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Cidade inteligente só com gestores inteligentes – por Marionaldo Ferreira

Pois então: “não basta inaugurar obras - é preciso facilitar a vida cotidiana”

A gestão municipal ainda trata a tecnologia como luxo, quando ela já deveria ser ferramenta básica de governo.

Enquanto bancos, clínicas particulares e até pequenos comércios resolvem tudo pelo celular, o cidadão continua perdendo horas em filas para marcar uma consulta ou buscar um medicamento. Isso não é falta de recurso. É falta de visão.

Hoje, é perfeitamente possível – e relativamente barato – implantar sistemas simples de agendamento digital no Sistema Único de Saúde:

Agendar consultas pelo celular ou computador, como já fazemos em consultórios particulares.

Receber confirmação por WhatsApp ou SMS.

Escolher dia e horário disponíveis, evitando filas madrugadas adentro.

Reagendar com poucos cliques, liberando vagas automaticamente para outras pessoas.

O mesmo vale para medicamentos:

Cadastro do paciente na farmácia pública.

Aviso quando o remédio estiver disponível.

Agendamento de horário para retirada, evitando aglomerações.

Histórico digital de entregas, reduzindo desperdício e aumentando controle.

Conversei recentemente com um médico sobre isso. A resposta foi imediata: “Seria muito bom para todos.”

Bom para o paciente, que ganha dignidade.

Bom para o profissional de saúde, que organiza melhor sua agenda.

Bom para o sistema, que reduz faltas, filas e retrabalho.

Ou seja: é eficiência pública básica.

Mas parte das gestões municipais ainda opera com mentalidade do século passado. Governam com papel, carimbo e balcão – quando poderiam governar com dados, aplicativos e respeito ao tempo das pessoas.

Tecnologia não substitui médicos, enfermeiros ou atendentes.

Tecnologia liberta esses profissionais da burocracia para que façam o que realmente importa: cuidar de gente.

Quem administra uma cidade precisa entender uma coisa simples:

não basta inaugurar obras – é preciso facilitar a vida cotidiana.

Gestão moderna é aquela que coloca o cidadão no centro, usa tecnologia com inteligência e trata o tempo das pessoas como algo valioso.

O resto é atraso disfarçado de rotina.

(*) Marionaldo Ferreira é especialista em governança pública, mentor de líderes e consultor em gestão e captação de recursos para municípios. Atua na formação de servidores e agentes públicos e é autor do livro Governança Pública e Suas Possibilidades.

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5 Comentários

  1. Resumo da opera. Gestão começa com o diagnostico do problema. In loco. É entender onde aperta o sapato. Qual o problema da aldeia? Pessoal, nãos se sabe por que cargas d’agua, acredita que o ‘conhecimento’ só vem através dos livros. Sem saber bem do que se trata o problema, quais os aspectos culturais, gargalos, falhas, já partem direto para a solução para coisas imaginadas no ar condicionado. Se implantada gera um custo, pode ou não resolver alguma coisa. Se não resolver vira ‘desculpa’: ‘nós já disponibilizamos um aplicativo’. E a baboseira que acompanha, ‘inovação’, etc. Jogar problemas para dentro de um computador geralmente só cria novos problemas.

  2. ‘[…] quando poderiam governar com dados, aplicativos e respeito ao tempo das pessoas.’ Uma parcela grande da população não consegue usar aplicativos com facilidade. Algumas ‘repartiçoes’ diminuiram bastante o numero de ‘atendentes’. Receita por exemplo. Dependendo dos envolvidos querem ‘empurrar’ aplicativo. Percepção? ‘servidor publico não quer trabalhar’.

  3. ‘Mas parte das gestões municipais ainda opera com mentalidade do século passado. Governam com papel, carimbo e balcão […]’. De onde sai muito da imagem do ‘servidor publico não trabalha’. Alas, agencia do BB da urb tem um biombo para os caixas não serem observados. Em supermercados o empacotador bate papo com o/a caixa. Quem olha de fora pensa ‘ao inves de trabalhar esta batendo papo’. O que bate na produtividade.

  4. ‘Agendamento de horário para retirada, evitando aglomerações.’ Agendamento no Brasil é coisa da Globo. Unica coisa que garante é um intervalo de horario onde vai acontecer o atendimento. Até em consultorios particulares ocorrem atrasos, atendimento pela ordem de chegada, etc.

  5. ‘Hoje, é perfeitamente possível – e relativamente barato – implantar sistemas simples […]’. Afirmação sem base. Alas, o Datasus tem orçamento ‘encolhendo’ há anos.

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