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“A Empregada” e seu duplo – por Roselâine Casanova Corrêa 

Críticos divididos: “totalmente dispensável” ou “bom suspense psicológico”?

O suspense psicológico “A Empregada” (The Housemaid), foi lançado nos cinemas, no Brasil, em janeiro/2026 e está disponível nas plataformas da Apple TV e da Prime Vídeo. Aliás, parece ter sido pensado para causar nos streamings e em cortes nas redes.

Adaptado do best-seller de Freida McFadden (2023) – que também é produtora executiva no filme – a trama conta com os personagens Millie (Sydney Sweeney), a empregada jovem com um passado nebuloso, Nina (Amanda Seyfried) e Andrew (Brandon Sklenar), um casal rico, em uma casa linda e Enzo Accardi (Michele Morrone), um jardineiro que cuida muito pouco do jardim, mas sabe tudo dos moradores da mansão.

No livro, o jardineiro tem maior relevância que no longa, onde praticamente não faz diferença. O que é lamentável, uma vez que é sinalizado desde o início da trama que ele sabe mais do que deveria.  E que seria um ponto de equilíbrio em um ambiente totalmente desequilibrado. Contudo, do nada, o personagem desaparece. Um desperdício de casting!

Explorando temas de manipulação, silêncio, violência doméstica, descontrole emocional, flertando um pouco com as causas feministas – porém não avançando muito nesse sentido – o longa é dirigido por Paul Feig e propõe reviravoltas constantes, em um bairro chique e cheirando a tinta. Sim, pois tudo parece sair de uma paleta de tela barata.  

Honestamente, no início a trama parece aprofundar as questões de abuso físico e psicológico, para logo demonstrar que tudo que parece ser, não é. A esposa que parece ser descontrolada tem total domínio de seus atos; o marido compreensivo pode não ser tão bonzinho assim; a empregada perfeita pode guardar segredos devastadores e o jardineiro…. bem, o jardineiro não se sabe bem o que está fazendo ali. Talvez nem Morrone o saiba.

E tudo que foi dito até aqui pode também não ser nada do que aparenta ser.

Embalada em roupas de grife e pilotando um carro de luxo, a protagonista rica é muito, mas muito parecida com a empregada, pobre e enrascada. A ponto de se confundir quem é quem em algumas cenas. O jardineiro tem reações como se marido fosse e, do nada, some de cena. A casa é o principal personagem do longa e cada cômodo tem uma função. Algumas, terríveis. Igualmente o figurino grifado. Pode ser elegante. Também pode ser uma isca para condutas irreparáveis. E a louça de família é o gatilho para as cenas mais abomináveis.

Contudo, trata-se de uma porcelana belíssima, que está na família do marido a várias gerações. E a sogra faz questão de lembrar à Nina que aquela louça precisa permanecer intacta. E é tão onipresente, que controla até a tintura do cabelo da nora. Aliás, Amanda Seyfried está ótima – como sempre – no papel da esposa descontrolada/controlada.

O longa dividiu os críticos: alguns entendem que se trata de um filme totalmente dispensável, outros, que é um bom suspense psicológico. O fato é que o filme prende do início ao fim. Feig é expert neste tipo de narrativa, conhecido por explorar tramas femininas no cinema. Inclusive, já assentiu – no tapete vermelho, na premiação do Oscar (15/3) – que haverá uma sequência do longa e que as filmagens ocorrerão no outono estadunidense (setembro a novembro).

Faz sentido, uma vez que a adaptação do livro para a cinema possui alterações significativas e em pontos chaves da narrativa!

(*) Roselâine Casanova Corrêa é Professora de História. Graduada em História (UFN), com especialização em História do Brasil (UFSM); Museologia (UFN) e mestrado em História (PUC/RS). Foi membro do COMPHIC (2012-2022). Também é, com o jornalista Bebeto Badke, idealizadora do “Projeto Amnésia: descubra Santa Maria”. Rose escreve sobre cinema, às quintas-feiras, nesse site.

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