A imprensa, as provocações de Trump, os profetas do caos e as naves espaciais – por Carlos Wagner
Líder norte-americano critica o Papa. Que reage: “não tenho medo de Trump”

Não existem muitos destinos à espera das negociações de cessar-fogo na guerra entre Estados Unidos e Irã, iniciadas e interrompidas sem acordo, no último fim de semana, em Islamabad, a capital do Paquistão. Um dos destinos esperados no início das negociações era chegar a uma solução “meia-boca”, gíria que se usa para descrever uma condição não plenamente satisfatória. O desfecho das conversações em Islamabad repetiu o que já tinha acontecido com o cessar-fogo acordado na terça-feira da semana passada (7) e que só durou até a manhã do dia seguinte.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (republicano), 79 anos, exige como condição para um acordo a liberação total da passagem de navios pelo Estreito de Ormuz, um estrangulamento de mar que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã, por onde passa diariamente 20% da produção mundial de petróleo, e que foi bloqueado pelo Irã nos primeiros dias da guerra.
Pelo seu lado, o governo do aiatolá Moitaba Khamenei, 56 anos, a autoridade máxima do Irã, exige para um cessar-fogo, entre outras coisas, a liberação de fundos iranianos que estão congelados em território americano. O encontro foi coordenado pelo primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, 74 anos. A comitiva americana, liderada pelo vice-presidente J. D. Vance, 41 anos, tinha dois enviados especiais, os empresários do setor imobiliário Steve Witkoff, 69 anos, e Jared Kushirer, 45 anos, que é genro de Trump.
Pelos iranianos, as negociações foram conduzidas por Mohammad Baghere Ghalibaf, 64 anos, presidente do Parlamento e ex-comandante da Guarda Revolucionária, o grupo que detém o poder no país, e pelo ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, 63 anos. Na comitiva americana, o mais qualificado era o vice-presidente. Li a biografia de Vance. É um cara esperto. Pelos iranianos, a figura mais importante era Ghalibaf, por suas ligações com a Guarda Revolucionária.
Na noite de domingo (12), Vance anunciou que, depois de 21 horas de negociações, divididas em três sessões, não houve acordo para um cessar-fogo. Nem o esperado “meia-boca”. Resumindo, voltou tudo à estaca zero. O principal impasse é quanto ao destino de mais de 400 quilos de urânio que o Irã já teria enriquecido e poderia usar para a fabricação de bombas atômicas, além da exigência americana do fim completo do programa nuclear iraniano.
Após o fracasso das negociações, Trump surpreendeu dizendo que a partir da segunda-feira (13) será a Marinha dos Estados Unidos que irá fechar o Estreito de Ormuz: “Ninguém entra, ninguém sai”, resumiu. Os detalhes da decisão saberemos durante a semana. Acrescento que mais de 200 navios petroleiros e porta-contêineres estão ancorados na região. E só atravessarão Ormuz se não houver risco. Caso se arrisquem, o seguro terá um custo astronômico. Aliás, vou citar um personagem que merecia mais atenção da imprensa: as seguradoras envolvidas na cobertura dos custos da guerra. Agora vamos falar sobre a “adaga do Irã no pescoço da economia mundial”.
Se não fosse pelo envolvimento direto dos Estados Unidos, essa guerra seria mais uma na longa lista de confrontos entre Israel e Irã. Mas a aliança de Trump com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, 76 anos, alastrou o conflito por todo o globo, principalmente com a disparada dos preços dos combustíveis (e da inflação) devido as restrições na oferta de petróleo causadas pelo bloqueio de Ormuz. Antes do começo da guerra, em 28 de fevereiro, passavam diariamente pelo estreito cerca de 120 petroleiros e porta-contêineres.
