Entre o jogo paralisado e o alerta ignorado: reflexões sobre segurança e clima – por Rosito Zepenfeld Borges
Então: paralisação de um jogo nos EUA e eventos atmosféricos extremos no RS

A paralisação da partida entre Palmeiras x Al Ahly por 17 minutos, válida pela Copa do Mundo de Clubes, no MetLife Stadium em Nova Jersey em 19 de junho causou estranheza em muitos brasileiros. Paralisações semelhantes ocorreram em pelo menos duas outras partidas do torneio. O motivo estaria relacionado à existência de condições atmosféricas desfavoráveis.
No país sede há uma lei que impede a realização de atividades esportivas a céu aberto em caso de alertas de tempestades ou outras adversidades relacionadas ao clima. Tal estranheza reside no fato de estarmos acostumados a assistir eventos esportivos, em especial futebol, em condições de chuvas intensas e outras situações semelhantes. Geralmente as partidas são paralisadas somente quando a situação já se apresenta de forma crítica, com risco iminente.
Essa diferença de postura levanta uma questão importante: qual a ligação entre a paralisação de um evento esportivo nos Estados Unidos da América e os eventos atmosféricos extremos ocorridos no Rio Grande do Sul, em especial nos dois últimos anos, e suas consequências?
A resposta está relacionada à cultura de segurança, que representa o conjunto de valores, crenças, atitudes e comportamento compartilhados por membros de um grupo – comunidades ou empresas – em relação a como as questões de segurança são percebidas, quais as prioridades e como é praticada no dia a dia.
Ela influencia diretamente o comportamento da população em situações de risco, pois determina como as pessoas percebem o perigo, e, principalmente, como reagem a ele e quais atitudes adotam para proteger a si mesmas e aos outros.
Principalmente após os eventos iniciados em maio de 2024, que causaram o maior desastre relacionado às condições climáticas no Rio Grande do Sul, começamos a nos familiarizar com avisos meteorológicos e alertas da Defesa Civil. Já existiam sistemas de alerta antes. A diferença é que, na maioria das vezes, os avisos eram ignorados – reflexo de uma cultura de segurança ainda pouco desenvolvida.
Em países onde essa cultura está em um nível mais avançado os processos ocorrem de forma mais natural, com pessoas que compreendem os alertas e agem preventivamente. Ainda temos uma cultura predominantemente reativa: só nos mobilizamos quando o perigo já se concretizou, como a paralisação de um jogo de futebol somente quando a chuva já torna o jogo impraticável.
Muitas das comunidades impactadas pelos eventos do ano passado tiveram esse processo de desenvolvimento de uma mentalidade proativa e cultura de segurança amadurecida de forma rápida, muito pela situação traumática vivenciada. Entendem e agem de forma mais responsável aos alertas emitidos pelas autoridades. Atualmente, contamos com um sistema de avisos emergenciais emitidos pela Defesa Civil por meio de um aplicativo.
Mas fica a reflexão: você deixaria um evento esportivo caso recebesse um alerta da Defesa Civil? Cancelaria uma viagem? Não precisa responder agora. Mas uma coisa é certa: precisamos avançar muito no desenvolvimento de uma cultura de segurança e de resiliência, especialmente em nível local.
(*) Rosito Zepenfeld Borges é Engenheiro de Segurança do Trabalho





Resumo da opera. Risco, a midia não procura as seguradoras para informar a população sobre as estatisticas de sinistros. Em muitos estados ianques para um(a) medico(a) exercer a profissão é obrigado por lei a ter uma apolice de seguro cobrindo erro e negligencia. Não porque sejam comuns, mas as despesas legais são absurdas naquele pais, sai mais barato acionar o seguro do que litigar na justiça.
‘Cancelaria uma viagem?’ Nem toda viagem é cancelavel. Pode ser por motivo de saude. Pode ser a ultima chance de ver um familiar ainda com vida. Conheço caso de gente se deslocando de POA por ter um parente nas ultimas. Sofrer acidente na rodovia e ir a obito. E o parente se recuperar para viver ainda muitos anos.
‘[…] você deixaria um evento esportivo caso recebesse um alerta da Defesa Civil?’ Parcela da população que frequenta eventos esportivos é pequena. Principalmente em SM.
‘Ainda temos uma cultura […]’. Não tinha decorrido muito tempo depois da tragedia da Kiss e dois aborrescentes acionaram o alerta contra incendio num shopping da cidade. Obviamente deu nada. Outra: muitos acidentes acontecem porque os tupiniquins acham que as coisas ruins só acontecem com os outros. Acham que tem ‘o corpo fechado’. Logo tem muita coisa para mudar.
‘[…] causou estranheza em muitos brasileiros. Paralisações semelhantes ocorreram em pelo menos duas outras partidas do torneio. O motivo estaria relacionado à existência de condições atmosféricas desfavoráveis.’ Só os desavisados. CBF tem uma regra de paralisação dos jogos quando a temperatura ultrapassa 28º C. Uma parada por tempo apos os 20 minutos.