ocidentais, a esculturas e tudo que se pode imaginar de aparatos para o fumo. De dia o local é passável, as pessoas nas lojas perguntam se você quer algo, mas é tranquilo. À noite a situação muda, essas mesmas pessoas passam ao seu lado sussurrando se você quer “uma boa festa” ou se você “quer se divertir com alguma droga”. Estranho e desconfortável passar por lá. Imagina você e sua amiga passando a noite por um lugar movimentado quando alguém sussurra em seu ouvido uma dessas perguntas. Imaginou? É, nem um pouco divertido. Fingimos não ouvir e seguimos em frente, depois de um tempo até demos risada do quão assustador aquilo realmente era.

Por último fomos a Gokarna, mas essa fica para o próximo texto, junto com algumas questões importantes que me peguei pensando na viagem.

PS: E lá vou eu com os textos atrasados de novo! Mil desculpas pessoal, mas a vida aqui pode ser mais caótica do que eu pensaria, ainda mais se você ficou duas semanas gripada e é o tipo de pessoa que sente que está morrendo com qualquer dorzinha ou nariz trancado. Sabe aquela história que mulher é mais forte para dor? Aguento uma tatuagem e um piercing sem reclamações, até porque a decisão foi minha e eu tenho que aguentar, mas qualquer coisa além disso eu viro um bebê chorão. Claro que aqui tive que engolir e me cuidar sozinha. Saudades, mãe!!!

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