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Sobre mães – por João Luiz Vargas

“Mães silenciosas, expansivas, rígidas, doces, que acertam e que...”

Mãe não nasce pronta. Mãe se torna. E talvez essa seja uma das maiores injustiças e, ao mesmo tempo, uma das maiores belezas da vida. A sociedade, muitas vezes, trata a maternidade como algo natural demais, como se toda mulher já viesse ao mundo sabendo exatamente o que fazer, como agir, como sentir. Como se existisse um manual invisível entregue junto ao primeiro choro de um filho.

Mas não existe.

Existem mulheres tentando. Aprendendo enquanto vivem. Chorando escondido para sorrir depois. Sentindo medo, culpa, exaustão e, ainda assim, encontrando forças que talvez nem soubessem possuir. Existem mulheres que sonharam a vida inteira em ser mães. Existem aquelas que se tornaram mães e, no meio do caminho, transformaram esse fato em sonho. Existem mães silenciosas, mães expansivas, mães rígidas, mães doces, mães que acertam e mães que erram tentando acertar.

Dizem que toda mãe é igual. Talvez exista mesmo algum segredo invisível que aproxime gestos, preocupações e olhares. Talvez exista algo no amor de mãe que faça algumas semelhanças inevitáveis aparecerem. Mas nenhuma mãe é igual à outra. Porque nenhuma mulher é igual à outra.

Cada uma carrega sua própria história, suas dores, suas renúncias e sua maneira única de amar.

Eu acho o ser humano algo curioso. Mas acho as mulheres incríveis. E as que são mães, extraordinárias.

Não existe mãe perfeita. Existe uma mulher em busca do melhor para o seu filho, ou filha, mesmo quando o caminho parece impossível. Existe alguém que, muitas vezes, abre mão de si para tentar construir um mundo mais seguro para outro alguém. E talvez esteja justamente aí a grandeza da maternidade: na tentativa diária. No amor imperfeito, mas profundamente verdadeiro.

Escrevo esta homenagem ao Dia das Mães com carinho e sentimento profundo para todas elas. Com admiração, respeito e também curiosidade diante dessa capacidade tão humana de amar além dos próprios limites.

Que nunca lhes falte reconhecimento pela coragem de exercer, todos os dias, um dos papéis mais difíceis e mais bonitos da humanidade.

(*) João Luiz Vargas, ex-prefeito de São Sepé, ex-deputado, ex-presidente da Assembleia Legislativa e ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado). Ele escreve no site às sextas-feiras.

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