A relação “time de futebol x número de habitantes” – por Guilherme Bicca
Ela “não se dá com população, e sim com poder econômico e engajamento”

Difícil não falar de futebol essa semana, né? Afinal de contas, o Inter SM, depois de 14 anos, volta à elite do futebol gaúcho.
E nesses 14 anos, em especial 2024, ouvi muitas pessoas dizerem: “não tem cabimento uma cidade como Santa Maria, com quase 300 mil habitantes, não ter um time na Série A do campeonato gaúcho”. Eu estranhava um pouco essa afirmação.
Sempre tive convicção de que a relação entre time de futebol e número de habitantes não fazia sentido. Prova disso são o Mirasol e o Juventude disputando a Série A do Campeonato Brasileiro. Quantas cidades mais populosas não têm time sequer na Série B?
Na última segunda-feira, em sua coluna no Diário de Santa Maria, Deni Zolin, providencialmente, fez um levantamento dos times da Séria A do Gauchão e suas respectivas cidades.
Entre as mais populosas, só Porto Alegre, Caxias, Novo Hamburgo e Santa Maria terão times na série principal, ano que vem. Cidades como Canoas, São Leopoldo e Gravataí, não têm times na Série A.
O que indica, pra mim, que a relação não se dá com população, e sim com poder econômico e engajamento.
Se de um lado nós temos as duas cidades mais ricas, Porto Alegre e Caxias, com 6 times, do outro nós temos cidades menores, mas com bom poder econômico e/ou muito engajamento da comunidade, como Bagé, Erechim e Ijuí (aqui postas em ordem alfabética, não em ordem econômica ou de engajamento).
Eu morei, amigos, em Campo Bom. Bem na época em que o 15 de Campo Bom fazia sucesso. Uma cidade que, naquele período, tinha pouco mais de 20 mil habitantes.
E minha casa ficava na rua de trás do estádio do 15. Em dia de jogo, eu não ouvia minha TV. Era uma mobilização enorme da cidade inteira, e até da região, mesmo com Campo Bom ficando no Vale dos Sinos, onde tinham outros clubes como o Novo Hamburgo e o Aimoré.
Mas as empresas locais viam valor em apoiar o 15 e em conectar com a comunidade ao redor do time. Mesmo tendo pouco mais de 20 mil habitantes.
E isso a gente viu este ano com o Inter SM, que conseguiu mobilizar a comunidade e fazer as empresas (não só as locais) verem valor nesse projeto.
Então… independentemente de ter 300 ou 30 mil habitantes, Santa Maria tem torcida; tem comunidade engajada; tem imprensa que compra a briga; e tem empresas que acreditam no projeto.
E é por isso que o Inter SM voltou para de onde não devia ter saído. E enquanto todo esse ecossistema, digamos assim, fez um bem danado pro Inter SM, a volta do Inter vai fazer um bem danado pra Santa Maria.
Eu, como colorado, depois do extermínio para o Flamengo na Libertadores (porque eliminação é pouco para o que aconteceu) bem que queria que o Inter lá de Porto Alegre tivesse os astros alinhados assim. E também um Jarro, um Mateus Santana e, principalmente, um Pedro Della Pasqua… que tal heim?!
(*) Guilherme Bicca é jornalista graduado na Universidade Franciscana (UFN) desde 2008. Nesses anos, especializou-se em assessoria de comunicação integrada, quando realizou trabalhos junto a instituições como Sociedade de Medicina; Apusm; Sindilojas; e, mais recentemente, CDL Santa Maria. Está à frente da comunicação de entidades como Adesm e Secovi Centro Gaúcho; presta assessoria especializada ao Fidem Bank; é redator sênior na Jusfy, legaltech eleita a startup mais escalável do último South Summit. Também é um dos âncoras do Semanário, programa veiculado aqui mesmo em claudemirpereira.com.br; e criador do podcast Bocas do Monte, da TV Santa Maria. Guilherme Bicca escreve às sextas-feiras no site.





Resumo da opera. Se não tiver gente capaz não adianta dinheiro ou população. Sem gestão competente as coisas não acontecem. Tia Leila do Palmeiras é carioca, jornalista e advogada. Casou com um empresario e agora toca o clube e os negocios da familia. Coloca a direção dos clubes gaúchos no chinelo.
Inter tem um divida que passa dos 830 milhões. Gremio pouco mais de 560 milhões. Para igualar as duas teria que aumentar a do Gremio pela metade, multiplicar por 1,5. As duas direções são incompetentes. Gremio com perspectiva um pouco melhor graças ao cacetinho.
‘Eu, como colorado, depois do extermínio para o Flamengo na Libertadores (porque eliminação é pouco para o que aconteceu) […] bem que queria que o Inter lá de Porto Alegre tivesse os astros alinhados assim.’ Pouca coisa é mais perigosa do que gente burra com iniciativa. E dê-lhe papel picado. Pior, plastico.
‘[…] o Inter SM, que conseguiu mobilizar a comunidade […]’ Uma parte. Truquezinho da imprensa, fazer uma minoria parecer a maioria. Vide ESA.
Joinville em SC tem PIB per capita maior do que o de Caxias. Joga a serie A, mas não tem a tradição de Avai, Criciuma e Figueirense.
‘Sempre tive convicção de que a relação entre time de futebol e número de habitantes não fazia sentido. Prova disso são o Mirasol e o Juventude disputando a Série A do Campeonato Brasileiro.’ PIB per capita de Mirassol é uns 30% maior do que o da aldeia. Caxias tem dois times, mas o PIB per capita é praticamente o dobro da urb. Juventude tem torcida na região e esta tem dinheiro. Mas a grande diferença do Mirassol é a profissionalização da gestão.