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A força do caos: um ano de Trump II – por Leonardo da Rocha Botega

“Não se sabe ainda o que irá nascer. Mas já se sabe o que se está perdendo!”

Sábado, 3 de janeiro de 2026 – Em uma ação rápida, as Forças Armadas do Estados Unidos bombardeiam a capital da Venezuela, Caracas, e sequestram o presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa Cilia Torres. Ambos são levados para serem julgados no Distrito Sul de Nova York onde são acusados de “narcoterrorismo”. O EUA não intervia em uma país latino-americano desde 1989, quando da deposição do presidente panamenho Manuel Noriega, também acusado de “narcotraficante”.

Quarta-feira, 7 de janeiro de 2026 – Em uma das tantas operações de perseguição contra imigrantes realizadas em Minneapolis, no Estado de Minnesota, um agente do U.S. Immigration and Customs Enforcement – ICE (em português Serviço de Imigração e Alfandega dos EUA) executou Renee Nicole Good, cidadã estadunidense. Minutos antes, a poeta e mãe de três filhos havia dito para o mesmo agente “Está tudo bem, cara”. Renee foi acusada de “agitadora profissional” pelo próprio Donald Trump.

Estes dois episódios aconteceram justamente quando o segundo governo de Donald Trump completa seu primeiro ano. Chama atenção em ambos o fato de terem ocorridos a margem tanto do direito internacional, no primeiro caso, quanto da Constituição Estadunidense. Também chama atenção o fato de terem sido firmemente defendidos pelo presidente estadunidense como ações de “garantia da ordem” e dos “interesses da nação”, desdenhando da ilegalidade dos atos.

Que Donald Trump despreza o direito o mundo interior já sabia. Em seu primeiro mandato foram constantes as tentativas de atropelar os arcabouços jurídicos nacional e internacional. A fatídica tentativa de golpe com a Invasão do Capitólio, em 6 de janeiro de 2021, foi o desfecho de quatro anos testando os freios da limitada democracia estadunidense. No primeiro governo Trump esses freios eram significativos. O presidente estadunidense não possuía maioria no Congresso e na Suprema Corte.

Nesse segundo governo, Trump não possui esses freios. O presidente estadunidense não apenas possuí maioria no Congresso e na Suprema Corte, como utiliza o fato de ter sido eleito pela maioria absoluta dos votos (e não somente no Colégio Eleitoral como na sua primeira eleição) para afirmar a legitimidade de suas ações como sendo de interesse do “legitimo povo estadunidense”. Com isso procura respaldar o aparelhamento sem pudor dos órgãos do Estado pelo trumpismo.

Esse trumpismo sem freios no plano interno se projeta no mundo como um destruidor dos freios da ordem internacional. Para o governo Trump não há legitimidade em soberanias nacionais que não estejam de acordo com os interesses das corporações estadunidenses. Independentes de serem inimigos, como a Venezuela ou o Irã, ou aliados, como a Dinamarca, no caso da Groenlândia, todos os países devem de alguma forma se atrelaram a luta contra a queda da hegemonia estadunidense.

Nessa ânsia desenfreada, de olho nos perigos de um possível retorno dos freios nas eleições dos congressistas estadunidenses no final de 2026, Trump acelera a implantação de seu projeto. De forma caótica vai impondo a força como único paradigma possível de ser aceito. Através da força do caos vai procurando moldar um novo-velho país e um novo-velho mundo. Não se sabe ainda o que irá nascer (ou não) dessa (des)ordem trumpista. Mas já se sabe o que se está perdendo! E isso não é bom!

(*) Leonardo da Rocha Botega, que escreve regularmente no site, é formado em História e mestre em Integração Latino-Americana pela UFSM, Doutor em História pela UFRGS e Professor do Colégio Politécnico da UFSM. É também autor do livro “Quando a independência faz a união: Brasil, Argentina e a Questão Cubana (1959-1964).

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12 Comentários

  1. Resumo da opera II. ‘Mas já se sabe o que se está perdendo! E isso não é bom!’ Se os Vermelhos, bunda moles e burocratas estão perdendo então é bom. Se os Vermelhos acham ruim é bom. Simples assim.

