ENEM – por Orlando Fonseca
“Ferramenta poderosa para diminuir as assimetrias socioculturais”

Duas notícias – positivas – chamaram a atenção de leitores preocupados com a educação no país. Dois candidatos ao ingresso no Ensino Superior pelo ENEM, oriundos de escolas públicas, foram aprovados para cursos de medicina. Em um jornal local, a manchete da capa chamava para a matéria de um estudante da EE Tancredo Neves, o qual dividia os estudos com o trabalho, foi classificado para o curso na UFSM.
O outro aluno, de Salvador, filho de uma doméstica e um pedreiro, ficou em primeiro lugar na seleção para medicina na USP, a universidade paulista de maior projeção no país. Também na semana passada, questionamentos sobre “possível” mudança nos critérios de avaliação da redação do ENEM trouxeram repercussões negativas sobre o exame nacional.
É de se celebrar a conquista de filhos de trabalhadores, com as condições adversas que todos conhecemos, não apenas pelas carências das instituições, mas levando em conta o tempo a dedicar para estudos, a necessidade de se servir de serviços de transporte, de sinal precário de internet, difícil acesso a material didático e livros. Ainda haverá uma longa trajetória de privações e superações para acompanhar as exigências do curso.
No entanto, como se pode perceber pelos casos excepcionais, o ENEM comporta um aspecto fundamental para as transformações sociais que almejamos: é democrático. Aliado a políticas de inclusão e de ações afirmativas, é uma ferramenta poderosa para diminuir as assimetrias socioculturais que ainda vemos em nosso amado Brasil.
Por outro lado, é de se considerar as repetidas investidas de grupos contra o exame nacional. De tempos em tempos se arranja uma queixa para colocar a lisura do concurso em questão. No caso das redações, o INEP que é uma instituição séria, segue protocolos rígidos de processos seletivos, e tem cumprido à risca a determinação básica da isonomia: qualquer mudança deve constar um edital. O que não é o caso, pois não houve mudança alguma nas avaliações de redação.
Em um universo de 4.800.000 (quatro milhões e oitocentos mil candidatos), aparece um descontente com a nota, e a mídia recorre a mais dois ou três para sacramentar a condenação. Uma ex-revisora, que não quis mostrar o rosto e teve a voz alterada, em um grupo de mais de 5 mil avaliadores por todo o país, faz uma afirmação temerária, que é tomada como se fosse de especialista. Ora, tenham a santa paciência!
O exame aplicado por instituição ligada ao INEP segue um método de avaliação. Cada prova passa por dois avaliadores; havendo uma discrepância na nota, a prova segue para um terceiro avaliador. Persistindo a discrepância, uma banca dá o veredito, finalizando o impasse.
De minha parte, a menos que surjam maiores considerações sobre falta de observância aos critérios, atribuo as falácias sobre a prova de redação desta edição ao desconhecimento do processo e à perda de privilégios da elite. Em qualquer situação, a ignorância seletiva ou a má-fé podem levar a considerações absurdas, e disso as redes sociais estão repletas.
De minha experiência como educador (mais de quatro décadas de magistério) posso afirmar que o ENEM é o mecanismo capaz de fazer uma efetiva mudança na educação, ou mais efetiva que os vestibulares. Os concursos, de um modo geral, retroagem sobre os programas e procedimentos no Ensino Médio. As escolas tendem a preparar os alunos para as provas, não para a continuidade de aperfeiçoamento educacional, nem na formação de cidadãos.
Infelizmente isso decorre de uma situação inescapável: a realidade é que não há universidades para todos (só o ensino básico tem vagas para todos). O Brasil ainda não alcançou a meta (UNESCO) de ter 33% dos jovens entre 18 e 24 anos na universidade, no ensino superior. Enquanto o maior número de vagas no Básico está na escola pública (mais de 80%), no Superior se inverte, e apenas 20% de vagas são públicas. Mesmo reunindo as instituições privadas ou comunitárias, não há cadeira e sala pra todo mundo, por isso a necessidade de processos seletivos.
Mas diante do que se avizinha para um futuro tecnológico, com IA, robótica, a escola está preparada para preparar alunos? Experiências que não dão resposta adequada: escolas sem partido, escolas cívico-militar, retirada da reflexão filosófica, falta de discussões a respeito de relacionamentos, da sexualidade; falta de interação entre famílias e escolas; fora da escola os alunos pouco leem. Tenho para mim que o ENEM deveria pautar o ensino médio, inclusive induzindo a visão deste mundo novo que se avizinha. Trata-se de um programa bem-sucedido, que só os que têm uma visão exclusivista não enxergam.
