Artigos

Trabalhismo – vivo – por Marionaldo Ferreira

Há um equívoco recorrente — e profundamente nocivo — entre aqueles que tentam transformar o trabalhismo em abrigo para disputas pessoais, ressentimentos internos e pequenas guerras partidárias. Esse erro não é apenas conceitual; é político, histórico e moral.

O trabalhismo defendido por Alberto Pasqualini, Leonel Brizola, João Goulart, entre tantos outros, nunca foi um espaço de acomodação de vaidades. Sempre foi um projeto de país, ancorado na justiça social, no desenvolvimento nacional, na soberania e na centralidade do trabalho como valor estruturante da sociedade.

Reduzir o trabalhismo a uma identidade partidária rígida ou a um escudo para diferenças internas é trair sua essência. O trabalhismo é uma corrente política viva, atual e absolutamente necessária em um mundo marcado pela precarização do trabalho, pela financeirização da vida e pelo enfraquecimento do Estado como indutor do desenvolvimento.

Alguns parecem esquecer — ou fingem esquecer — que é o trabalhismo de Brizola que se insere no campo da Internacional Socialista. Isso não é detalhe histórico: é posicionamento ideológico claro. O trabalhismo brasileiro dialoga com a social-democracia, com o socialismo democrático e com experiências internacionais que colocam o ser humano acima do mercado e o trabalho acima da especulação.

O verdadeiro desafio do presente não é disputar quem é “mais puro”, “mais fiel” ou “mais autêntico”. O desafio é produzir ação política concreta. É transformar ideias em políticas públicas, princípios em resultados, discurso em melhoria real na vida das pessoas.

Trabalhismo que não chega ao cotidiano — no emprego, na renda, na educação, na saúde, na dignidade — vira peça de museu. E o trabalhismo nunca foi passado. Ele é, ou deveria ser, ferramenta de transformação do agora.

Compreender o trabalhismo é entender que ele exige unidade estratégica, leitura da realidade e compromisso com resultados. O resto é ruído interno que só interessa a quem prefere o conforto da disputa pequena à responsabilidade de mudar a vida do povo.

(*) Marionaldo Ferreira é especialista em governança pública, mentor de líderes e consultor em gestão e captação de recursos para municípios. Atua na formação de servidores e agentes públicos e é autor do livro Governança Pública e Suas Possibilidades.

Artigos relacionados

ATENÇÃO


1) Sua opinião é importante. Opine! Mas, atenção: respeite as opiniões dos outros, quaisquer que sejam.

2) Fique no tema proposto pelo post, e argumente em torno dele.

3) Ofensas são terminantemente proibidas. Inclusive em relação aos autores do texto comentado, o que inclui o editor.

4) Não se utilize de letras maiúsculas (CAIXA ALTA). No mundo virtual, isso é grito. E grito não é argumento. Nunca.

5) Não esqueça: você tem responsabilidade legal pelo que escrever. Mesmo anônimo (o que o editor aceita), seu IP é identificado. E, portanto, uma ordem JUDICIAL pode obrigar o editor a divulgá-lo. Assim, comentários considerados inadequados serão vetados.


OBSERVAÇÃO FINAL:


A CP & S Comunicações Ltda é a proprietária do site. É uma empresa privada. Não é, portanto, concessão pública e, assim, tem direito legal e absoluto para aceitar ou rejeitar comentários.

13 Comentários

  1. Resumo da opera. Receitas do século passado que não deram certo e têm pouca aplicabilidade no mundo atual. Simples assim. Coisa de uma velharada anacronica. Simples assim.

  2. A mais engraçada: o lider do trabalhismo brasileiro é Carlos Lupi! Kuakuakuakuakuakua! Ungido por Itagiba! Kuakuakuakuakuakua!

  3. Itagiba foi um dos organizadores da Ala Moça do PTB. Tinha 22 ou 23 anos. Presidente da Juventude Socialista do PDT no RS tem seus 33 ou 34 anos.

