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Adultização e Infantilização – por Elen Biguelini

Até que enfim, “agora temos uma lei de proteção às crianças na internet”

Enquanto fizemos uma breve pausa para um evento familiar, um grande assunto se tornou parte da conversa no Brasil. A adultização das crianças na mídia social.

Infelizmente, foi preciso um homem olhar pra isso, para que prestassem atenção. Afinal, isto tem sido levantado por diversas pessoas há anos.

Mas estamos felizes que o tópico foi trazido a tona e, finalmente, ouvido. Assim, agora temos uma lei de proteção às crianças na internet.

A regulação das redes é extremamente necessária. Não nos referimos a bloquear todo e qualquer conteúdo, mas regulamentar as notícias falsas, a forma como as crianças são tratadas e o conteúdo voltado a elas regulado. Isto porque, da forma como estavam as redes, as crianças eram expostas pelos próprios pais para o lucro alheio.

Sabe-se que ao criar qualquer conteúdo com crianças, predadores podem estar de olho. Os pais das crianças que optam por expor seus filhos online têm plena consciência disso, e fazem o possível para os proteger. Ou ao menos, deveriam.

Como vimos nos casos expostos esta semana, não é assim para todas as crianças.

Documentários como aquele sobre os jovens atores do canal voltado para crianças, Nickelodeon, demonstram que infelizmente predadores se inserem em espaços infantis. Precisamos, então proteger os pequenos (ou não tão pequenos) que têm sua vida exposta para o mundo por meio do Instagram, Youtube ou Tiktok.

Mas a temática lembrou esta articulista de outro debate que precisa retornar, a questão da infantilização feminina como objeto sexual.

Cada vez mais, a idealização do corpo feminino é mais infantilizada. Os corpos maduros vistos como feios, enquanto os corpos pequenos, sem pelos, sem marcas, são o objeto de desejo masculino.

Mas as mulheres adultas não têm este corpo.

A moda de vestir mulheres com roupas lembrando a infância ajudam nesta infantilização. Não nos opomos completamente ao estilo chamado “Lolitta” , que utiliza o nome do livro/filme para apresentar um vestuário estilo boneca. Mas o próprio nome já indica que ele não é tão inocente quanto aparenta. Os vestidos são absolutamente lindos, os laços coloridos também. E são uma escolha de quem os usa, claramente. Quando bem feito, o estilo não infantiliza. Mas está sempre em uma linha ténue.

E infantilizar o corpo adulto feminino, embora não o mesmo que adultizar o corpo infantil, pode ter consequências ruins para as crianças.

Não estamos aqui defendendo proibir que mulheres se vistam com roupas lúdicas, mas sim, que este debate deve ser parte da conversa. Especialmente agora, que vemos tantas crianças expostas a situações sexuais online.

Finalizando, estamos felizes que a adultização nas mídias se tornou assunto de conversa na rua, nas esquinas, nos lares, e especialmente nas políticas públicas.

(*) Elen Biguelini é doutora em História (Universidade de Coimbra, 2017) e Mestre em Estudos Feministas (Universidade de Coimbra, 2012), tendo como foco a pesquisa na história das mulheres e da autoria feminina durante o século XIX. Ela escreve semanalmente aos domingos, no Site.

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6 Comentários

  1. ‘[…] se tornou assunto de conversa na rua, nas esquinas, nos lares, e especialmente nas políticas públicas.’ Não era na semana anterior e vai voltar a obscuridade em breve. Afinal, outra barbaridade é necessaria para ‘vender jornal’ e ‘clicks’.

  2. ‘Não estamos aqui defendendo proibir que mulheres se vistam com roupas lúdicas, mas sim, que este debate deve ser parte da conversa.’ Final de 2024 existiam 77 mil mulheres na fila para fazer mamografia no SUS. Neste ano comemoram o ‘fim da fila’. Acredite quem quiser. Sem esquecer as pessoas que estavam esperando e tiveram um resultado desfavorável no exame. Questão toda é que a vida sexual dos adultos é mais importante.

  3. ‘Mas a temática lembrou esta articulista de outro debate que precisa retornar, a questão da infantilização feminina como objeto sexual.’ Puritanismo pela esquerda. Do alto da ‘superioridade moral autodeclarada’ ser arvoram o direito de determinar o que pode e o que não pode e policiar a humanidade. Bota ‘humildade’ nisto, nada ‘narcisista’.

  4. ‘[…] as crianças eram expostas pelos próprios pais para o lucro alheio.’ Sim, os pais não ganhavam nada, eram ‘vitimas’.

  5. ‘A regulação das redes é extremamente necessária. Não nos referimos a bloquear todo e qualquer conteúdo, mas regulamentar […]’. É o ‘céu na Terra’ e o ‘céu no mundo virtual’.

  6. ‘Infelizmente, foi preciso um homem olhar pra isso, para que prestassem atenção.’ Foi preciso o presidente da Camara estar com imagem negativa na midia. Muita gente surfou nesta onda.

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