Crônicas

Triste fim da Integridade – por Luiza Moura Tavares da Silva

História de azares de um nacionalista: quem examinasse a sua coleção de livros veria com clareza a preferência pela literatura brasileira – Bento Teixeira, Gregório de Matos, Santa Rita Durão e os mais românticos José de Alencar e Gonçalves Dias, Policarpo Quaresma, personagem do autor Pré-modernista Lima Barreto, esforço-se para manter seus ideais e questionou constantemente deputados e o presidente Marechal de Ferro – tanta insistência resultou na morte do simplório brasileiro.

Não existe verdade, a partir do momento em que existem pontos de vista; e eles não são iguais: as divergências deveriam ser usadas para a obtenção de lucro intelectual na presença de bom – senso, há a retirada das idéias alheias para o enriquecimento das próprias; na sua ausência, os argumentos utilizados atritam-se e geram conflito: as controvérsias vão prosseguir até que alguém silencie. Melhor do que o silêncio, é buscar pacificamente a exposição de cada pensamento, porque da mesma forma como não se quer alterar a própria opinião, o outro não quer ter a sua mudada- pode-se concordar, mas concordância não significa compreensão.

Mesmo com a oportunidade de negar suas crenças e evitar a morte, Sócrates preferiu beber cicuta e morrer envenenado do que corromper sua alma. Acreditava que a integridade deveria ser preservada em qualquer situação, mas seu triste fim não convenceu aos que não aderiam às suas verdades. Já a conclusão de Quaresma, quando estava próximo da morte, foi de que deveria ter mentido, matado, e roubado durante sua vida, em vez de buscar a aprovação de seus ideais – a integridade matou Sócrates e foi morta por Quaresma. Agiram de formas opostas; nenhuma terminou em felicidade. Porém. Defender um ponto de vista não há de ser motivo para arrependimento, mas teimosia deve.

Usa-se da autoridade na falta de argumentos {Quaresma e Sócrates sofreram ainda mais devido às suas posições sociais e à falta de poder} como fizeram os eminentíssimos-reverendíssimos–senhores-cardeais-inquisidores-gerais com inúmeros cientistas e filósofos: Galileu Galilei foi obrigado a abjurar, amaldiçoar e detestar seus supostos erros heresias, mas nem pela teimosia clerical, o Sol deixou de ser o centro do universo e a Terra parou de mover-se.

A crônica
Triste fim da Integridade, de Luiza Moura Tavares da Silva, de Santa Maria, conquistou o Prêmio Incentivo Local, na categoria Crônica, no 38º Concurso Literário Felippe D’Oliveira, em 2015. A publicação foi autorizada pela Secretaria Municipal de Cultura de Santa Maria. Crédito da imagem que abre a página: Arek Socha / Pixabay.

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