  2. Resumo da opera. Tinha umas criaturas que na midia da aldeia falavam que não existiam mais comunistas. Tiravam sarro. Obvio que inutilmente, gente de pouca credibilidade.

  3. ‘[…] Trump acelera a implantação de seu projeto. ‘ ‘Acuse os adversários do que você faz, chame-os do que você é;’ Duvido que Agente Laranja tenha algum tipo de ‘projeto’.

  4. Prefeito de NY é comunista. Escolheu uma secretária de ‘proteção dos inquilinos’. Frases da moça. ‘Por séculos nós tratamos a propriedade como um bem individual e não coletivo…. Estamos numa transição para tratar como um bem coletivo e um modelo de igualdade social’. ‘Propriedade privada é uma arma da supremacia branca’. Falou na necessidade de confiscar propriedade e empobrecer a classe média branca.

  5. O que se ve por la é simples. Agente Laranja foi eleito para deportar ilegais. Os ‘democratas’ resolveram impedir através de qualquer meio necessario que isto aconteça. Porque ‘democracia’ é quando os Vermelhos estão no poder, caso contrário é outra coisa. Existem militantes pagos por ONG’s financiadas por bilionários. Para quem prestou atenção nas imagens que de lá chegam vai notar numa faixa em Minneapolis: ‘Partido pelo Socialismo e Liberação’.

  6. Faltou Alex Pretti, O enfermeiro ‘muito gente boa’ pegou uma pistola e dois carregadores e foi protestar ‘pacificamente’. Good atravessou o carro para trancar o transito. Ele foi a pé mesmo. Quando um policial vai revistar alguém na Ianquelandia, com camara corporal, pergunta se a pessoa está portando armas, drogas e se existe algo que possa espetar a mão dele na revista. Obviamente numa confusão não tem pergunta nenhuma e se acabar numa refrega corpo a corpo e a criatura estiver portando arma estatisticamente ela está morta. Simples assim.

  7. ‘[…] como ações de “garantia da ordem” e dos “interesses da nação”, desdenhando da ilegalidade dos atos.’ A policia municipal de Minneapolis simplesmente faz nada. A estadual idem. Os quebra-quebras não aparecem na midia tradicional. Manifestantes abordando transeuntes que não tem nada a ver com a coisa para verificar se são agentes ou não, seja na rua ou em veiculos, também não aparece. Lobbies de hotel vandalizados porque ‘podem estar hospedando agentes do ICE’ também não aparece. Lembra 2013 aqui, os black-blocks detonando tudo e Tarso, o intelectual, mandando a Brigada só assistir de braço cruzado.

  8. ‘Chama atenção em ambos o fato de terem ocorridos a margem tanto do direito internacional, no primeiro caso, quanto da Constituição Estadunidense.’ Direito internacional sempre foi uma ficção. Constituição Ianque é materia para a Supema Corte Ianque, não para militantes tupiniquins.

  9. ‘Renee foi acusada de “agitadora profissional” pelo próprio Donald Trump.’ A verificar. Porque agitadores profissionais existem. Os black-blocks não deixaram de existir. Além disto bilionários (George Soros, etc. ) financiam ONG’s que pagam manifestantes. Cada um com seu pão com mortadela. A Fundação Ford tem um fundo de 16 bilhões de dolares para ‘reduzir desigualdade e promover a justiça social’. Aparece na contabilidade, dados abertos.

  10. ‘Minutos antes, a poeta e mãe de três filhos […]’. Que pena! E todo traficante no RJ quando é morto vira ‘trabalhador’. Fonte? A familia.

  11. ‘Minutos antes, a poeta e mãe de três filhos havia dito para o mesmo agente “Está tudo bem, cara”.’ Deu a ré numa SUV e avançou em direção a um terceiro agente. Veículo é considerado força letal. Que o agente publico pode repelir com força letal. Detalhe: colocar a mão, não é agredir, um agente de segurança nos EUA dá até 8 anos de prisão e até 500 mil dolares de multa.

  12. Sim, como o Brasil não tem problema nenhum negócio é discutir os problemas ianques e fazer oposição ao Agente Laranja. Mais cortina de fumaça do que isto é dificil.

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