O AC/DC desafia o etarismo nas relações de trabalho – por Rosito Zepenfeld Borges
Em país que envelhece, “ignorar a experiência pode se tornar erro estratégico”

Sou do tempo que rock era coisa de jovem… da gurizada. Atualmente, ao dizer que gosta do gênero musical, automaticamente já entrega a tua idade: provavelmente tem mais de 30 anos (salvo uma geração de crianças e adolescentes muito bem influenciadas por seus pais e avôs). A idade das bandas e seus integrantes acompanham essa tendência.
Estamos no meio das três apresentações realizadas pela banda australiana AC/DC no Brasil em 2026, integrante da turnê Pwr Up Tour, com lotação de aproximadamente 70 mil pessoas por noite, no estádio MorumBIS em São Paulo.
A idade dos integrantes chama muita atenção. Contando com apenas dois integrantes da formação original, o guitarrista Angus Young, 70 anos e o vocalista Brian Johnson, 78 anos, a banda mostrou grande energia no palco. Todos os demais membros apresentam idades acima de 60 anos, a maioria acima dos 70.
E os exemplos não se restringem ao AC/DC: Paul McCartney com 83 anos, Mick Jagger com 82 anos, Rod Stewart com 81 anos. Nesse contexto, Bruce Dickinson, o icônico vocalista da banda britânica Iron Maiden, com 67 anos, é um guri. Citei exemplos do rock, mas isso vale para outros gêneros musicais, certamente. Se a música aprendeu a conviver com o tempo, o mercado de trabalho ainda resiste.
Se a idade pouco atrapalha o desempenho nos palcos, por que impediria no ambiente corporativo? Se Brian Johnson do alto de seus 78 anos consegue comandar 70 mil pessoas por apresentação, por que o mesmo não vale para a liderança de equipes? Claro que existe talento e trabalho no meio de tudo isso, mas sabemos que a questão da idade é levada em conta.
Decidi aproveitar a vinda do AC/DC e a repercussão acerca da idade de seus integrantes para trazer à tona o tema do etarismo. Também chamado de idadismo ou ageismo, é a discriminação ou preconceito com base na idadedas pessoas.
No trabalho, isso pode ocorrer tanto contra trabalhadores mais velhos quanto mais jovens, embora o foco principal seja sobre os desafios enfrentados por profissionais com idade mais avançada, especialmente na contratação, permanência, promoção e valorização profissional. No Brasil, a Constituição Federal proíbe discriminação por idade nas relações sociais e de trabalho, mas, na prática, muitos profissionais ainda enfrentam preconceitos ligados à sua faixa etária.
De acordo com um levantamento do Talent Trends 2025, 41% dos profissionais brasileiros afirmam já ter vivenciado etarismo ao longo da carreira. Esse índice é maior que a média global (36%) e da América Latina (35%), causando impacto no processo seletivo, na permanência na função e até mesmo em promoções.
Segundo dados oficiais recentes, o Brasil tem mais de 13 milhões de trabalhadores com 50 anos ou mais registrados no mercado formal – muitos deles em empregos de baixa remuneração e poucas oportunidades de avanço.
Pesquisas de mercado indicam que 70% das empresas contratam pouco ou nenhum profissional com mais de 50 anos. Ou seja, não estamos falando de casos isolados, mas de um padrão estrutural. O desemprego de profissionais acima de certa idade costuma ser mais persistente e difícil de reverter, com menores chances de recolocação.
O etarismo traz impactos para os indivíduos, como perda da autoestima e motivação, descontinuidade de carreira e renda instável e saúde física e mental impactada por estresse e pela exclusão social. Porém, as organizações também são afetadas em razão do desperdício de uma experiência acumulada que de certa forma poderia ser útil.
Em um país que envelhece rapidamente, ignorar a experiência pode se tornar um erro estratégico. Então, vamos nos inspirar em AC/DC, The Rolling Stones e outros “velhinhos”. A idade pode marcar o tempo, mas não limita a competência. Dica de filme: Um Senhor Estagiário, com Robert De Niro e Anne Hathaway.
(*) Rosito Zepenfeld Borges é Engenheiro de Segurança do Trabalho. Ele escreve no site às segundas-feiras.





Resumo da opera. Idosos ‘em tese’, trabalhando ‘em tese’ em empresas e contribuindo ‘em tese’ com sua experiencia. Tudo muito ‘sentimental’.
‘A idade pode marcar o tempo, mas não limita a competência. Dica de filme: Um Senhor Estagiário, com Robert De Niro e Anne Hathaway..’ O ‘exemplo’ é uma obra de ficção escrita por uma diretora de cinema. Nunca trabalhou numa empresa de outro ramo. O foco é ‘sentimentos’, não desempenho empresarial.
‘Então, vamos nos inspirar em AC/DC, The Rolling Stones e outros “velhinhos”.’ Cite o nome de 5 bandas de rock de grande popularidade surgida nos ultimas 10 anos.
‘[…] as organizações também são afetadas em razão do desperdício de uma experiência acumulada que de certa forma poderia ser útil.’ Experiencia tem prazo de validade. Deixando de lado o analfabetismo digital. Noutra semana foi noticiado que 40% das musicas que são colocadas no streaming são produzidas com inteligencia artificial. Perto de 97% dos ouvintes não conseguem discernir uma musica produzida por IA de uma produzida por humanos.
‘O etarismo traz impactos para os indivíduos, como perda da autoestima e motivação, descontinuidade de carreira e renda instável e saúde física e mental impactada por estresse e pela exclusão social.’ Uma empresa não é uma ONG, se não competir quebra.
‘Pesquisas de mercado indicam que 70% das empresas contratam pouco ou nenhum profissional com mais de 50 anos.’ Pesquisas frias sem origem? Alas, mais jovens não querem trabalhar. Famosa geração Z. Dizem as ‘pesquisas’.
‘[…] um levantamento do Talent Trends 2025,[…]’. Pesquisas frias e vitimismos. Dá um nome de banda.
‘No Brasil, a Constituição Federal proíbe discriminação […]’. Não. ‘ a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais;’. Moda, leigos falando do que não sabem. Não existe direito fundamental a ocupar um cargo.
‘Também chamado de idadismo ou ageismo, é a discriminação ou preconceito com base na idadedas pessoas.’ Bobagem ideologica que tentam empurrar goela abaixo da população. Sucede a ‘melhor idade’. Que aqui na urb era coisa de professor universitario aposentado ganhando 15 ou 20 mil por mes. Não tendo que madrugar para pegar ficha no SUS ou madrugar para pegar remedios numa farmacia da vida.
‘ Se Brian Johnson do alto de seus 78 anos consegue comandar 70 mil pessoas por apresentação, por que o mesmo não vale para a liderança de equipes?’ Acontece alguma tomada de decisão depois do ato de subir num palco e fazer cover de si mesmo? Repetir algo que já foi feito centenas de vezes? Decisão que afeta a vida econòmica de outras pessoas? Lembrando que o QI começa a cair depois dos trinta anos? Nesta hora algum imbecil vai querer uma discussão ‘filosofica’ sobre o QI.
‘Se a música aprendeu a conviver com o tempo, o mercado de trabalho ainda resiste.’ A idade limite para piloto comercial é 65 anos. Exemplo. Se alguém fosse pegar um voo aqui mesmo em SM, se fosse possivel, e descobrisse que o piloto tivesse 95 anos de idade ainda assim pegaria o voo?
‘[…] o vocalista Brian Johnson, 78 anos, a banda mostrou grande energia no palco.’ A voz evidentemente não é mais a mesma.