Seja bem-vindo, Brad Pitt – por Guilherme Bicca

Antes de mais nada quero pedir desculpas. Por mera confusão de agenda, me ausentei de minhas responsabilidades com este espaço na última semana. Mas a visita inesperada de meu amigo Brad Pitt acabou bagunçando um pouco minha rotina, ainda mais pós feriado de réveillon.
Quem é da região, sabe do que estou falando: esta semana, uma senhora relatou a dois policiais, com absoluta convicção, que mantinha conversas românticas com Brad Pitt. Além disso, havia também um encontro marcado entre eles. O ator desembarcaria no Brasil para vê-la.
Ela esperou horas no aeroporto. Brad não veio. E o caso foi parar na polícia.
Até aqui, temos uma história, no mínimo, delicada e que pede empatia para/com uma pessoa aparentemente em situação de confusão emocional. Seja por golpe, seja por fantasia, seja por algo ainda não esclarecido.
O que é um prato cheio para falar sobre os perigos de golpes com a difusão da Inteligência Artificial generativa de imagens e vídeos. E eu até poderia falar nisso.
Mas a internet (brasileira), como sempre, fez o que sabe fazer de melhor: transformou o caso no mais puro suco de memes e entretenimento.
Em poucos dias, surgiram dezenas de imagens geradas por IA com Brad Pitt tomando chimarrão, passeando pela cidade, e visitando alguns moradores da região. Até aí, tudo mais ou menos dentro do esperado.
O problema é que algumas empresas decidiram entrar na brincadeira.
Brad Pitt virou “cliente”, e “garoto-propaganda”, de alguns estabelecimentos locais. Apareceu comprando carro, visitando lojas, posando ao lado de produtos. Tudo feito com IA, na base da “zoeira”, e supostamente inofensivo.
Só que não.
Do ponto de vista jurídico, o uso da imagem de uma pessoa (famosa ou não) sem autorização é um campo minado. E o fato dela ser “gerada por IA” não absolve, ou cria um passe livre legal, muito menos ético.
“Ah, mas é óbvio que não é ele.” Juridicamente, isso importa pouco.
A chance de Brad Pitt, pessoalmente, se incomodar com uma piada feita no interior do Rio Grande do Sul é pequena? É, sim. Mas não é zero.
Agora imagine uma publicação dessas feita por um comércio local, mas que opera sob o guarda-chuva de grandes marcas, de multinacionais, como concessionárias do setor automobilístico ou franquias? A coisa pode mudar de figura.
E se você acha que nenhuma empresa desse tipo faria algo assim, pense (e olhe) melhor.
Além do aspecto legal, há o ético: tudo começa com o caso de uma pessoa vulnerável, possivelmente vítima de golpe ou em sofrimento psíquico. E transformar isso em campanha publicitária disfarçada de meme diz mais sobre a empresa do que sobre a internet.
E aqui entra um ponto que o marketing insiste em ignorar: nem toda onda deve ser surfada por empresas.
O que funciona como humor orgânico entre pessoas físicas nem sempre é apropriado para marcas. Muitas vezes soa como uma busca barata por alcance. Um alcance inofensivo do ponto de vista de conversão em vendas.
Branding não é estar em todo lugar. É saber onde deve ou não estar.
Seja bem-vindo, Brad Pitt, à internet habitada por empresas pós popularização da Inteligência Artificial.
(*) Guilherme Bicca é jornalista graduado na Universidade Franciscana (UFN) desde 2008. Nesses anos, especializou-se em assessoria de comunicação integrada, quando realizou trabalhos junto a instituições como Sociedade de Medicina; Apusm; Sindilojas; e, mais recentemente, CDL Santa Maria. Está à frente da comunicação de entidades como Adesm e Secovi Centro Gaúcho; presta assessoria especializada ao Fidem Bank; é redator sênior na Jusfy, legaltech eleita a startup mais escalável do último South Summit. Também é um dos âncoras do Semanário, programa veiculado aqui mesmo em claudemirpereira.com.br; e criador do podcast Bocas do Monte, da TV Santa Maria. Guilherme Bicca escreve às sextas-feiras no site.





Resumo da opera. Total zero. Só para matar tempo.
‘[…] tudo começa com o caso de uma pessoa vulnerável, possivelmente vítima de golpe ou em sofrimento psíquico.’ Diagnostico a distancia sem ter formação e, ideologicamente, vitimização.
‘Além do aspecto legal, há o ético: […]’. Kuakuakuakuakua! Etica de quem cara-palida? Esta é daquelas, acham que para fazer as coisas na vida é primeiro necessario consultar um ‘manual’.
‘A chance de Brad Pitt, pessoalmente, se incomodar com uma piada feita no interior do Rio Grande do Sul é pequena? É, sim.’ E com o uso da imagem? Idem. Porque ele não sabe nem qual empresa de IA foi utilizada para gerar as imagens. E o dinheiro esta na empresa de IA. Além disto ele também ganha indiretamente (exceção foi colocarem uma camisa do Internacional). Associa a propria imagem a marcas conhecidas nas bibocas.
‘Do ponto de vista jurídico, o uso da imagem de uma pessoa (famosa ou não) sem autorização é um campo minado.’ Jornalismo é um curso diferente do direito. Mundo real. No RS, cidades médias, não é muito comum. Brasil afora é. Registro na Junta Comercial do nome de uma empresa, geralmente pequenos restaurantes, lancherias e ‘casas de entretenimento’ é um. Na fachada do estabelecimento é outro. Nada a ver com nome fantasia. Exemplo mais a mão. Indo para POA. Ao inves de pegar a Tabai seguir na estrada que vai a Montenegro. Saindo desta cidade e indo para Portão existia/existe o ‘Dado’s Beer’. Simbolo? Um dado. Parece que mudou para Dados Club (aparentemente é um local para reunir mulheres empoderadas com agentes do patriarcado). Até o dono da marca ficar sabendo e o processo correr já se pagou. Já juntou ‘clientela’.
Outra cascata corriqueira. ‘A imprensa internacional está repercutindo’. O Red Saint Mary’s Daily do interior de Zambia é ‘imprensa internacional’.
O caso é tratado como se fosse uma exclusividade brasileira. Cai na vala ‘melhor do mundo’, ‘melhor da America Latina’, ‘melhor do Brasil’. Quando alguém menciona estes tres é certo que está mentindo. Agosto de 2025. Mulher francesa caiu no conto do Brad Pitt. Perdeu 850 mil euros. Fevereiro de 2025. Isca ator neozelandes Martin Henderson. Vitima viajou para o pais e perdeu 375 mil dolares. Não é dificil encontrar outros exemplos. Keanu Reeves é bastante popular nestes golpes também.
Tomando a historia pelo valor de face. Porque os fatos ser perderam no meio das versões e tudo se resumiu numa frase ‘mulher de meia idade espera Brad Pitt para casar em aeroporto de Erechim’. Alas, por isto não se deve condenar as poucas criaturas que caem no conto do bilhete premiado, a primeira coisa que é dita: ‘ganancia!’. Nunca é tão simples assim.