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Quem tem medo da liderança feminina (e feminista)? – por Neila Baldi

“No mês internacional da mulher ainda temos muito o que avançar”

Outro dia estava em uma reunião e ouvi de um colega que ele não era machista. Ao que respondi: “quem sabe se tu és ou não, sou eu, que sofro teu machismo. Não conheço nenhum homem, nem progressista, que não tenha um grau de machismo.” Sinto dizer, mas vivo e trabalho numa cidade e em uma Universidade machista. O fato de termos, em pleno século XXI, apenas uma reitora diz muito do que somos. Eu, como filha da UFRGS, vivi o mandato de uma reitora nos anos 1990, há mais de 30 anos.

Lembro-me do dia em que assinei meu termo de posse e fiquei perplexa olhando a galeria de fotos da gestão. Não tinha ideia do quão machista podia ser um lugar em pleno século XXI. Vou fazer nove anos de instituição e sofri (e ainda sofro) o machismo na UFSM e no sindicato. 

Minha mãe me criou para não ter papas na língua e falar o que penso e, talvez por isso, ou pela formação estudantil e acadêmica, acabei exercendo espaços de liderança ao longo da vida. Na escola, era líder estudantil, apesar de tímida. Profissionalmente, como jornalista, exerci cargos de chefia muito jovem. E o que ouvia? Nunca eram meus atributos profissionais que explicavam, para meus colegas homens, minha ascensão. No serviço público, como passamos por concurso, este discurso não tem como ser usado. O que significa que não exista machismo.

Aqui na UFSM, logo que assumi, peguei a coordenação de curso e, com isso, fui para o Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (CEPE). O que tive em troca? Assédio moral de colegas que não aceitarem minha liderança, que precisavam “me combater”, para que eu não chegasse mais longe: chefe de departamento, diretora de centro, etc. Uma vez fui acusada de, no meu exercício sindical, incitar estudantes – porque eu defendia o voto contra a volta do vestibular.

Depois de uma reunião em que fui desqualificada profissionalmente por um colega, em uma típica violência de gênero, fui à Ouvidoria e o que me disseram? Que não abrisse processo, que o acusado saberia e que eu seria perseguida. O lugar que devia me proteger me deu as costas. Minha solução, à época, foi denunciar todas as violências (minhas e de estudantes) em um discurso de formatura na qual fui paraninfa. Por isso, dentro da Sedufsm, tenho lutado, desde o ano passado, no Grupo de Trabalho Políticas de Classe para as Questões Étnico-raciais, de Gênero e Diversidade Sexual (GTPCEGDS), para que tenhamos, dentro da UFSM, protocolos específicos e, se necessário, Ouvidoria específica.

Por que falo disso aqui, neste espaço? Porque no mês internacional da mulher ainda temos muito o que avançar. Apesar de termos uma politica de gênero, ainda falta que ocupemos espaços e que, quando estivermos nesses espaços, não soframos assédio.

Outro dia, para falar de nós mulheres no mundo sindical, vi o machismo escancarado também aqui na Sedufsm. Tivemos na primeira diretoria eleita uma presidenta: Berenice Corsetti (1990-1992, com reeleição para mais um mandato). Depois disso, apenas a Laura Fonseca (2020-22, que não completou o mandato). Ou seja, 30 anos depois!

A professora Fabiane Costas foi presidenta (2008-2010) quando o professor Sérgio Prieb pediu afastamento. Mesmo em diretorias majoritariamente femininas, a cabeça de chapa é masculina. Por quê? Por que votamos em homens? Por que sofremos quando estamos na liderança e preferimos estar em outros cargos?

Olhando para esta outra galeria, fiquei refletindo: quem tem medo de liderança feminina? E se, além de feminina, for feminista? Há oito anos sou sindicalizada e há cinco estou na direção sindical. Neste tempo, nunca vi um colega homem falar grosso ou meter o dedo na cara de outro homem. Mas vi colegas mulheres sofrerem violência de gênero no exercício de suas lideranças.

