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Quando todos falam, quem informa? – por João Luiz Vargas

“Talvez o desafio dos novos tempos não seja correr atrás da notícia, mas...”

O avanço tecnológico proporcionou uma participação cada vez mais ativa da comunidade nos acontecimentos do dia a dia. Com as redes sociais, qualquer pessoa pode relatar fatos em tempo real e expressar sua opinião, ampliando o alcance e a velocidade da informação.

Antes da era digital, o debate público era conduzido por poucos meios e raramente alcançava toda a sociedade. Questões sobre desigualdade, preconceito ou exclusão eram discutidas de forma mais lenta e restrita, sem a participação direta da população como ocorre nas redes sociais atuais.

Hoje, as redes sociais transformaram-se em verdadeiros tribunais de exceção, muitas vezes ignorando o direito ao contraditório e convertendo simples exposições de fatos em escândalos. Nesses ambientes, pessoas são julgadas e condenadas pela opinião pública antes mesmo de qualquer apuração formal, o que pode gerar percepções distorcidas de impunidade e injustiça.

Essa atuação precipitada, tanto por parte dos usuários quanto da própria mídia que repercute conteúdos das redes, pode causar sérios prejuízos à imagem de indivíduos e ao andamento de processos judiciais, cujo julgamento legítimo cabe apenas ao Poder Judiciário.

Nos tempos atuais, as redes sociais tornaram-se as grandes difusoras de notícias. O “furo de reportagem” perdeu o brilho, substituído pela urgência de ser o primeiro a publicar. Mas, se todos falam ao mesmo tempo, quem realmente informa? A imprensa precisa reinventar seu papel, oferecendo profundidade em meio ao ruído, verdade em meio às versões. Talvez o desafio dos novos tempos não seja correr atrás da notícia, mas resgatar o valor da confiança.

(*) João Luiz Vargas, ex-prefeito de São Sepé, ex-deputado, ex-presidente da Assembleia Legislativa e ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado). Ele escreve no site às sextas-feiras

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4 Comentários

  1. Resumo da opera. Chavão. A confiança é como um cristal, uma vez quebrado, nunca mais volta a ser o mesmo.

  2. ‘A imprensa precisa reinventar seu papel, oferecendo profundidade em meio ao ruído, verdade em meio às versões.’ Perdeu força por conta da militancia dos jornalistas. Simples assim. Não vejo caminho de retorno.

  3. ‘[…] cujo julgamento legítimo cabe apenas ao Poder Judiciário.’ Judiciario que livrou a cara de muitos corruptos da LavaaJato. “A justiça é como as serpentes. Só morde os pés descalços”

  4. ‘[…] as redes sociais transformaram-se em verdadeiros tribunais de exceção, muitas vezes ignorando o direito ao contraditório e convertendo simples exposições de fatos em escândalos.’ Ou seja, um tribunal revolucionario. O Terrpor na Revolução Francesa.

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