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Muita fé no que vem pela frente – por Valdeci Oliveira

"O que vemos e vivemos é a construção da História, para o bem ou o mal"

Para não fugir das tradições de final de ano, olho para 2025 para ver o que esperar além do mero desejo. Mesmo o “tempo” sendo construído para nos localizar nesse turbilhão que chamamos de vida, pegamos o caminho percorrido nos últimos 12 meses e buscamos nele a indicação do que será a próxima faixa a ser trilhada, com suas variáveis e imprevisibilidades.

À parte os fatalismos que parecem acontecer somente nesta época, a realidade nos força a projetá-los, como se esperar por eles fosse parte da receita. As guerras continuam a produzir suas vítimas do lado mais fraco e os poderosos insistem em dar demonstrações de força para impor seus desejos inconfessáveis, mostrando que não darão trégua. Soberanias continuam sendo violadas com falsas justificativas e, em escala global, a natureza continua sendo ferida, com a vítima, no caso, sendo nós todos.

Sim, no próximo período as disputas políticas se tornarão mais acirradas por aqui por conta do calendário eleitoral, onde uma oposição raivosa, recrudescida pelas derrotas experimentadas por seus próprios atos, permanecerá com sua postura insana de radicalismo, colocando parte desta mesma direita, a liberal e democrática, muitas vezes a reboque, seja por pragmatismo, sobrevivência ou por um naco do poder. Também repetirá estratégias calcadas em fake news, como a mais recente que afirma que transações via pix de mais de 5 mil serão taxadas em 27,5%, com multa de 150% caso o imposto não seja pago em 30 dias.

O que vemos e vivemos é a construção da História, para o bem ou para o mal. E como tudo isso acontece por conta das nossas vontades e escolhas, a esperança sobrevive na possibilidade de que outras escolhas e vontades também possam ser desejadas, elaboradas, por mais difícil que pareçam ser. Consciência, união e esperança, quando andam juntas, não trazem perfeição à vida, mas oferecem a ela inúmeras chances de ser apreciada de forma plena, justa e inclusiva.

Olhando para 2025, vejo que, ao lado de outros homens e mulheres, travamos muitas lutas em favor da coisa pública, para que esta seja de fato universal e de qualidade. Com esse grupo, discutimos em todas as regiões do estado propostas para a efetivação do piso salarial da enfermagem gaúcha, que as compras do governo incluam o que é produzido pela agricultura familiar e para que a duplicação da RSC-287 não se transforme em uma injustiça para com a Região Central. Nos organizamos e conquistamos, a muitas mãos, cinco Institutos Federais e uma universidade. Em 2025, todos os votos que registramos em plenário ou nas comissões foram dados em favor do interesse da maioria da população, pelo aumento do piso regional, em favor do salário dos professores, da escola pública, pelo cumprimento da lei de financiamento dos serviços de saúde e para que a água, esse bem indispensável para a manutenção da vida, seja realmente para todos e não simples objeto de lucro privado.

Olhando para o ano que passou, vejo como foi dura a luta para que milhões de trabalhadores e trabalhadoras ficassem isentos de pagar imposto de renda em troca de uma pequena contribuição de quem ganhava rios de dinheiro e passava ileso da cobrança.

Olhando para 2025, me deparo com uma inflação abaixo do teto da meta e o desemprego em pouco mais de 5%, o menor em 14 anos. Vi o salário-mínimo e as pequenas aposentadorias reajustados com ganho real, o dólar em baixa e as bolsas acumulando os maiores ganhos em 9 anos. Vi também o programa Pé-de-meia apoiando a “mobilidade social” dos jovens, garantindo R$ 200 por mês a estudantes carentes e R$ 1 mil por cada ano concluído. Olhando para 2025, vejo um SUS fortalecido batendo recordes de atendimentos e cirurgias. Em 2025 vi o Brasil sair novamente do Mapa da Fome da ONU.

Olhando para 2025, vi nossa soberania ser defendida por quem deveria fazê-lo. Vi a Democracia ser fortalecida e a Justiça sendo feita apesar das tentativas de impunidade a quem tentou ferir de morte nossas instituições. Vi a proposta de blindagem dos crimes de colarinho branco do meio político ser derrotada por conta da mobilização social.

Olhando para 2025, me faz ter fé no quem vem pela frente, pois ele mostrou que nossas lutas e vitórias são medidas por nossas ações, das nossas propostas, no trabalhar no convencimento e nas articulações que colocam os debates do que realmente interessa à sociedade em praça pública, transparente e participativo.

Para além dos pedidos a 2026, faço um desafio, não a ele, mas a nós: que façamos a nossa parte, individual e coletivamente, e olhemos para o próximo não de forma paternalista, mas humanista. Que participemos da vida política propondo leis justas, fiscalizando e cobrando aqueles que recebem o nosso voto. Que sejamos intolerantes com a intolerância, com o feminicídio e com racismo. Que não aceitemos a exclusão do diferente ou que as oportunidades sejam oferecidas privilegiando um gênero apenas. E que assim, seja aos trancos e barrancos, construamos a cada dia um mundo mais justo, mesmo que demore.

Que venha 2026!

(*) Valdeci Oliveira, que escreve sempre as sextas-feiras, é deputado estadual pelo PT e foi vereador, deputado federal e prefeito de Santa Maria.

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Um Comentário

  1. ‘Olhando para o ano que passou, vejo como foi dura a luta para que milhões de trabalhadores e trabalhadoras […]’. Por isto gostam tanto do poder, para ficar assistindo e fazendo reunioes tosa de porco.

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