No fim de semana, a guerra perdeu força nos noticiários com o retorno à Terra, na sexta-feira (10), dos astronautas que deram a volta na Lua. Em números redondos: meio século depois (a última vez havia sido em dezembro de 1972), os Estados Unidos enviaram quatro astronautas para a órbita da Lua: os americanos Reid Wiseman, 50 anos, Victor Glover, 49 anos, e Cristina Koch, 47 anos, e o canadense Jeremy Hansen, 50 anos. Eles partiram na nave Artemis II na quarta-feira, 1º de abril, e viajaram até um ponto distante do espaço, dando uma volta completa na Lua.
A epopeia marcou a retomada das missões lunares da Nasa, a agência espacial americana, depois do bem-sucedido Projeto Apollo, que colocou 12 astronautas na Lua entre o final dos anos 60 e o início dos 70. A pioneira foi a Apollo 11, em 20 de junho de 1969, quando Neil Armstrong (1930 – 2012) e Buzz Aldrin, hoje com 96 anos, deixaram as primeiras pegadas de seres humanos no solo lunar.
Vi a transmissão pela televisão, as imagens em preto e branco de Armstrong e Aldrin correndo pela paisagem vazia e cinzenta. A ideia é que americanos pisem na Lua novamente em 2028, iniciando a construção de abrigos, e no futuro partam de lá para a exploração do espaço profundo. O simples fato dos noticiários terem sido preenchidos pela viagem espacial foi como respirar ar fresco.
Foi muito bom e me trouxe uma lembrança da minha infância. Em 1961, eu era um menino de 11 anos de família pobre que vivia em Encruzilhada do Sul, pequena cidade na Serra do Sudeste, interior do Rio Grande do Sul, onde a água congela nos canos no inverno. Na época, era comum, de tempos em tempos, passarem por lá pregadores anunciando o fim do mundo. Contavam uma história, as pessoas acrescentavam alguns fatos e, no final, o resultado era um relato apocalíptico, assustador.
Lembro-me de uma ocasião em especial. No dia 12 de abril de 1961, o cosmonauta Yuri Gagarin (1934 – 1968), da extinta União Soviética, tornou-se o primeiro homem a dar uma volta na órbita da Terra. O feito rendeu muito assunto para os “apóstolos do caos”. Durante muito tempo, pegaram no pé de Gagarin, a quem apontavam como “sinal de mau agouro”.
Para arrematar. Vou relatar a conversa que tive com um velho colega repórter que conheci em Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná, fronteira com Ciudad del Este, no Paraguai. Ele chamou a minha atenção para a eficiência com que Trump usa a provocação para desestabilizar seus adversários. Respondi que havia notado essa capacidade já durante o seu primeiro mandato (2017 – 2021), quando ele surpreendeu a imprensa fazendo provocações que colocavam em dúvida a honestidade dos jornalistas. Uma coisa que raras vezes tinha acontecido.
No segundo mandato, Trump voltou ainda “mais afiado na arte de provocar”. Nem o papa Leão XIV escapou. No fim de semana, Trump encontrou espaço para atacar o líder católico, americano como ele, a quem chamou de “fraco no combate ao crime e péssimo para a política externa”. Os ataques vieram depois de Leão XIV ter classificado a guerra como uma “loucura” e fazer um apelo para que Estados Unidos, Israel e Irã cheguem a um acordo. “Não tenho medo de Trump”, reagiu o papa. O fato é que depois de seis semanas de guerra o presidente americano ainda não conseguiu desestabilizar os aiatolás do Irã. Será que finalmente encontrou um adversário a sua altura?
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(*) O texto acima, reproduzido com autorização do autor, foi publicado originalmente no blog “Histórias Mal Contadas”, do jornalista Carlos Wagner.
SOBRE O AUTOR: Carlos Wagner é repórter, graduado em Comunicação Social – habilitação em Jornalismo, pela UFRGS. Trabalhou como repórter investigativo no jornal Zero Hora de 1983 a 2014. Recebeu 38 prêmios de Jornalismo, entre eles, sete Prêmios Esso regionais. Tem 17 livros publicados, como “País Bandido”. Aos 75 anos, foi homenageado no 12º encontro da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (ABRAJI), em 2017, SP.





