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O fim do ano chegou. E o que ele nos diz? – por Luís Henrique Kittel

“No fim das contas, a gratidão é o que equilibra o peso do serviço público”

Chega dezembro e, com ele, aquela sensação estranha de que os meses evaporaram. Acontece todo ano, mas parece que 2025 foi especialmente veloz, atropelado por emergências, reconstruções, agendas que exigiram respostas imediatas e uma burocracia que insiste em atrasar aquilo que o povo tem urgência em ver acontecer.

O fim do ano sempre nos provoca a olhar para trás e fazer um balanço, não apenas administrativo, mas humano. E a verdade é que, na gestão pública, o peso não está apenas nos problemas, mas na forma como o sistema é estruturado. É um jogo onde a eficiência nem sempre vence.

Entre um processo, um parecer, uma aprovação, uma portaria, um ajuste de plano de trabalho… às vezes parece que vivemos dentro de um grande labirinto chamado burocracia. E ela, por mais necessária que seja para garantir transparência e responsabilidade, também cansa, desgasta e consome.

Ainda assim, existe um lado que nos salva da exaustão burocrática: as entregas. A obra concluída, a família atendida, a ponte liberada, a água chegando onde antes faltava e, o principal, a comunidade acreditando junto.

É nas entregas, grandes ou pequenas, que encontramos o sentido do esforço que muitas vezes ninguém vê. Porque é fácil enxergar o resultado. Difícil é enxergar o processo. E especialmente quando o fim do ano chega, junto vem aquela pausa silenciosa que nos convida à reflexão. O que fizemos? Como fizemos? Onde podemos melhorar? E para onde queremos ir?

Nessas horas me lembro de uma frase de Tomás de Aquino que carrego comigo: “Senhor, destes-me tantas coisas… dai-me mais uma: um coração grato.” E é exatamente nesse momento, entre a exaustão e a conquista, que a gente entende que, no fim das contas, a gratidão é o que equilibra o peso do serviço público. E não falo apenas da gratidão pelas coisas boas, mas também pela capacidade de resistir às difíceis.

A gratidão, na vida pública, precisa ser um exercício diário. O ano está terminando.
E, apesar de tudo, entregamos muito. Talvez não tudo o que queríamos, porque as engrenagens do Estado não nos permitem milagres, mas tudo o que foi humanamente possível com a determinação diária de quem acredita no poder transformador do serviço público.

Que 2026 venha com menos travas, menos “burocratismo”, mais autonomia e mais humanidade. E que, acima de tudo, mantenhamos esse coração grato que nos permite continuar.

(*) Luís Henrique Kittel, 40 anos, é jornalista formado pela então Unifra, atual UFN). É prefeito reeleito do município de Agudo (o único do PL na região), foi vice-presidente do Consórcio de Desenvolvimento Sustentável da Quarta Colônia e atualmente é vice-presidente da Associação dos Municípios da Região Central (AM Centro). Ele escreve no site às quintas-feiras.

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