(*) Orlando Fonseca é professor titular da UFSM – aposentado, Doutor em Teoria da Literatura e Mestre em Literatura Brasileira. Foi Secretário de Cultura na Prefeitura de Santa Maria e Pró-Reitor de Graduação da UFSM. Escritor, tem vários livros publicados e prêmios literários, entre eles o Adolfo Aizen, da União Brasileira de Escritores, pela novela “Da noite para o dia”.





Resumo da opera II. É só cruzar os braços e esperar. Vermelhos são um problema que se resolve sozinho.
Resumo da opera. Programa tão bem sucedido que até a UFSM voltou atrás. Um canetaço de Burmann aliado com o DCE. Brasil não é uniforme, logo um exame centralizado não se justifica. Educação, diz a propaganda, é muito melhor no Ceará. Vão fazer a mesma prova que os gaúchos?
‘[…] inclusive induzindo a visão deste mundo novo que se avizinha.’ Um bando de burocratas num pais atrasado vai usar a bola de cristal para falar sobre o ‘mundo novo’? Ou é mais comunistice? ‘Transformações sociais’ que nunca irão ocorrer, alucinação de Vermelhos Velhos?
‘Trata-se de um programa bem-sucedido, que só os que têm uma visão exclusivista não enxergam.’ Desqualificação, falta de argumento. Só o ‘povo escolhido’ sabe da ‘verdade’.
‘Tenho para mim que o ENEM deveria pautar o ensino médio, inclusive induzindo a visão deste mundo novo que se avizinha.’ Brasil é um pais grande. Por isto no papel é uma federação. Para acomodar as diferenças e realidade regionais. ENEM foi uma centralização com base na burocracia sovietica. Identica, com os mesmos argumentos. La da gestão sabe-se bem qual os problemas da centralização, paralisias, demoras, fluxo lento e errado de informações, concentra-se as fontes de problemas, qualquer problema tem repercussão enorme. Ideologia é religião, não é racional.
‘[…] fora da escola os alunos pouco leem.’ Também não é ‘experiencia que não funciona’. Um fator para piorar, já é dificil que os alunos leiam alguma coisa e egos gigantescos querem empurrar a ‘produção local’. Ao invés de leitura de algo consolidado empurram a sub-mediocridade. ‘Existem muitos autores bons em SM, sou autor e moro em SM, logo….’. ‘Meu amigo fulano é um autor incrivel, fantastico, extraordinario, todos os amigos dele concordam’.
‘[…] falta de interação entre famílias e escolas; […]’. Inclusive em escolas particulares. Não é uma ‘experiencia’, Reunião de pais na escola lembra reunião de condominio. Geralmente fica para a mãe. Se aparecer alguém.
‘[…] retirada da reflexão filosófica, falta de discussões a respeito de relacionamentos, da sexualidade; […]’. Pessoal já sai sem saber portugues e matematica. Biologia (inclusive com aparelho reprodutor) e quimica. Querem transformar as escolas em DCE’s. ‘Discussões’ é um nome bonito para doutrinação. Jenios acham que são ‘espertos’.
‘Experiências que não dão resposta adequada: escolas sem partido, escolas cívico-militar, […]’. Conteudo pedagogico, ao contrario da propaganda, não é alterado. Foco na displina. Se funciona não sei.
‘[…] a escola está preparada para preparar alunos?’. Mesmo sem ‘futuro tecnológico’ não prepara. ENEM é uma piada. Inventaram um monstrengo chamado ‘interdisciplinaridade’, uma questão com mais de um assunto e superficial em todos. Enfeitaram com palavras ‘bonitas’. ‘Linguagens, codigos e suas tecnologias’. ‘Ciencias humanas e suas tecnologias’. Nesta hora algum analfabeto-funcional com diploma de doutor vai largar um ‘é um ignorante, tenho uma pilha de textos para “justificar”‘.
‘O Brasil ainda não alcançou a meta (UNESCO) de ter 33% dos jovens entre 18 e 24 anos na universidade, no ensino superior.’ Coisas de burocrata. Distribui-se diplomas com curso de formação deficiente e a estatistica é satisfeita. Há mais de uma decada atras a PM começou a exigir curso superior para o concurso de praça. Escandalo foi o uso de diploma falso por 120 PMs e Bombeiros. Formação em curso de teologia a distancia.
‘De minha experiência como educador (mais de quatro décadas de magistério) posso afirmar que o ENEM é o mecanismo capaz de fazer uma efetiva mudança na educação, ou mais efetiva que os vestibulares.’ Kuakuakuakuakuakuakuakuakua! “La garantía soy yo”! Kuakuakuakuakuakua!
