Dia do Engenheiro Florestal: a riqueza invisível das florestas – por Rosito Zepenfeld Borges

“Uma vez florestal, sempre florestal”. Apesar de não atuar mais na minha formação de graduação, não posso esquecer das minhas origens. No dia 12 de julho celebramos o Dia do Engenheiro Florestal, uma data que homenageia os profissionais responsáveis por conciliar um dos maiores desafios da atualidade: promover o desenvolvimento econômico sem abrir mão da conservação dos recursos naturais. Em um país que abriga uma das maiores riquezas florestais do planeta, o trabalho desses profissionais vai muito além do plantio e da exploração de árvores. O engenheiro florestal atua no planejamento, manejo, recuperação e conservação das florestas, garantindo que elas continuem produzindo riqueza hoje sem comprometer as necessidades das futuras gerações.
Quando pensamos na importância das florestas, normalmente lembramos da madeira, do papel, da celulose, da borracha, dos alimentos, dos óleos essenciais e de tantos outros produtos que fazem parte do nosso cotidiano. De fato, as florestas movimentam cadeias produtivas inteiras, geram empregos, impulsionam exportações e contribuem significativamente para a economia brasileira. Entretanto, essa é apenas uma parte do valor que elas oferecem à sociedade.
Existe uma riqueza muito maior, embora menos visível, representada pelos chamados serviços ecossistêmicos. As florestas regulam o clima, produzem oxigênio, capturam dióxido de carbono, protegem o solo contra a erosão, favorecem a infiltração da água, preservam nascentes, abastecem rios e ajudam a reduzir os impactos de eventos climáticos extremos. São benefícios que não aparecem nas prateleiras dos supermercados nem nas estatísticas de produção industrial, mas que sustentam silenciosamente a qualidade de vida, a segurança hídrica, a agricultura e o equilíbrio ambiental de toda a sociedade.
Os acontecimentos vividos pelo Rio Grande do Sul em 2024 evidenciaram essa realidade de forma contundente. As inundações históricas mostraram que a gestão da paisagem, a proteção das matas ciliares, a recuperação de áreas degradadas e o planejamento adequado do uso do solo não são apenas questões ambientais, mas também estratégias essenciais de prevenção de desastres. Embora nenhum evento extremo possa ser atribuído a uma única causa ou completamente evitado, é amplamente reconhecido que ecossistemas florestais conservados aumentam a capacidade do ambiente de absorver e retardar o escoamento das águas, reduzindo a vulnerabilidade das comunidades e tornando o território mais resiliente diante das mudanças climáticas.
Nesse contexto, o engenheiro florestal assume um papel estratégico. Seu trabalho combina conhecimento científico, planejamento territorial e gestão sustentável dos recursos naturais para proteger não apenas as florestas, mas também as pessoas que delas dependem. Cada projeto de restauração ambiental, cada plano de manejo, cada nascente preservada e cada área recuperada representam investimentos na segurança ambiental, na economia e na qualidade de vida da população. São ações cujos resultados, muitas vezes, só são percebidos quando deixam de existir.
Celebrar o Dia do Engenheiro Florestal é reconhecer que as florestas não são apenas fontes de matéria-prima, mas verdadeiras infraestruturas naturais que sustentam a vida, a economia e o desenvolvimento. Valorizar esses profissionais significa compreender que preservar uma floresta não é impedir o progresso, mas criar as condições para que ele seja duradouro, equilibrado e capaz de enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas. Afinal, investir na conservação das florestas é investir na segurança das cidades, na produção de alimentos, na disponibilidade de água e no futuro das próximas gerações.
(*) Rosito Zepenfeld Borges é Engenheiro de Segurança do Trabalho. Ele escreve no site às segundas-feiras.





ATENÇÃO
1) Sua opinião é importante. Opine! Mas, atenção: respeite as opiniões dos outros, quaisquer que sejam.
2) Fique no tema proposto pelo post, e argumente em torno dele.
3) Ofensas são terminantemente proibidas. Inclusive em relação aos autores do texto comentado, o que inclui o editor.
4) Não se utilize de letras maiúsculas (CAIXA ALTA). No mundo virtual, isso é grito. E grito não é argumento. Nunca.
5) Não esqueça: você tem responsabilidade legal pelo que escrever. Mesmo anônimo (o que o editor aceita), seu IP é identificado. E, portanto, uma ordem JUDICIAL pode obrigar o editor a divulgá-lo. Assim, comentários considerados inadequados serão vetados.
OBSERVAÇÃO FINAL:
A CP & S Comunicações Ltda é a proprietária do site. É uma empresa privada. Não é, portanto, concessão pública e, assim, tem direito legal e absoluto para aceitar ou rejeitar comentários.