Manifesto de nojo e cansaço – por Marionaldo Ferreira
“Um lado não vive sem o outro. São adversários de discurso e sócios de palco”

Está muito chato. Está vergonhoso. Está cansativo.
Para quem é brasileiro de verdade – daqueles que acordam às quatro da manhã, tomam um café ralo, enfrentam ônibus lotado e trabalham dois turnos para pagar boletos que nunca acabam -, assistir às intermináveis brigas da política virou um espetáculo deprimente.
Um lado não vive sem o outro. São adversários de discurso e sócios de palco. Brigam como se fossem inimigos históricos, mas dependem um do outro para sobreviver. Se um desaparece, o outro perde o sentido. Às vezes dá vontade de perguntar: por que não vão morar juntos logo? Assumam a convivência forçada e nos poupem dessa novela repetida.
São debates que não constroem pontes, não abrem empresas, não geram empregos, não reduzem a fila do hospital, não melhoram a escola pública. São conflitos que alimentam manchetes, inflamam redes sociais e garantem minutos de televisão – mas não enchem a panela de ninguém.
Enquanto isso, o povo segue madrugando.
O povo que trabalha não tem tempo para guerra ideológica. A única briga que enfrenta é contra a inflação no supermercado. Contra o aluguel que sobe. Contra o medo de voltar para casa e encontrar um assaltante disposto a roubar o pouco que se tem. Contra a humilhação de pagar impostos altos e receber serviços baixos.
E o que recebe em troca? Discurso.
É impossível não desconfiar: será que essa briga permanente não é conveniente? Será que o conflito não virou estratégia de sobrevivência política? Porque enquanto discutem narrativas, ninguém discute eficiência. Enquanto trocam acusações, ninguém abre as contas. Enquanto apontam o dedo, escondem as mãos.
Por que não abrir tudo? De um lado e de outro. Sem seletividade. Sem blindagem. Transparência total. Quem não deve, não teme – dizem. Então que não temam.
O Brasil precisa de um choque de cidadania. Não de mais um salvador da pátria. Não de mais um herói de palanque. Precisa de cidadãos conscientes, exigentes, presentes. Precisa de gente ocupando espaços, fiscalizando, cobrando, participando. Gritando – não com violência, mas com firmeza – que este chão tem dono.
E não é potência estrangeira nenhuma.
Não é ideologia importada.
Não é projeto pessoal de poder.
Este chão é dos brasileiros que querem produzir.
Dos que querem empreender sem amarras.
Dos que querem trabalhar sem medo.
Dos que querem viver sem serem usados como plateia de briga alheia.
Chega de espetáculo.
Chega de polarização vazia.
Chega de guerra que só empobrece quem já tem pouco.
O Brasil real não cabe nessa disputa infantil.
E talvez o primeiro passo seja admitir: estamos cansados.
Cansados de assistir.
Cansados de ouvir.
Cansados de pagar a conta.
Que a energia gasta em brigas seja transformada em trabalho.
Que o barulho dos ataques vire som de construção.
Que a política volte a ser instrumento — e não palco.
Porque o povo já está de saco cheio.
E quando o povo se cansa de verdade, a história muda.
(*) Marionaldo Ferreira é especialista em governança pública, mentor de líderes e consultor em gestão e captação de recursos para municípios. Atua na formação de servidores e agentes públicos e é autor do livro Governança Pública e Suas Possibilidades.





Faltaram umas cadeiras de História nessa Especialização em Governança. Foi esse papinho de pseudopolarização baseado no senso comum e contra-tudo-isto-que-está-aí, que fez o país eleger um bozo.
Resumo da opera. ‘Manifesto de nojo’. Toma omeprazol que passa.
‘Que a política volte a ser instrumento — e não palco. Porque o povo já está de saco cheio.’ E um tando quanto alienado. Até a proxima crise economica.
‘O Brasil precisa de um choque de cidadania.’ Quem define o que é ‘cidadania’? De qualquer forma não vai rolar. Porque ‘acordam às quatro da manhã, tomam um café ralo, enfrentam ônibus lotado e trabalham dois turnos para pagar boletos que nunca acabam’. Além de pagar uma enormidade de tributos ainda têm que ‘ajudar’ a classe politica, que recebe muito bem obrigado, a ‘resolver problemas’? É isto que está faltando para o pais ‘decolar’?
‘Para quem é brasileiro de verdade […]’. Quem não faz parte da ‘massa’ perdeu a nacionalidade?
‘Está muito chato. Está vergonhoso. Está cansativo.’ Depende da bolha de cada um. Maioria ignora. Sintoma é bem evidente, volta e meia aparece algum(a) ‘influencer’ ou ‘MC’ ou ‘cantor(a) sertanejo’ que para quem não acompanha é desconhecido. Taylor Swift tem algo como 280 milhões de seguidores no Instagram. Pergunte a qualquer um na rua ‘cite tres musicas da Taylor Swift’. Tem gente que não entende o ‘nichado’ e acha que só porque a midia tradicional esta batendo num assunto alguém esta prestando atenção.