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Pequenas telas de paixão – por Bianca Zasso

Uma sugestão: assistir à mostra “Apaixonante: O Cinema de Wong Kar-Wai”

A pandemia nos colocou dentro de casa e as plataformas streaming invadiram nossas telas com filmes, festivais e séries. Mesmo os privilegiados que podem usufruir deste momento, ainda empregados e com saúde, se sentem desconfortáveis em falar de arte num mundo de tantas notícias tristes.

Abstrair totalmente da realidade é impossível e nada recomendado. Mas se você acredita na ciência, desvia das fake News e segue se cuidando, uma boa pedida para acalentar o momento é a mostra

Promovida pela plataforma Mubi, a seleção está, a cada semana, colocando novos títulos do diretor chinês, incluindo uma versão restaurada de seu clássico absoluto In the mood of Love, lançado em 2000 e que aqui no Brasil recebeu o apelativo título de Amor à flor da pele.

Nessa história de amor proibido ambientada na Hong Kong dos anos 60, a cor e o movimento são tão personagens quanto os apaixonados interpretados por Maggie Cheung e Tony Leung. A sequência de vestidos usados pela protagonista marcam a passagem do tempo e as emoções. A voz de Nat King Cole dita o ritmo de dois corações que se amam, mas não se aproximam.

Dizer mais do que isso para quem ainda não desfrutou deste filme seria estragar a experiência. In the mood of Love é uma dádiva, um filme que já tem seu lugar no panteão das obras-primas. E os cinéfilos sabem que elas não nascem a todo momento.

Para além do exemplar mais comentado de sua filmografia ainda em construção, ainda estão na lista da mostra os poderosos Amores Expressos, Felizes Juntos e The Hand. Esta colunista cita apenas três porque eles podem ser a porta de entrada. Todos os filmes merecem atenção e este espaço é pequeno demais para tantas análises possíveis para as muitas camadas das histórias contadas por Kar-Wai, que também assina roteiro e produção de seus longas.

Um diretor que merece todos os olhares por nunca abandonar seus ideais visuais. O que alguns chamam de estilo, aqui podemos até falar em visão de mundo. E o mundo de Kar-Wai tem cores quentes e planos que poderiam ser emoldurados, mas que devem ser degustados em movimento. Seu apreço pelo slow motion incomoda alguns espectadores. Esta que vos escreve está no grupo dos que ficam hipnotizados com esta escolha.

Aos novatos na obra do diretor, ou mesmo no universo do cinema oriental, vale o conselho de sempre: entregue-se. A vida lá fora está complicada, todos sabemos. Talvez por isso mesmo precisamos de novos modos de observar. Cada artista da Sétima Arte tem o seu e o divide conosco. São poucas horas de magia para encarar a dor que dura dias, semanas, anos. Não cura, mas alivia. Colocar a palavra apaixonante no título de uma mostra sobre Wong Kar-Wai não é apenas uma estratégia de marketing: é um sinal.

Estaremos diante da paixão, nas suas mais variadas formas, cores e aromas, quando estivermos assistindo seus filmes. Os que amam a tela grande sabem que o melhor seria essa mostra acontecer numa sala de cinema com som e imagem impecáveis. Mas vamos transformar nossos lares e suas telas, às vezes tão pequenas, em suaves reservatórios de paixão. Pelo bem de nossos dias isolados.

MOSTRA APAIXONANTE: O CINEMA DE WONG KAR-WAI

Disponível na plataforma Mubi

(*) Bianca Zassonascida em 1987, em Santa Maria, é jornalista e especialista em cinema pelo Centro Universitário Franciscano (UNIFRA). Cinéfila desde a infância, começou a atuar na pesquisa em 2009. Suas opiniões e críticas exclusivas estão disponíveis às quintas-feiras.

Observação do editoras fotos que ilustram este texto são de Divulgação.

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