Nem muro, nem rótulo: a urgência de superar os extremismos e pensar o Brasil real – por Marionaldo Ferreira
“Esse tipo de rotulagem revela problema profundo em nosso debate público”

Recentemente, em uma roda de conversa informal, fui interpelado com uma pergunta que se tornou, nos últimos anos, quase um ritual de iniciação política: “Você é de esquerda ou de direita?”. Ao responder que sou trabalhista, militante do PDT e herdeiro de uma tradição que acredita no desenvolvimento com justiça social, ouvi de forma apressada que isso seria “ficar em cima do muro”, como se a complexidade das ideias e das causas coubesse em um jogo de polaridades rasas.
Esse tipo de rotulagem revela um problema profundo em nosso debate público: a substituição da reflexão pelo julgamento apressado. O Brasil é um país complexo, desigual, diverso. Não pode ser reduzido a uma caricatura binária, onde tudo é preto ou branco, esquerda ou direita, certo ou errado. A política, em sua essência, deveria ser a arte de construir pontes – não trincheiras.
Ao longo da história, o trabalhismo sempre se diferenciou por sua capacidade de ouvir o povo, dialogar com os setores produtivos e compreender que um país forte exige tanto justiça social quanto desenvolvimento econômico. Vargas, Jango, Brizola, Darcy Ribeiro, foram líderes que compreenderam que o Brasil não cabe em extremismos. Apostaram na educação, na soberania nacional, na valorização do trabalho, sem medo de dialogar com setores diversos da sociedade.
Chamar alguém de “em cima do muro” apenas por não aderir a um dos polos ideológicos da moda é, na verdade, confessar a própria limitação argumentativa. Reduzir o outro a um rótulo é um recurso comum de quem não quer – ou não sabe – debater ideias. É mais fácil atacar do que compreender. Mais simples lacrar do que construir.
O que me move é a busca por soluções concretas. O que me interessa é melhorar a vida das pessoas. E, para isso, precisamos de diálogo, planejamento, sensatez e coragem. Não tenho medo de afirmar meus valores. Mas recuso-me a vestir qualquer camisa que me aprisione numa lógica que só interessa a quem lucra com o conflito.
O verdadeiro muro não está entre a esquerda e a direita. O verdadeiro muro é o da ignorância, da arrogância, da incapacidade de dialogar com quem pensa diferente. E esse muro, sim, precisa ser derrubado.
É hora de resgatar a política como espaço de construção coletiva. É hora de parar de medir os outros por rótulos e começar a escutá-los por suas ideias, propostas e histórias de vida. O Brasil precisa de pontes. E construir pontes exige coragem.
(*) Marionaldo Ferreira é servidor aposentado da UFSM. Tecnólogo em Processos Gerenciais, Especialista em Administração e Marketing, Psicanalista em formação e tem, também, MBA em Gestão de Projetos. Seus textos são publicados nas madrugadas de segunda-feira.





Resumo da opera. Exortações a la São João Batista, voz que clama no deserto, não alteram nada.
Por isto quando alguém começa a falar em PDT não é preciso prestar atenção ou criar conflito. Perda de tempo.
Vargas, Itagiba e outros. Têm um autoritarismo que herdaram do Benito. Alas, Vargas era ditador no Estado Novo e os outros desenvolvimentistas tentaram replicar o que ele fez em outros contextos historicos. Alas, as bandeiras do trabalhismo foram chupinhadas pelo PT.
Trabalhismo morreu porque as causas historicas dele não existem mais. Anacronico. Era um meio termo entre o capitalismo e o comunismo. Que surgiu como uma resposta as barbaridades da revolução industrial. Justiça social segundo quais criterios? Criterio Robin Hoodm ‘tirar dos ricos para dar aos pobres’? Simplista e infantil. Desenvolvimentismo? Deu errado no Brasil tres vezes e meia. JK, milicos, Dilma, a humilde e capaz. Agora Rato Rouco.
Politicos não estão nem ai para a população. Vide emenda constitucional aprovada na CCJ do Senado. Acaba com a reeleição para cargos do executivo. Reduz o mandato de senadores para 5 anos. Aumenta o mandato de deputados e vereadores para 5 anos. Ao invés da população decidir uma correção de rumo tres vezes a cada 12 anos vai passar a decidir duas vezes cada 10. Bota ‘democracia’ nisto. Embutiram o fim da reeleição, que seria uma boa experiencia, com uma benesse para eles mesmos.
‘Extremismos’ são de minorias barulhentas. Maioria só quer tocar a vida. Não fica o tempo todo falando especificamente em politica. Até porque esta não resolve muita coisa. Logo não existe urgencia alguma. Basta deixar o rio seguir seu curso.
A historia não ‘toma o caminho errado’. Só frustra as expectativas de alguns.