O erro caro do fim da escala 6×1 – por Giuseppe Riesgo
“Na prática, é uma intervenção que ignora a realidade econômica brasileira”

O governo federal decidiu apostar em uma boa manchete e empurrar a conta para quem produz. A proposta enviada ao Congresso para acabar com a escala 6×1, reduzindo a jornada semanal de 44 para 40 horas sem redução salarial, soa moderna e socialmente justa à primeira vista.
Mas, na prática, é mais uma intervenção que ignora a realidade econômica brasileira. Um país com baixa produtividade, alta informalidade e um ambiente já difícil para quem empreende. Produtividade não se cria por decreto. Países que reduziram jornada fizeram isso depois de enriquecer, não antes.
O efeito tende a ser exatamente o oposto do discurso oficial. Com menos horas trabalhadas e o mesmo salário, o custo por trabalhador aumenta. Isso pressiona principalmente setores intensivos em mão de obra, como comércio e serviços.
Pequenas empresas, que operam no limite, vão sentir primeiro. E o resultado é conhecido: menos contratações, mais informalidade e, em alguns casos, fechamento de postos de trabalho. No fim, a conta recai justamente sobre quem deveria ser beneficiado.
A proposta também parte de um erro recorrente: tratar o Brasil como um bloco uniforme. A escala 6×1 não existe por acaso. Ela atende à dinâmica de setores que operam de forma contínua.
Engessar isso por lei nacional é ignorar a diversidade econômica do país. É trocar negociação entre empresas e trabalhadores por imposição estatal. O governo assume que sabe melhor como organizar a jornada de trabalho do que quem está na ponta.
Se há abusos, eles devem ser combatidos com fiscalização e ajustes pontuais. Não com uma mudança ampla que atinge todo mundo igual.
E tem um ponto que quase ninguém está discutindo: o problema não é só a carga horária. É a falta de liberdade.
Em vez de impor um modelo único, o caminho deveria ser o oposto. Mais flexibilidade. Mais autonomia para o trabalhador negociar sua própria jornada.
Modelos com remuneração por hora, por exemplo, permitem algo simples: quem quer trabalhar mais, ganha mais. Quem não pode ou não quer, trabalha menos. Isso já é realidade em várias economias mais produtivas.
Aqui, a gente faz o contrário. Engessa. Padroniza. E depois se surpreende com a informalidade.
Qualidade de vida não depende só de descanso. Depende de emprego, renda e crescimento econômico. Sem isso, qualquer ganho aparente vira ilusão.
Reduzir jornada por lei, sem enfrentar os problemas estruturais, é vender uma solução simples para um problema complexo.
E, no Brasil, soluções simples costumam sair caro.
(*) Giuseppe Riesgo é ex-secretário de Parcerias da Prefeitura de Porto Alegre e ex-deputado estadual pelo partido Novo. Ele escreve no site às quintas-feiras.





” Mais autonomia para o trabalhador negociar sua própria jornada.”
Esse é o pensamento do representante do Novo, bolsonarista radical, mas engravatado.
Todo mundo sabe que esse tipo de acordo só favorece um lado. A depender de patrão, morremos de trabalhar! não há a menor possibilidade disso funcionar plenamente, nunca houveram acordos! sempre foi o bom e velho “manda quem pode”
Resumo da opera. Isto também é uma cortina de fumaça para tirar o Master do noticiario. No mais deixa fazer o que querem, implantar a redução. Tomara que os banhados sequem e as cobras morram de fome. Burro morre aos coices. Negocio é cada um cuidar do seu e dos seus, ajudar quem pode e vida que segue. Zero chance desta bagaça chamada Brasil dar certo.
‘E, no Brasil, soluções simples costumam sair caro.’ No Brasil as coisas vem de cima para baixo goela abaixo baseadas no achismo. ‘Democraticamente’. Os empresários são uns demonios malditos e os trabalhadores são anjos perfeitos.
‘Qualidade de vida não depende só de descanso. Depende de emprego, renda e crescimento econômico.’ Qualidade de vida é a que cabe no bolso. Politicos, profissionais liberais, servidores publicos tem qualidade de vida melhor. E ainda assim reclamam, vide o pessoal do judiciario.
‘Modelos com remuneração por hora, por exemplo, […]’. Sistema dos paises de lingua inglesa majoritariamente. Alemanha também adota. Portugal, Belgica e França fixam o salario minimo por hora.
‘E o resultado é conhecido: […]’. Incentivo a automação. Se ter um ser humano trabalhando fica caro diminui-se o numero de seres humanos. Porque no final das contas toda empresa fornece um produto ou serviço com custos conhecidos e preço determinado pelo mercado. Se aumenta o custo o preço tende a aumentar. Menos para os empreendedores mais competentes que abocanham maior parcela do mercado. Alas, se uma lojinha tem que vender 200 blusinhas no comercio de rua para cobrir os custos fixos vai ter que vender umas 250 nas novas condições. Alas, não é possivel diminuir o salario dos trabalhadores já contratados. Mas é legal demitir aos poucos e contratar novos empregados com salarios mais baixos.
‘sso pressiona principalmente setores intensivos em mão de obra, como comércio […]’. Sempre pensei que no comercio o salario era baixo e era complementado com comissões para incentivar o trabalho e as vendas. Pelo jeito não é assim. Menos horas trabalhadas.
‘Países que reduziram jornada fizeram isso depois de enriquecer, não antes.’ Brasil vai virar pais desenvolvido. Com muita gente ganhando mais e trabalhando menos. Com espertalhões roubando a mais não poder. Com gente ganhando diploma mesmo sem saber nada. Basta decretar.
‘Um país com baixa produtividade, alta informalidade e um ambiente já difícil para quem empreende.’ Existe o fator cultural também. Alemanha trabalham 5 dias por semana, 35 a 40 horas. 8 horas por dia na media, existe compensação. França? 35 horas por semana, mas a maioria trabalha mais. O excedente entra em banco de horas ou tem pagamento adicional. Porém são horas trabalhadas. Não existe roda de bate papo perto do café ou do bebedouro. Não existe ‘arrastar os pés’ durante o horario normal para ter que terminar o trabalho com horas extras. Atestado frio é muito dificil. Caixa batendo papo com empacotador no supermercado enquanto o cliente espera passar as compras. Exemplos não faltam.
Proposta é eleitoreira. Deve passar rapidamente na base do ‘depois a gente vê’.
Outro aspecto. Não foi feito nenhum estudo a respeito do impacto, nem mesmo um furado. Tudo na base do ‘argumento’ e do ‘qualitativo’. Eis os ‘defensores da ciencia’.
Segunda proposta é de Reginaldo Lopes. ‘duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e trinta e seis semanais, facultada a compensação de horários e a redução da jornada, mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho;’. Ou seja, existe previsão para banco de horas.
Bom verificar o que esta sendo discutido. Erika Hilton mandou uma PEC. Jornada de 8 horas diarias não superando 36 horas semanais em 4 dias da semana. Alguém vai dizer ‘mas é pedir 100 para ganhar 50’. Acontecia no passado, hoje completa asneira. Estrategia de negociação furada, facil encontrar alternativa com a justificativa de que a proposta é absurda.
Senhor político… vamos aos fatos:
1. Fiscalização de quem? No Brasil a política se intromete na fiscalização e não deixa fiscalizar.
2. Guerra de David e Golias . O empregado elo mais fraco na relação de trabalho vai negociar com o patrão … kkkk Só pra inglês ver .
3. Concordo que no Brasil a carga tributária é um absurdo, mas se o governo tem que melhorar e administrar seus gastos, os empresários tem que pararem com a sonegação absurda . Se todos pagarem a carga tributária tem que reduzir.