ARTIGO. Luciano do Monte Ribas e semana cheia de temas: SMVC, Jair/Carluxo, monstrengo cafona, STF...

ARTIGO. Luciano do Monte Ribas e semana cheia de temas: SMVC, Jair/Carluxo, monstrengo cafona, STF…

ARTIGO. Luciano do Monte Ribas e semana cheia de temas: SMVC, Jair/Carluxo, monstrengo cafona, STF... - orlando-artigoSortido que nem baleiro de bolicho

Por LUCIANO DO MONTE RIBAS (*)

O último período nos ofereceu uma farta oferta de assuntos merecedores de atenção. Na verdade, é difícil optar por apenas um ou dois, dada a importância ou o caráter, digamos, pitoresco de cada um.

Como tudo na vida, isso tem, no mínimo, dois lados. E, como disse o Chorão, “cada escolha, uma renúncia”. Esse, aliás, é o drama de quem faz uma curadoria ou integra um júri.

Passamos por ela – eu, o Beto Cassol e a Alexandra Zanela – quando selecionamos os curtas-metragens que integraram as mostras competitivas do 13° Santa Maria Vídeo e Cinema. De 146 inscritos, apenas 31 foram adiante, o que nos obrigou a deixar (muita) coisa boa de fora.

Porém, talvez pior ainda tenha sido a tarefa do júri do festival que, de 20 em uma mostra e de 11 em outra, precisou escolher cinco ou seis ganhadores dos troféus “Vento Norte”. Fabiana Pereira, Melina Guterres, Marilice Daronco, Diorge Konrad e Sirmar Antunes encararam esse desafio e chegaram a um resultado que merece reconhecimento. Premiaram com precisão e coragem belíssimos curtas, coroando um festival que, “para a nossa alegria” e de todas as pessoas envolvidas, foi um verdadeiro e colaborativo sucesso. E esse seria, sem dúvida, um excelente assunto.

Mas há muitos outros. Poderíamos falar do porteiro que relatou que o “seu Jair” mandou abrir a porta para um criminoso ou do áudio com o sujeito errado que o Carluxo divulgou. Ainda nessa linha, também poderíamos falar sobre obstrução de investigação, crimes de responsabilidade do néscio e do cargo ganhando “20 contos” que o Queiroz queria (aproveitando o ensejo, seu Jair, onde está o Queiroz?).

Também seria interessante falar do fiasco do leilão do Pré-Sal, um retumbante fracasso creditado à pífia credibilidade desse governo de malucos e espertalhões. Aliás, o que eles chamariam de “sucesso” seria um fiasco maior ainda, pois estariam entregando por menos de 1/10 do valor real um patrimônio importantíssimo para o nosso povo. Para salvar o dia, precisaram pedir apoio à velha estatal “quebrada”, que comprou o óleo extraído do Pré-Sal que eles mesmos, há poucos anos, diziam que “não existia”…

Outro assunto seria a inauguração de um monstrengo, verdadeiro templo de cafonice e pseudo ostentação. Mas escrever mais do que três ou quatro linhas sobre mau gosto, sonegação, intimidação a trabalhadores e trabalhadoras e concorrência predatória com as pequenas e médias lojas locais seria dar ibope a um novo rico deslumbrado. Passo.

Há, ainda, o fato de que o boquirroto deu mais um golpe na cultura brasileira. Primeiro, ele extinguiu um ministério que funcionava bem e garantia os necessários incentivos a setores que empregam milhões de pessoas e dão “lucro” ao Estado e à sociedade. Mas dizem que o “seu Jair” acha o Osmar Terra “meio comunista” e, por isso, resolveu transferir a Secretaria Especial da Cultura para a sede do laranjal do PSL, o Turismo. Fez mais: colocou no comando um lunático capaz de agredir verbalmente a atriz Fernanda Montenegro. Por quê? Porque o Johnny Bravo quis, “porra”! Talkey?

Porém, mesmo com tudo isso acontecendo enquanto a gente dá milho aos pombos, para mim o assunto mais importante do mês é que o STF, mesmo que por uma escassa maioria, reaprendeu a ler e repôs o que diz a Constituição Federal, garantindo o óbvio: trânsito em julgado é um conceito sem margens para interpretações.

Isso não é bom apenas para mim, que afirmo e brigo pela inocência do Lula, além de denunciar o caráter político e “de exceção” da prisão do ex-presidente. É algo a ser comemorado por qualquer pessoa, independentemente de convicções políticas, pois resgata um direito consagrado no século XVIII pela Revolução Francesa.

Sim, foi lá que a primeira geração de direitos humanos – que são, essencialmente, garantias dos indivíduos frente ao Estado – foi afirmada e codificada. Isso num tempo em que o termo “liberal” não havia sido apropriado e distorcido por neo-escravocratas e imberbes ancaps.

Aliás, esse é um direito tão importante que devemos exigir que seja garantido até para os nossos piores adversários, incluindo aqui Paulo Guedes, “seu Jair” e o resto desses inimigos do povo que, um dia, espero que sejam julgados pelos males que causam ao Brasil e à humanidade.

(*) Luciano do Monte Ribas é designer gráfico, graduado em Desenho Industrial / Programação Visual e mestre em Artes Visuais, ambos pela UFSM. É um dos coordenadores do Santa Maria Vídeo e Cinema e já exerceu diversas funções, tanto na iniciativa privada quanto na gestão pública.

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FOTO:  vitrine de uma “santeria”, em Resistência, província do Chaco, Argentina.



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