“Nuremberg” (2025): o julgamento antes do Natal – por Roselâine Casanova Corrêa
O julgamento dos criminosos nazistas: “ninguém sai incólume dessa trama”

O Tribunal de Nuremberg se formou após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), na Alemanha, e foi realizado pelas Forças Aliadas contra o regime nazista de Hittler. Era formado por juízes das Forças Aliadas (Grã-Bretanha, França, URSS e EUA) que interrogaram 22 dos principais criminosos nazistas, nas semanas que antecederam o Natal/1945. Por isso, é também chamado “Julgamento Antes do Natal”.
Nesse tribunal havia figuras de suma importância no regime nazi, sobretudo o braço direito do Führer, Hermann Göring, bem como Albert Speer, ministro do armamento de Hittler. Mas havia outros líderes do regime que não foram alcançados, muitos deles fugidos para os EUA. Adolf Eichmann – um dos principais organizadores do Holocausto – foi pego pelo Mossad na Argentina e teve seu julgamento em Israel, onde foi executado (1962).
“Nuremberg” é baseado no livro “O Nazista e o Psiquiatra” (The Nazi and the Psychiatrist), de Jack El-Hai, a partir de fatos reais. O psiquiatra Douglas Kelley avaliou os líderes nazistas – incluindo Hermann Göring – questionando a sanidade deles. Ou seja, se os mesmos eram portadores de alguma psicopatia ou se tinham consciência absoluta sobre seus atos. Ou, ainda, se “apenas” cumpriam ordens. Mas foi além: se propôs a ser o mediador entre Göring e sua família. Ou seja: avançou demais em suas atribuições como psiquiatra.
Lançado nos EUA em novembro/2025, será lançado nos cinemas no Brasil em fevereiro/2026, mas está disponível no MUBI. Dirigido e roteirizado pelo estadunidense James Vanderbilt, possui no elenco atores experientes e premiados, como Rami Malek (Douglas Kelley), Russell Crowe (Hermann Göring) e Michael Shannon (Robert H. Jackson). Guerra de titãs na escalação? Não! O exato oposto: há, entre os protagonistas uma sintonia que emociona, mesmo que estejam em lados opostos na trama.

Temos um Crowe gigante, como o foi em seu Máximus, de “Gladiador” (2000). Sua presença aqui é de uma intensidade quase constrangedora. Até a última cena. Seu depoimento, brutal. Malek transita entre o horror e a simpatia por seus observados, sobretudo Göring, com quem desenvolve uma relativa amizade.
O longa utiliza cenas reais e históricas dos campos de concentração nazistas. Sobretudo cenas do filme de 52 minutos compilado pelos Aliados, apresentado como prova no julgamento. Aliás, o diretor também utilizou 6 minutos dessas cenas com os atores, para avaliar suas reações.
O resultado, claro, avassalador. Para o psiquiatra, para a multidão presente ao julgamento – incluindo jornalistas dos principais veículos de comunicação do mundo – e, com efeito, para o espectador. Afinal, foram assassinados em torno de seis milhões de judeus pelo regime nazista.
Contudo, outros grupos também foram perseguidos e assassinados em massa pelos nazistas, incluindo ciganos, pessoas com deficiência, prisioneiros de guerra soviéticos, poloneses não-judeus, Testemunhas de Jeová e homossexuais.
O filme, portanto, alia a encenação histórica com flashs do documentário original, em branco & preto, para fins de impacto narrativo e visual e precisão histórica. Ninguém sai incólume dessa trama!

(*) Roselâine Casanova Corrêa é Professora de História. Graduada em História (UFN), com especialização em História do Brasil (UFSM); Museologia (UFN) e mestrado em História (PUC/RS). Foi membro do COMPHIC (2012-2022). Também é, com o jornalista Bebeto Badke, idealizadora do “Projeto Amnésia: descubra Santa Maria”.





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