Os homens só vão aprender a lidar com nossas lideranças quando estivermos nestes cargos e, mais que tudo, quando forem punidos por suas violências. Nossa política de gênero prevê equidade de representação nas instâncias de poder da UFSM. Quando será efetivada? A propósito: temos eleição para os conselhos em abril. Mas isso é outra pauta…

Espero que esta pequena reflexão nos ajude a pensar sobre as lideranças femininas e como lidamos com ela: nós, mulheres, mas sobretudo vocês, homens.

(*) Neila Baldi é professora do curso de Dança-Licenciatura da UFSM e diretora da Seção Sindical dos Docentes (Sedufsm). O artigo acima foi publicado originalmente no site da Sedufsm(AQUI) e reproduzido com a autorização da autora.

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12 Comentários

  1. Sociologia juridica Sempre que uma lei tenta proteger um grupo, principalmente penalmente, aumenta o risco dos que com ele interagem. Logo as interações diminuem. Atinge a empregabilidade, promoções, etc. Ninguem quer fontes de potenciais problemas.

  2. Dai vamos para a sociologia. Integrantes de minorias (há claro sem vergonhas em busca de dinheiro de indenizações e/ou notoriedade) já entram nos lugares e interagem com outras pessoas esperando ‘discriminação’. A dinamica das iteraçoes mudam. Profecias se realizam.

  3. ‘[…] a pensar sobre as lideranças femininas e como lidamos com ela: nós, mulheres, mas sobretudo vocês, homens.’ Bem simples. Há mulheres que se fazem respeitar por conta da competencia. Exemplo? Vamos para a economia que é assunto sério. Maria Silvia Bastos Marques, Zeina Latif, Ana Carla Abrão. São ouvidas pela capacidade técnica. Respeito. As demais, na base do que ‘é o que tem para hoje’, querem usar o medo. Destruição de reputação. Intervenção estatal, força coercitiva, direito penal.

  4. ‘[…] também aqui na Sedufsm.’ Sindicato é pessoa juridica de direito privado. O que acontece na diretoria do clube Dores também não interessa.

  5. ‘Grupo de Trabalho Políticas de Classe para as Questões Étnico-raciais, de Gênero e Diversidade Sexual (GTPCEGDS)’. Kuakuakuakuakuakuakua. Bem coisa de sindicato de servidor publico.

  6. ‘Depois de uma reunião em que fui desqualificada profissionalmente por um colega, em uma típica violência de gênero,[…]’. Acusação genérica. Versão de um lado. Mulheres não tem fé publica. Alas, como se lida com uma mulher incompetente numa determinada area? Porque elas existem. Deveriam estar em outro lugar fazendo outra coisa. RH básico.

  7. ‘Assédio moral de colegas que não aceitarem minha liderança, que precisavam “me combater”, para que eu não chegasse mais longe: chefe de departamento, diretora de centro, etc.’ Ferramenta politica. Vermelhas não podem ser contrariadas em hipotese nenhuma. Necessitam de um tapete vermelho e chuva de petalas de rosa. Senão é misoginia.

  8. ‘Assédio moral de colegas que não aceitarem minha liderança, […]’. Curso de dança seria importante caso não tivesse virado feudo da esquerda. Mesmo assim não é medicina, direito, etc. Há uma cadeia alimentar na coisa. Alas, curso começou só em 2013 e a universidade sobreviveu sem ele.

  9. ‘Minha mãe me criou para não ter papas na língua […]’. Vermelhos tem um personagem preferido, eles mesmo. Ficam contando historias irrelevantes que interessam só eles mesmos. Vide um jornalista com coluna no site. A importanca da palavra ‘EU’.

  10. ‘Sinto dizer, mas vivo e trabalho numa cidade e em uma Universidade machista.’ Se a condição de vitima da poder ou alguma vantagem para alguém ou determinado grupo a causa da vitimização está em todo lugar. Serve para toda pauta dos Vermelhos, racismo, homofobia, etc.

  11. ‘[,,,] “quem sabe se tu és ou não, sou eu, […]’. Palavra muito importante: ‘EU’. Ou seja, homens são sujeitos a regras que não são publicas e dependem da interpretação subjetiva de alguém. Policia da Moralidade no Irã. Stasi na antiga Alemanha Oriental.

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