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A crueldade do sistema – por Marionaldo Ferreira

“Transforma política em sinônimo de corrupção. O povo, cansado, desacredita”

O famoso sistema tem muito a ver com o famoso mercado, não sabemos o que é, mas sentimos ele no nosso cotidiano. Idade e vida – porque ter 60 anos ou mais é assim, ou será que é só eu que às vezes me pego pensando que viver mais de sessenta anos é como assistir a um filme que muda os cenários, mas repete o roteiro?

A gente vai ficando inquieto, ansioso – não por medo do futuro, mas por entender um pouco demais o jogo. E esse entendimento não traz paz. Pelo contrário, traz peso. É como se, ao enxergar as engrenagens do sistema, a gente percebesse que tudo foi montado para moer quem pensa, quem sente e quem trabalha.

Esse sistema é ardiloso. Ele destrói o ambiente sem culpa, mas depois cria campanhas com slogans bonitos sobre “sustentabilidade”. É o mesmo sistema que fabrica guerras para justificar a matança, para girar a roda da economia da morte. E, como se não bastasse, ainda transforma a política – que deveria ser o espaço nobre da convivência e das decisões coletivas – em sinônimo de corrupção. E o povo, cansado, desacredita.

Mas basta olhar para o Congresso e tudo se explica: grandes empresários, donos de terras imensas, executivos poderosos e pastores que misturam fé com negócio – como se Deus tivesse preço e os fiéis fossem clientes. E o mais cruel é que o próprio povo, cansado e sem tempo para compreender o que o sufoca, vota neles. Vota em quem controla o jogo. Vota em quem o escraviza.

A corrupção virou o espetáculo diário que anestesia. O trabalhador assiste, se revolta, mas não percebe que o veneno está na raiz do sistema – esse mesmo que o convence de que política é sujeira, quando, na verdade, é a ausência de política consciente que o torna refém.

No fim das contas, o que me inquieta é ver que envelhecemos, mas o mundo parece insistir em não crescer.

(*) Marionaldo Ferreira é especialista em governança pública, mentor de líderes e consultor em gestão e captação de recursos para municípios. Atua na formação de servidores e agentes públicos e é autor do livro Governança Pública e Suas Possibilidades.

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9 Comentários

  1. Resumo da opera. Pesquisa na França. Outubro deste ano. Fonte Le Monde. 96% dos questionados estão insatisfeitos ou zangados com o estado do pais. 90% acham que o pais está em decadência. Maioria ainda acredita na democracia, mas 42% abaixo dos 35 anos acha que outro sistema seria no minimo tão bom quanto.

  2. Resumo da opera. ‘Mesmo com toda a fama/Com toda a Brahma/Com toda a lama, com toda a cama/A gente vai levando[…]’. ‘Mesmo com todo o emblema/Todo o problema/Todo o sistema, toda Ipanema/A gente vai levando […]’. ‘Mesmo com toda sanha/Toda façanha/Toda picanha, toda campanha/A gente vai levando’. Musica de 1975.

  3. ‘Mas basta olhar para o Congresso e tudo se explica: grandes empresários, donos de terras imensas, executivos poderosos e pastores que misturam fé com negócio […]’. As estatisticas que enganam. Taufic Tebet veio do Libano no inicio do seculo passado. Foi parar no Mato Grosso onde casou e abriu um secos e molhados. O neto, Ramez Tebet, formou-se em direito, virou promotor e depois entrou para a politica. Quando morreu deixou uma fortuna em imóveis e tres fazendas de herança. Busilis? Quantos ‘grandes empresarios’ e ‘donos de terras imensas’ so se tornaram isto depois de entrar na politica?

  4. ‘E, como se não bastasse, ainda transforma a política […] em sinônimo de corrupção.’ Coitadinhos dos implicados no Petrolão e no Mensalão. Foram forçados pelo ‘sistema’ a encher os bolsos com bilhões em dinheiro.

  5. ‘É o mesmo sistema que fabrica guerras para justificar a matança, para girar a roda da economia da morte.’ Clausewitz. A guerra é a continuação da politica por outros meios.

  6. ‘Ele destrói o ambiente sem culpa, mas depois cria campanhas com slogans bonitos sobre “sustentabilidade”.’ Algo do tipo ‘vamos explorar o petroleo da Foz do Amazonas’?

  7. ‘O famoso sistema tem muito a ver com o famoso mercado, não sabemos o que é, mas sentimos ele no nosso cotidiano.’ Obvio ululante que não. Brasil nunca teve um capitalismo as devas. Desde Gege o intervencionismo estatal é desmesurado. Incluindo o tempo dos milicos. Existe uma sanha de ‘regulamentação’, fazem muitas leis sem saber muito do que se trata o problema. De segurança publica a inteligencia artificial.

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