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A “nova” política e a velha direita – por Michael Almeida Di Giacomo

O articulista e o pensador: “a nova política é igual a velha, só que é nova”

Na história mais recente da política brasileira, especificamente desde Collor, “salvadores” da pátria, que se elegem graças a um discurso antissistema, ao governor se revelam os mais ortodoxos a alimentar o próprio sistema que antes “combatiam”.

A “revolta” contra o sistema nada mais é do que uma estratégia eleitoral para causar empatia e, claro, o mais importante, angariar votos. E dá certo, pois o povo – de tempos em tempos – acaba reverenciando e elegendo algum falso Messias.

É exatamente o que estamos a vivenciar no Brasil bolsonarista.

O professor Lênio Streck, por meio de sua conta no Twitter, ao fazer referência sobre o atual contexto político nacional, foi assertivo ao dizer que “a nova política é igual a velha, só que é nova”.

A rendição bolsonarista ao Centrão, além de evidenciar o dito por Streck, reforça a máxima do General Heleno de que, “se gritar pega centrão, não fica um”. Agora, ou desde sempre, nem mesmo a trupe “boSalnarista”.

O Centrão do século XXI – sim, o Centrão existe desde o século passado, mais especificamente 1987 – tem como destaque entre suas lideranças os parlamentares filiados ao Partido Progressista, agremiação que traz em seu DNA a história da velha Arena (Aliança Renovadora Nacional), o partido de sustentação à ditadura militar, que vigeu de 1964 a 1985.

O antigo partido do “sim, senhor” (como era conhecida a Arena), além do PP, ainda mantém tentáculos em outros partidos da direita brasileira, como por exemplo, o Democratas. E também em partidos que na abertura democrática receberam inúmeros políticos arenistas, como o PMDB.

É possível encontrar a teia arenista até no PSDB, acredite.

A direita “brasuca”, no tempo atual, faz ganhar força no debate político uma pauta de costumes, a luta contra a implantação de um estado comunista e o protagonismo da doutrina religiosa, por meio de partidos como o PDC e o Republicanos, entre outros de menor expressão.

Consegue-se, ainda, identificar uma “nova” direita no Partido Novo e no Patriotas, autodeclarados liberais. Ainda temos o antes invisível PSL, que graças a então filiação de Bolsonaro, em 2018 saiu do canto da sala e elegeu cinquenta e dois deputados federais. Antes tinha somente um.

Já o bloco da “velha” direita, parece, está a se organizar com o objetivo de promover uma fusão entre o PP, DEM e o PSL.

Ou seja, a exceção do PSL, que está nessa porque dispõe de vultuosos recursos de fundo partidário e eleitoral, será o reencontro de forma orgânica das antigas lideranças da Arena. Será a maior bancada no Congresso Nacional.

Os líderes da “nova” Arena especulam ter entre seus filiados o Capitão, atual mandatário da nação.

Um tanto melancólica, a velha direita, com muito dinheiro em caixa, poderá reforçar sua estrutura orgânica nos mais distantes rincões do país e transformar-se na maior bancada do Congresso Nacional.

Isso, nada mais é do que uma volta ao tempo do Brasil dos grilhões, onde o presidente da nação se reúne com lideranças da extrema-direita neonazista da Alemanha e sua trupe – cega de intolerância e ódio – aplaude.

(*) Michael Almeida Di Giacomo é advogado, especialista em Direito Constitucional e Mestre em Direito na Fundação Escola Superior do Ministério Público. O autor também está no twitter: @giacomo15.

Nota do Editor: a foto é uma reprodução do blog“Limpinho e Cheiroso” (AQUI)

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Um Comentário

  1. ‘Sistema’ virou uma palavra disputada. Melhor utilizar ‘Establishment’ é uma palavra mais adequada. Critica não é de hoje. vide ‘Os donos do poder’, livro de 1958.
    Centrão é termo utilizado na CF88. Naquela época foi a maneira encontrada para fazer nascer a CF88. Haviam muitos impasses entre esquerda e direita e o resultado foi um documento bipolar. O que hoje batizaram de Centrão é o Baixo Clero que não tem ideologia nenhuma alem dos proprios interesses. Não são o ‘mal’, do outro lado estão as oligarquias dos Grandes Partidos.
    Pano de fundo disto tudo é a tentativa de limitar o poder do estado de São Paulo limitando o numero de deputados federais ainda na decada de 30 do século passado. Estados menores com numero desproporcional de representantes e IDH baixo, o que poderia dar errado?
    O que faz o estudo? trupe “boSalnarista”. lideranças da extrema-direita neonazista da Alemanha e sua trupe. Pérola das pérolas: ‘cega de intolerância e ódio’. Codigo de ética dos advogados: ‘São deveres do advogado: estimular a conciliação entre os litigantes, prevenindo, sempre que possível, a instauração de litígios’.

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