Professores aos 70 anos: como a Reforma da Previdência vai piorar Santa Maria – por Demetrio Cherobini
“O resultado inevitável: mais cansaço, estresse, adoecimento físico e mental...”

A vida de professor, todos sabem, não é fácil. As dificuldades são conhecidas e constantemente retratadas pela mídia e pelas pesquisas: muito trabalho, pouco reconhecimento, salários defasados, pouco tempo livre, cansaço, estresse, esgotamento, cobranças, assédio, desrespeito, violência física e simbólica.
Agora, imagine uma senhora de 70 anos tentando controlar uma sala de aula com 30 crianças pequenas. Ela anda por todos os lados, faz o que pode, se agita, levanta a voz, tenta abraçar o mundo com as pernas, dá tudo de si – mas em poucos minutos a idade se impõe, o corpo cobra o preço. O trabalho exige demais, ela não dá conta.
Crianças e adolescentes, como se sabe, são naturalmente cheios de energia, curiosos, inquietos. Ainda estão aprendendo a lidar com as emoções e a compreender limites e regras de convivência. Por isso, precisam de adultos em boas condições físicas e mentais – professores com ânimo, vigor e equilíbrio para ensinar e orientar com paciência e sensibilidade.
É fora de qualquer noção de racionalidade ou bom senso administrativo atribuir a uma pessoa de idade avançada a tarefa de educar, por oito horas diárias, salas cheias de crianças e adolescentes a pleno vapor.
No entanto, é exatamente essa situação absurda e desumana que poderá se tornar realidade se for aprovada a Reforma da Previdência que a atual gestão municipal enviou à Câmara de Vereadores.
Se essa proposta passar, os professores de Santa Maria terão que trabalhar mais e por mais tempo – tanto para conseguir se aposentar quanto para tentar compensar a perda de renda provocada pelo aumento da contribuição previdenciária.
Alguns já fizeram o cálculo: precisarão trabalhar até os setenta anos para receber o salário integral. Qual a lógica de exigir mais tempo e mais esforço justamente de quem já se encontra no limite físico e emocional da profissão?
O resultado será inevitável: mais cansaço, estresse, esgotamento, adoecimento físico e mental. Um professor nessas condições vê inevitavelmente a qualidade do seu trabalho decair.
A sala de aula exige atenção constante, energia e afeto – e ninguém consegue oferecer isso plenamente quando está exausto ou adoecido. E vale lembrar: mesmo antes dessa reforma, muitos professores de Santa Maria já estão sobrecarregados. Há profissionais que já trabalham 60 horas semanais para conseguir manter dignamente suas famílias.
A realidade de Santa Maria é um retrato local de um problema nacional: pesquisas mostram que, no Brasil, a docência é uma das profissões que mais causa adoecimento mental, com altos índices de ansiedade, depressão, insônia e exaustão emocional.
A atual gestão municipal, que se elegeu com a propaganda de “soluções brilhantes” para os problemas do município, agora aposta nessa solução cruel e desastrosa, que ignora completamente a realidade dos seus servidores e da educação pública.
Com professores cansados, sobrecarregados, adoecidos e obrigados a trabalhar até a velhice, a população de Santa Maria pode ter uma amarga certeza: a educação municipal vai piorar. E vai piorar muito. E quando a educação piora, toda a cidade perde. A sociedade declina e, lamentavelmente, se degenera.
(*) Demetrio Cherobini, professor da rede municipal de Santa Maria, é licenciado em Educação Especial e bacharel em Ciências Sociais pela UFSM, mestre e doutor em Educação pela UFSC e pós-doutor em Sociologia pela Unicamp.





Reitero. Mais um exemplo de modus operandis falacioso. Além da forma de exposição ser confusa, manipula por completo as possiveis consequências e implicações possíveis do argumento do autor do artigo. Sem sequer precisar entrar no conteúdo, já se observa o caráter “sofismático” do “hater” anônimo.
Resumo da opera. Receita dos vermelhos é não fazer a reforma. Pois bem, então que não se faça. Cruza-se os braços e espera-se os resultados. Simples assim. Os responsáveis não serão esquecidos.
‘[…] Santa Maria pode ter uma amarga certeza: a educação municipal vai piorar. E vai piorar muito.’ Então agora está as mil maravilhas? Provocando inveja no Ceará?
o próprio texto busca contextualizar o “estado da arte” da educação, antes de concluir de forma consistente a perspectiva do cenário futuro. Sugiro que pesquise sobre “falácia do espantalho”, pois seu modo de argumentar é um ótimo exemplo desse tipo.
‘A atual gestão municipal, […]’. Culpa de todas as anteriores. Um rombo bilionario não surge de repente. Problema foi, como de costume, empurrado com a barriga.
‘Alguns já fizeram o cálculo: precisarão trabalhar até os setenta anos para receber o salário integral.’ Alguns quantos?
‘[…] é exatamente essa situação absurda e desumana que poderá se tornar realidade […]’. Hipotetica e mesmo que existisse seria exceção.
‘Agora, imagine uma senhora de 70 anos tentando controlar uma sala de aula com 30 crianças pequenas.’ Curso de pedagogia, salvo engano, permite lecionar até a 5ª serie. Quando ela entrou no curso já sabia disto. Tempo de contribuição deve ser algo como 25 anos. Idade pouco mais de 60.