O verdadeiro início do ano – por João Luiz Vargas
E então... “O ontem ainda ecoa em nossas escolhas e o hoje exige decisão”

Conhece-te a ti mesmo, afirmou Sócrates. A frase atravessa séculos e, curiosamente, parece ganhar ainda mais força neste período do ano. Passado o Carnaval, quando o Brasil retoma seu ritmo habitual e a rotina deixa de ser promessa para se tornar prática, somos convidados a olhar para dentro com mais honestidade.
Na virada do ano projetamos um novo ciclo como se bastasse a troca do calendário para que a transformação acontecesse. Mas agora, longe da euforia das celebrações, resta a pergunta essencial: estamos verdadeiramente convencidos daquilo que dissemos querer?
Somos um eterno recomeço. O ontem ainda ecoa em nossas escolhas e o hoje exige decisão. Não há planejamento que sobreviva sem convicção. Qualquer percurso de vida precisa ser trilhado com clareza interior, pois só convencemos quando estamos convencidos. Só transformamos quando assumimos responsabilidade pelo que desejamos transformar.
Só sei que nada sei, novamente lembrando Sócrates. A consciência da própria limitação é, paradoxalmente, o primeiro passo para a sabedoria. Se não buscarmos conhecimento, se não revisitarmos os caminhos já percorridos pela história, pelas relações humanas e pela ciência, corremos o risco de repetir erros que juramos deixar para trás no último dia do ano.
O início do ano não é sobre promessas grandiosas, mas sobre alinhamento entre discurso e prática. Entre desejo e ação. Entre expectativa e compromisso.
Conhecer a si mesmo é reconhecer limites, corrigir rotas e reafirmar propósitos. É entender que o novo ano não começa no calendário, mas na coragem de sustentar aquilo em que acreditamos.
(*) João Luiz Vargas, ex-prefeito de São Sepé, ex-deputado, ex-presidente da Assembleia Legislativa e ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado). Ele escreve no site às sextas-feiras.





Truquezinho, citar Socrates para aparentar sofisticação. Antigamente funcionava. Alas, citações são frases que também viraram chavão.
E desde quando João Luiz Vargas precisa provar algo, “Brando”??
Se liga.
Eu era criança e ele já era o João Luiz Vargas.
E não precisa se esconder sob um pseudônimo.
‘Não há planejamento que sobreviva sem convicção.’ Como diria Mike Tyson ‘todo mundo tem um plano até levar um soco na boca’. Planejamento virou chavão. No pais geralmente é algo para ingles ver e as coisas são decididas a modo miguelão.