Resumo da opera III. Governo Agente Laranja deve acabar em novembro. Repercussões imprevisiveis. Como na Hungria. Inflação de 1,8% ao ano (3 a 3,5% nos serviços). Sem problema de imigração ilegal. Aumento do PIB projetado para este ano é 2,2% (andava baixo com recursos retidos pela UE). Sujeito que se elegeu é do Partido Respeito e Liberdade. Populismo de centro-direita (até desagradar os ‘joinhas’, se acontecer vira ‘extrema-direita’. Se sujar fora do pinico é instabilidade até desapearem ele. ‘Democraticamente’.
Resumo da opera II. Falam em construir uma rede de oleodutos para criar alternativa ao estreito de Ormuz. Logo, como nunca antes, a ‘emissão zero’ é coisa da Globo.
Resumo da opera. Não é um exercicio de imaginação comum por aqui. Tupiniquins se preocupam mais com eleições do que com problemas. Iran atacou os paises arabes ao redor. Aeroporto de Dubai por exemplo. Já eram inimigos. Imprensa noticia que ‘Ianques falharam em proteger os aliados’. Como nunca antes o cenario de Irã com bomba atomica e uma corrida regional armamentista nuclear teve a probabilidade aumentada.
‘O fato é que depois de seis semanas de guerra o presidente americano ainda não conseguiu desestabilizar os aiatolás do Irã. Será que finalmente encontrou um adversário a sua altura?’ ‘Narrativa’ é a mesma de Russia e Ucrania.
‘“Não tenho medo de Trump”, reagiu o papa.’ Agente Laranja não deve perder tempo com ele, já serviu para o que poderia.
‘No fim de semana, Trump encontrou espaço para atacar o líder católico, […]’. Na verdade foi uma ‘resposta’. Papa falou contra a guerra, como é de praxe em todas as guerras. Maioria nem presta atenção. Agente Laranja aproveitou para criar um factoide. Colocou imagem como se fosse J. Cristo. Imprensa acéfala resolveu ‘vamos mostrar isto para influenciar a opinião publica no sentido de gerar a imagem de maluco e destrambelhado do Agente Laranja’. Democratas e Vermelhos adoraram. Fas do AL defenderam. O resto ‘trocou de canal’.
‘[…] iniciando a construção de abrigos, e no futuro partam de lá para a exploração do espaço profundo.’ Que é impossivel por motivos biologicos. Vão é começar a minerar. A corrida, dizem as mas linguas, é por causa do tritio.
‘[…] o retorno à Terra, na sexta-feira (10), dos astronautas que deram a volta na Lua.’ Nas diversas bolhas que acompanho ninguém deu bola para este assunto. E ‘reprise’.
‘[…] primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, […]’. Só no ocidente dão bola para tratados. Iranianos assinaram um e continuaram a enriquecer uranio. Israelenses assinaram inumeros tratados e continuaram a expandir colonias em terras supostamente palestinas. Eis uma ‘vitoria da diplomacia’.
‘[…] alastrou o conflito por todo o globo, principalmente com a disparada dos preços dos combustíveis […]’. Portugues. Os efeitos do conflito. Só tem gente brigando por lá até onde se sabe.
‘[…] destino de mais de 400 quilos de urânio que o Irã já teria enriquecido e poderia usar para a fabricação de bombas atômicas, além da exigência americana do fim completo do programa nuclear iraniano.’ Havia um tratado do tempo do Obama. So poderiam enriquecer até 4% e ‘do nada’ apareceu uranio enriquecido no nivel exigido para arma nuclear. Dos 150 bilhões descongelados pelo tratado grande parte foi para financiar o Hamas, o Hezbollah e adquirir armamento. Nada para a população.
‘[…] exige para um cessar-fogo, entre outras coisas, […]’ a continuação do programa nuclear iraniano. Alas, não se sabe o estado de saude do aiatolá Moitaba Khamenei.