Chuvas excessivas: quando o eventual vira o cotidiano – por Luís Henrique Kittel
‘Não podemos mais tratar eventos climáticos como acontecimentos pontuais’

Mais uma vez, as últimas horas nos colocam diante de um cenário duro e angustiante. Com mais de 400mm de chuva acumulados em curto tempo, nossa região central voltou a sofrer com alagamentos, destruição de estradas, acessos bloqueados e comunidades isoladas.
A cada novo evento climático extremo, acumulam-se não apenas prejuízos materiais, mas também o desgaste emocional e a sensação de impotência da nossa gente.
O que encontrei ao percorrer diversas localidades do interior de Agudo é o mesmo que muitos de vocês também viram nas redes sociais ou estão vivendo no dia a dia: estradas cortadas, acessos destruídos, produtores sem conseguir chegar às suas propriedades, pessoas aflitas, sem saber o que esperar do amanhã.
Mas, com o coração apertado, não escrevo apenas como prefeito. Escrevo como cidadão. Muitos dos problemas que enfrentamos hoje não começaram agora. São reflexo de anos – talvez décadas – de adiamentos, limitações e promessas que não se concretizaram. Demandas históricas que, por falta de recursos, por burocracias ou disputas de prioridade, foram sendo empurradas para o futuro. E o futuro, infelizmente, chegou.
E diante disso, é preciso encarar a realidade com coragem e franqueza.
Os municípios, sozinhos, não conseguem suportar o peso dessas intervenções estruturais. É necessário que o Governo Federal e o Governo Estadual assumam, com seriedade, o compromisso de apoiar de forma mais eficaz as cidades para obras de resiliência climática e prevenção.
Defendo com firmeza que o Brasil precisa de políticas estruturantes de resiliência climática, que contemplem os pequenos municípios. Um plano que ofereça recursos diretos, linhas de crédito com juros subsidiados, mais agilidade no acesso a financiamentos – e, acima de tudo, que entenda que prevenir tragédias é tão urgente quanto responder a elas.
Estamos fazendo a nossa parte. Mas precisamos de ajuda. E precisamos, também, olhar para o futuro com responsabilidade.
Como cidadão, vejo que não podemos mais cair no erro de só lembrar das obras importantes quando tudo já desabou. A reconstrução tem que vir acompanhada de planejamento. E o planejamento precisa ser baseado em uma nova realidade: o clima mudou. E nós temos que mudar também.
Não podemos mais tratar os eventos climáticos como acontecimentos pontuais, mas sim como uma nova realidade permanente – que exige planejamento, investimento e mudanças estruturais na forma como as cidades se preparam, como os governos priorizam e como os cidadãos fazem suas cobranças. Porque, muitas vezes, um simples ‘quebra-molas’ tem mais apelo popular do que uma grande obra de drenagem ou prevenção – e isso precisa mudar.
Este é um relato – como gestor público, mas, acima de tudo, como cidadão que acredita na força do povo gaúcho. Porque persistir é preciso, mas planejar é o que vai nos permitir avançar com dignidade e segurança. E eu não vou desistir de “brigar” por isso.
(*) Luís Henrique Kittel, 39 anos, é jornalista formado pela então Unifra, atual UFN). É prefeito reeleito do município de Agudo (o único do PL na região), foi vice-presidente do Consórcio de Desenvolvimento Sustentável da Quarta Colônia e atualmente é vice-presidente da Associação dos Municípios da Região Central (AM Centro). Ele escreve no site às quintas-feiras.





Resumo da opera. Unicas coisas que se tem desculpa neste tipo de evento são as estradas de chão da zona rural e as quedas de barreiras. O resto é omissão ou incompetencia.
‘São reflexo de anos – talvez décadas – de adiamentos, limitações e promessas que não se concretizaram’. População não sabe votar.
‘Muitos dos problemas que enfrentamos hoje não começaram agora.’ Negocio é dividir a responsabilidade.
Basta imaginar um cenario onde desabasse um predio. O engenheiro civil iria ‘justificar’ dizendo ‘colocaram uma carga de 300kg e só suportava 280’?
Questão bem basica, alguém acha que se fossem 250 mm mudaria alguma coisa? Os problemas não ocorreriam? Ou a desculpa seria a mesma?
‘Com mais de 400mm de chuva acumulados em curto tempo, nossa região central […]’. Numeros magicos que ‘explicam’ tudo. Alas, jogam os boatos ao vento, uns falam em 300 mm, mas confrontados começam um mimimi de ‘acumulado na bacia’ ou coisa que o valha. Dai a discussão sai da incompetencia da classe politica ou da incompetencia da Corsan que deixou, de novo, meia cidade sem agua.