‘Em qualquer situação, a ignorância seletiva ou a má-fé podem levar a considerações absurdas, e disso as redes sociais estão repletas.’ Portal G1 da Bobo é rede social? Folha? Vai aplicar a ‘perseguição politica’?
‘[…] ao desconhecimento do processo e à perda de privilégios da elite’. Tradicional falta de argumentos e uso de desqualificação. Alas, uma ‘elite’ indeterminada. Culpa é sempre dos outros.
‘[…] aparece um descontente com a nota, e a mídia recorre a mais dois ou três para sacramentar a condenação.’ Não é só um descontente. Gente que nunca tirou menos de 900 tirando pouco mais de 700 na redação. Vazaram documentos. internos
‘Por outro lado, é de se considerar as repetidas investidas de grupos contra o exame nacional. De tempos em tempos se arranja uma queixa para colocar a lisura do concurso em questão.’ Em 2025 tres questões anuladas por suspeita de vazamento. Na epoca do Taxad vazamento em 2011, falhas de impressão em 2010, tentativa de furto em 2009. Roubo de gabaritos em 2014. Instabilidade nas notas, 2019 e 2025. A culpa é sempre dos outros.
Qual o diferença do aluno medio de escola particular? Um ou dois idiomas num nivel razoavel, networking, já viajou para outros lugares, etc. Nesta hora o Vermelho médio grita ‘privilégio’! Como se todo mundo fosse bisneto de Barão! Quando muitas vezes o avo e a avó foram colonos. Alas, acham que ascensão social viesse só pelo diploma de ensino superior, mentalidade de classe média. José Alencar, vamos utilizar como exemplo alguém que trabalhou, dizem que tinha a quarta série, mas montou a primeira empresa com 18 anos.
‘[…] o ENEM comporta um aspecto fundamental para as transformações sociais que almejamos: é democrático. Aliado a políticas de inclusão e de ações afirmativas, é uma ferramenta poderosa para diminuir as assimetrias socioculturais que ainda vemos em nosso amado Brasil.’ Vermelhos e o religioso dogma da ‘igualdade’ enfeitado com muitas palavras ‘bonitas’. Só que não. Entraram por cotas? Tem deficiências, não aprenderam o que tinham que ter aprendido, não desenvolveram o que teriam que ter desenvolvido. Mesmo problema da escola particular, no PISA os melhores alunos (e alunas) tupiniquins ficam no mesmo nivel que os médios dos paises desenvolvidos.
Mercado de trabalho para medicina já não é o de décadas atrás. Proliferação de faculdades, concentração de profissionais nas grandes cidades, valor e numero dos plantões, o que da renda para recem formados e até mais antigos, diminuiu. Não tem como aumentar o numero de vagas em residencias sem diminuir a qualidade. Alas, em algumas especialidades, como pediatria, sobram vagas. Bastante complexo.
‘Ainda haverá uma longa trajetória de privações e superações para acompanhar as exigências do curso.’ Há que terminar o curso é verdade. Vermelhos tem ojeriza ao pessoal da medicina. Burguesia, status social, etc. ‘Ganham demais’. Governo Rato Rouco II. 2010. Paralisação nacional dos residentes reivindicando correção no valor das bolsas. ‘Médico é mecanico de gente’.
USP tem cotas também. Não invariavelmente as cotas para medicina não são preenchidas, pessoal não atinge o ponto de corte. Detalhe muito importante. Por coincidência uma baiana, Anna Laura Baptista, tirou primeiro lugar no vestibular de medicina da USP. Só que oriunda de colegio particular, o Colegio São Paulo (mensalidade perto de 3 mil). Foi aprovada em outras duas escolas de medicina. Pessoal afeito a mentira andou ‘mesclando’ as duas noticias por ai.
‘[…] preocupados com a educação no país. […] Dois candidatos ao ingresso no Ensino Superior pelo ENEM, oriundos de escolas públicas, foram aprovados para cursos de medicina.’ A educação no pais está salva! Lembrando que a instituição destina uma quantidade de vagas para o SISU e dentro destas existem cotas para quem cursou o ensino medio em escola publica. Cotas que dependem da renda familiar e que independem da renda familiar.
Para começo de conversa, ENEM é prova de autoavaliação. Desempenho dos estudantes do pais em provas como o PISA despencaram nas ultimas décadas apesar de todo o ‘investimento’. Matemática, ciências e idioma do proprio pais. Pergunta que não quer calar: educação no pais está muito longe do que deveria ser, responsabilidade de quem? Dos discentes?