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Santa Maria vai, enfim, virar a página do transporte público – por Giuseppe Riesgo

“Licitação finalmente vai sair do papel. E isso é, sim, uma conquista coletiva”

Durante anos, Santa Maria foi mantida refém de um modelo de transporte coletivo concentrado, sem transparência e sem concorrência. A cada novo contrato emergencial ou renovação automática, a cidade afundava ainda mais em um sistema fechado, caro e ineficiente, que servia aos mesmos de sempre, mas nunca ao cidadão.

Esse ciclo, no entanto, está prestes a ser encerrado. Depois de quase uma década de mobilização, denúncias, cobranças e de uma ação popular que protocolei ainda em 2016, a licitação do transporte coletivo finalmente vai sair do papel. E isso é, sim, uma conquista coletiva.

Quero celebrar esse momento e também reconhecer quem esteve ao lado da verdade o tempo todo: a imprensa local, que sempre deu espaço claro, coerente e honesto para que a denúncia pública fosse feita.

A cobertura constante, as análises técnicas e o compromisso com o interesse público ajudaram a manter esse tema vivo, mesmo quando muitos queriam enterrá-lo. Não é pouca coisa manter acesa a chama da transparência por tanto tempo.

Da minha parte, nunca faltou ação. Quando entrei com a ação popular, sabia que mexia com interesses pesados. Depois, como deputado, segui cobrando: expus o problema dos contratos emergenciais, alertei sobre o problema da falta de licitação, pedi providências formais.

Mostrei que a ausência de licitação não era apenas uma falha administrativa, mas era uma afronta à moralidade pública e ao bolso de quem depende do ônibus para trabalhar, estudar, viver. Agora, com a confirmação da licitação marcada para setembro, temos um novo capítulo se abrindo. Um capítulo que só foi possível porque não baixamos a cabeça.

E aqui é justo reconhecer a atual administração municipal, em especial o prefeito Rodrigo Décimo que assumiu a responsabilidade de dar esse passo definitivo. Isso demonstra que, quando há vontade política, é possível fazer o que é certo. Essa é uma vitória do cidadão santa-mariense.

É a prova de que fazer política de verdade é lutar, cobrar, resistir mesmo quando parece que ninguém está ouvindo. Hoje, temos a chance de reescrever a história do transporte público em Santa Maria.

Que essa licitação seja um marco de eficiência, qualidade e respeito com quem paga a conta, e que nunca mais precisemos esperar uma década para fazer o óbvio: cumprir a lei, garantir concorrência e servir à população com decência.

(*) Giuseppe Riesgo é secretário de Parcerias da Prefeitura de Porto Alegre e ex-deputado estadual pelo partido Novo. Ele escreve no site às quintas-feiras.

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5 Comentários

  1. Resumo da opera. Se alguma empresa se apresentar é bom lembrar que é um ‘contrato de adesão’. Porque outro padrão santamariense é não prestar atenção no que está sendo licitado e depois cobrar da iniciativa privada os erros cometidos pela licitação produzida pelo poder publico.

  2. Tarifa? RS7,67. Apelidada de ‘tecnica’. 192 veiculos sendo 24 com ar condicionado. Revisão das linhas. Reforço a noite e finais de semana quando menos pessoas circulam. Acompanhamento em tempo real com GPS.

  3. Pela apresentação, ‘primeira licitação em 50 anos’, ‘momento historico’, ‘iniciativa inedita e inovadora’ (nunca nenhuma prefeitura licitou transporte publico antes?), existe mais preocupação com a marketagem do que com outra coisa.

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