Maio Amarelo e o valor da chegada – por João Luiz Vargas
“Se puder, vá mais devagar. Respeite a vida. Cuide de você e cuide do outro”

Desde 1991 percorro, quase semanalmente, os 530 quilômetros entre Porto Alegre e São Sepé. Para não ser injusto com a história, houve um intervalo entre 2020 e 2024 em que, por escolhas profissionais e dedicação ao trabalho, deixei de fazer esse caminho com a mesma frequência. Ainda assim, tirando esse período, a estrada entre as duas cidades sempre fez parte da minha vida.
De um lado, a cidade onde construí minha trajetória profissional. Do outro, o lugar que escolhi viver, reencontrar minha família, meus amigos e buscar refúgio nos dias mais difíceis.
A estrada me ensinou muito sobre distância, saudade e retorno. Também me ensinou sobre fragilidade. Porque quem viaja sabe que cada partida carrega junto a esperança tranquila da chegada.
Desde aquela época, e talvez ainda mais hoje pela idade, recebo mensagens cheias de carinho. “Cuidado na estrada.” “Me avisa quando chegar.” Pequenas frases que revelam um sentimento que atravessa gerações: o medo de perder alguém no caminho.
O Maio Amarelo nos convida justamente a essa reflexão. O trânsito não é feito apenas de veículos, pressa e quilômetros. Ele é feito de vidas. De famílias esperando notícias. De amigos aguardando uma mensagem. De pessoas que desejam apenas voltar para casa.
Que a pressa nunca seja maior que o cuidado. Que a imprudência jamais fale mais alto que a responsabilidade. E que possamos lembrar, todos os dias, que dirigir também é um ato de amor com quem está ao nosso lado e com quem nos espera.
Se puder, vá mais devagar. Respeite a vida. Cuide de você e cuide do outro.
Porque chegar bem sempre será o destino mais importante.
(*) João Luiz Vargas, ex-prefeito de São Sepé, ex-deputado, ex-presidente da Assembleia Legislativa e ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado). Ele escreve no site às sextas-feiras.





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