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Houston, temos um problema: quando o sucesso se torna risco – por Rosito Zependeld Borges

"Aprendemos com alto custo que o excesso de confiança pode ser perigoso"

Houston, we have a problem!

Todos já devem ter ouvido essa célebre frase (na verdade é uma citação popular meio errônea e simplificada, pois as palavras realmente ditas foram: Ok, Houston, we’ve had a problem here!). Em 13 de abril de 1970, há exatamente 56 anos a explosão de um dos tanques de oxigênio do módulo de comando e serviço Odyssey explodiu durante a missão Apollo 13, que seria a terceira missão tripulada a lua, lançada pela NASA, a agência espacial norte-americana.

O acidente transformou a missão em um evento épico, sendo inclusive contada em filme, dirigido por Ron Howard e estrelado por Tom Hanks como o Astronauta Jim Lovell. O que também chamou atenção foi que além da missão ser a número 13 do Programa Apollo ocorreu no dia 13, aumentando a mística sobre o número conhecido pela superstição no mundo ocidental. O tema voltou à tona, especialmente agora, em razão da Missão Especial Artêmis II, concluída nesse final de semana, onde a nave Orion circundou a lua, em seu lado escuro.

Mas as causas do acidente com a Apollo-13 apresentam razões bem concretas, independentemente das questões de superstição indicadas. O Programa Apollo foi um conjunto de missões coordenadas pela NASA, iniciados em 1961 com o objetivo de levar o homem à lua. Foi o auge da corrida espacial (capítulo importante da Guerra Fria travada entre os Estados Unidos e a antiga União Soviética). O ápice foi a missão Apollo-11 que foi responsável pelo primeiro pouso na Lua, em 20 de julho de 1969. A NASA encerrou o projeto em 1972 após a Apollo-17 (último pouso na Lua), principalmente em função da perda de interesse na corrida espacial, altos custos, e, também, pelo alto risco de acidentes evidenciados no fracasso da Apollo-13.

O sucesso da Apollo-11 gerou um efeito de euforia em nível mundial. Os três astronautas desfilaram em enormes paradas de celebração em Nova Iorque e Chicago, com estimativas de milhões de pessoas. A transmissão televisiva foi um marco histórico global, assistido por mais de 650 milhões de pessoas. Imagens em preto e branco da caminhada lunar de Neil Armstrong foram transmitidas ao vivo. A Apollo-12 embarcou no sucesso, e colocou ainda no mesmo ano (14 de novembro de 1969) o homem mais uma vez na Lua.

Parece que a fórmula saturou rapidamente, no lançamento da Apollo-13 a audiência foi um fracasso. O acidente detectou a existência de falhas de projeto e improvisações de equipamentos e procedimentos decorrentes da pressa para lançamentos em sequência. Os astronautas precisaram se adaptar e sobreviver durante quatro dias até serem resgatados no retorno à Terra. Rapidamente o assunto se tornou atrativo novamente, gerando recordes de audiência, acompanhando o retorno dos astronautas e o desfecho da situação.

Aprendemos com alto custo que o excesso de confiança pode ser perigoso. Muitas vezes de forma heroica, como nesse caso. Outras vezes com grandes catástrofes. Que tanto os novos projetos lunares, terrestres ou marcianos levem em conta os fatores de risco para que a corrida da segurança sempre vença.

(*) Rosito Zepenfeld Borges é Engenheiro de Segurança do Trabalho. Ele escreve no site às segundas-feiras.

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3 Comentários

  1. Resumo da opera. Muitos astronautas tinham sido pilotos de teste. Risco de algo dar errado sempre foi grande. Noutra semana aconteceu outro voo até a Lua, mas pouca gente prestou atenção. Alas, bom não esquecer que dois onibus espaciais explodiram.

  2. No lado russo aconteceu falha na reentrada e um cosmonauta virou carvão. Noutra missão a capsula despressurizou durante a reentrada e tres cosmonautas morreram asfixiados.

  3. Versão ‘grande publico’. Faltam detalhes. Na Apollo 1 aconteceu um incendio na capsula durante um ensaio. Os tres astronautas foram assados no ambiente rico em oxigenio. Na Gemini V aconteceu um problema nas celulas de combustivel e o acoplamento que precisava ser ensaiado não aconteceu. Na Gemini VIII aconteceu o acoplamento, mas aconteceu um problema de controle. Os veiculos começaram a girar desgovernadamente. Armstrong era o lider da missão. Deu um jeito no problema, mas foi altamente criticado porque encurtou a missão.

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