  4. Ianquelandia. Mamdami antes de ser eleito pregou boicote ao Starbucks. Depois de eleito continuou. Noutros lugares também havia greve. Problema é que algumas lojas ‘subsidiavam’ outras de menor faturamento. Já havia plano de reduzir o numero. Empresa fechou 42 lojas em NY (12% das lojas da cidade). Mais 20 em Los Angeles. E 15 em Chicago. Total no pais: 400 lojas fechadas. Quase duas mil pessoas sem emprego.

  5. Ianquelandia. Republica Democratica Socialista da California. Atores e escritores entraram em greve sob auspicios dos respectivos sindicatos. Muito dificil conseguir emprego por lá agora. Sindicato dos escritores que cobre algumas despesas de desempregados está com deficit e estudam fazer nova greve para resolver o déficit.

  6. ‘ E o trabalhismo nunca foi passado. Ele é, ou deveria ser, ferramenta de transformação do agora.’ Ideologia surgiu como meio termo entre capitalismo e comunismo no rastro das revoluções industriais. Comunismo acabou, virou ditadura e a economia virou distribuição de miséria. Trabalhismo perdeu a razão de ser.

  7. ‘[…] com o socialismo democrático e com experiências internacionais que colocam o ser humano acima do mercado e o trabalho acima da especulação.’ Socialismo democratico geralmente é mais socialismo do que democratico, resvala facil para o autoritarismo. Ser humano (parente do ‘ariano’), mercado (um bando de velhinhos endinheirados que se reune para projetar o mal do mundo) e o trabalho defendido por quem não trabalha. Afinal, se é esquerda tem que ter Nomenklatura.

  8. Modelo foi copiado. JK. Milicos (queimaram o nacionalismo por conta deles). Dilma, a humilde e capaz. Deu errado toda vez. Alas, Dilma, a humilde e capaz, foi fundadora do PDT. Ficaram brigando por conta da sigla, um ‘simbolo’. PT foi lá e pegou parte do programa. Anos depois encampou o resto. PT encampou o progama dos tucanos também.

  9. Bom lembrar que a CLT foi inspirada na Carta del Lavoro, legislação patrocinada por Mussolini e aprovada no Grande Conselho do Fascismo. Mussolini que era jornalista, fez parte do movimento socialista italiano (foi membro do partido socialista) e era contra a democracia liberal e capitalismo. Mais coisas em comum com o trabalhismo tupiniquim? Nacionalismo, desenvolvimentismo e intervenção estatal.

  10. Brizola foi criador dos Grupos dos Onze em 1963. Criou o ‘Movimento Nacional Revolucionário’ depois de 64. Tentou emplacar guerrilha em Tres Passos e na Serra de Caparaó em MG. Flávio Tavares acompanhou o inicio do exilio no Uruguai e um dos pontos altos foi a confecção de listas que iriam ser mandadas para o paredão. Alas, em 61 Itagiba se encontrou com Che Guevara também no Uruguai. E Caparaó foi inspirada pela Serra Maestra. Tudo muito ‘democrático’.

  11. ‘[…] que é o trabalhismo de Brizola que se insere no campo da Internacional Socialista.’ O ‘socialismo moreno’ de Itagiba. ‘Encamparam’ o lenço vermelho dos Maragatos. O pai dele foi morto pelos Chimangos.

  12. Morto o grande lider, pé de eucalipto, surge o conflito pelo espólio. Jango era um puxa-saco que acompanhou Gege na epoca do ‘exilio’ em São Borja. Brizola era cunhado de Jango. A ‘narrativa’ é tão furada que não cita Fernando Ferrari. Ou Pedro Simon que era cria de Alberto Pasqualini e foi membro da Ala Moça do PTB.

  13. Diferença entre teoria e prática. Trabalhismo surge com o personalismo de Vargas, populismo e ‘outorgas’. Um ‘presente’ é dado através do Estado pelo ‘grande líder’. Quem recebe deve fidelidade e tem que ter gratidão. Vide microaumento do piso dos professores noutro dia.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo