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EDUCAÇÃO. O que é propriedade intelectual? veja o que significa o conceito e o que a UFSM desenvolve

Patinete para pessoas com nanismo, manteiga probiótica e clipe para rédeas

Além de meio transporte, o patinete para pessoas com nanismo pode servir como plataforma para alcançar objetos

Por Marina Brignol / Da Agência de Notícias da UFSM

No último domingo (26), quando se celebrou o Dia Mundial da Propriedade Intelectual. De forma simples, a propriedade intelectual diz respeito ao resguardo do que é criado a partir do conhecimento. Isso inclui desde um software até uma marca, obras científicas e artísticas ou uma invenção desenvolvida em laboratório. Na prática, esses direitos garantem reconhecimento e permitem que essas criações sejam utilizadas de forma segura. Para o ambiente universitário, a propriedade intelectual tem um papel estratégico: ela conecta a produção científica com a sociedade e, assim, transforma a pesquisa em soluções concretas.

Na UFSM, a propriedade intelectual está diretamente ligada ao que é produzido em sala de aula e nos laboratórios. Segundo o pró-reitor de Inovação e Empreendedorismo, Daniel Bernardon, muitas das tecnologias protegidas surgem de pesquisas acadêmicas. “Trata-se das proteções das tecnologias desenvolvidas na instituição, sendo que muitas são oriundas de teses de doutorado, dissertações de mestrado e trabalhos de conclusão de curso”, afirma. Essas criações, quando protegidas, podem ser transferidas para empresas ou instituições e chegar ao dia a dia da população.

A coordenadora de Transferência de Tecnologia e Propriedade Intelectual, Lauren Lorenzoni, reforça que a proteção é apenas uma etapa do processo. “Isso faz com que o conhecimento gerado dentro da universidade não fique restrito a artigos científicos, mas se transforme em produtos, serviços e melhorias concretas”, explica. Ela ressalta que proteger não pode ser traduzido como restringir o acesso. “É importante destacar que proteger não significa ‘guardar’ o conhecimento, mas criar as condições para que ele possa ser desenvolvido e utilizado de forma segura e organizada.”

Como funciona na prática

Para que uma tecnologia seja protegida, é necessário que se trate de uma invenção e que ela tenha aplicação prática, ou seja, uso industrial. Depois disso, o pedido é encaminhado ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), responsável pelos registros no país. Com a proteção, começa uma nova etapa: encontrar quem possa utilizar essa tecnologia. Isso pode acontecer por meio de empresas, parcerias ou até pela criação de startups. Na UFSM, esse processo é conduzido pela Pró-Reitoria de Inovação e Empreendedorismo (Proinova), que atua tanto na proteção quanto na transferência das tecnologias.

Tecnologias desenvolvidas na universidade são aplicadas em setores como agricultura, energia, biotecnologia e meio ambiente. Entre os exemplos estão o Sistema Irrigasoftware de irrigação utilizado inclusive fora do país, e a empresa BioDos, criada a partir de uma tecnologia da UFSM para medição de radiação ultravioleta. Parcerias com empresas locais, como a Cervejaria Zagaia e a Ingal, também mostram como essas soluções contribuem para o desenvolvimento da cidade.

Para estimular a transferência de tecnologias, a Proinova disponibiliza o Portfólio de Tecnologias da UFSM, plataforma que reúne criações desenvolvidas por pesquisadores da instituição. O material é organizado de acordo com as seguintes áreas: desenhos industriais, softwares e aplicativos, patentes e cultivares. Lá são apresentadas informações como aplicabilidade, oportunidades de mercado e diferenciais das tecnologias.

Dentre o grupo de desenhos industriais pertencentes à UFSM, há o clipe para rédeas, produto tridimensional feito em polímero ABS para ajuste das rédeas em treinos de hipismo. Tem também o patinete multifuncional para pessoas com nanismo, que assume três formatos diferentes e pode servir tanto como meio de transporte quanto como plataforma para alcançar objetos. É um universo de inovações: bebedouro público com identidade icônicamáquina de vendas de passagensbrinquedo de labirinto com figuras de animais e muitas outras.

Isso tudo apenas com relação aos desenhos industriais. Ainda há patentes como manteiga probióticacarro facilitador de cuidado hospitalar, vários softwares e aplicativos (inclusive das ciências humanas e sociais aplicadas) e cultivares de aveia-preta e cana-de-açúcar. Além disso, a universidade realiza chamadas públicas para empresas interessadas em licenciamento, o que amplia as possibilidades de parceria e uso dessas soluções.

Crescimento em patentes e retorno financeiro

Os números ajudam a dimensionar esse movimento. A UFSM possui mais de 300 tecnologias protegidas e tem ampliado o número de licenciamentos nos últimos anos. Em 2025, a universidade registrou 13 concessões de patentes de invenção em diferentes áreas do conhecimento. A concessão de uma patente representa o reconhecimento de que uma tecnologia atende critérios técnicos e legais, o que amplia as possibilidades de aplicação e transferência.

O processo também gera retorno financeiro para a instituição. A UFSM está entre as universidades brasileiras com maior recebimento de royalties, nome dado aos valores pagos pelo uso de tecnologias protegidas. A instituição está em sétimo lugar no ranking por valor médio anual, segundo relatório do Grupo de Trabalho do Colégio de Pró-Reitores de Pós-Graduação, Pesquisa e Inovação (Copropi), o qual faz parte da Associação Nacional de Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes).

Semana da Propriedade Intelectual aproxima a comunidade

Para ampliar o debate sobre o tema e convidar a comunidade a conhecer mais sobre suas próprias tecnologias, a UFSM promove, de 27 a 30 de abril, a Semana da Propriedade Intelectual, com atividades nos campi de Santa Maria, Frederico Westphalen, Palmeira das Missões e Cachoeira do Sul. Com o tema “Da ideia ao impacto”, a programação inclui palestras, oficinas e atividades formativas sobre proteção de tecnologias, prospecção e instrumentos jurídicos para parcerias.

A abertura ocorre em Santa Maria, com a palestra “Construção de patentes relevantes na era da IA”, que será ministrada por Henry Suzuki. Ao longo da semana, também serão realizados desafios, apresentações institucionais e atividades voltadas à transferência de tecnologia. Outro destaque é a Mostra de Tecnologias Protegidas da UFSM, que apresenta pesquisas e protótipos desenvolvidos na universidade, aproximando essas soluções de possíveis parceiros e aplicações no mercado.

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6 Comentários

  1. Resumo da opera II. Brasil está uns 60 anos atrasado tecnologicamente. Como a moda é ‘inovação’ por conta da ‘auto-estima’ o pais não poderia ficar de fora. Logo qualquer porcaria vira ‘inovação’. Para convencer tentam usar propaganda que funcionaria 30 anos atras. Quando não havia internet e a informação era muito dificil de ser obtida. Patético.

  2. Resumo da opera. Comemoram retorno de 350 mil reais para a instituição em royalties. Só não informa quanto foi gasto para gerar o valor. Propaganda. Sistema de propriedade intelectual quebrou, principalmente depois da participação da China nos mercados mundiais. Legislação local estipula pagamento reduzido de royalties. E patentes esdruxulas, coisas comuns patenteadas por la que são dominio publico aqui para fazer empresas estrangeiras pagarem royalties.

  3. ‘Tecnologias desenvolvidas na universidade são aplicadas em setores como agricultura, energia, biotecnologia e meio ambiente.’ Dilema, desenvolvem o que algumas empresas já tem como produto de prateleira.

  4. ‘ A UFSM está entre as universidades brasileiras com maior recebimento de royalties,[…]’. Segundo a Anfifes. Estou vendendo um viaduto na BR158.

  5. ‘A concessão de uma patente representa […]’ que dinheiro publico foi gasto porque não sai de graça.

  6. Patinete para pessoas com nanismo, manteiga probiótica e clipe para rédeas. A humanidade não poderia ir adiante sem estes ‘avanços’.

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