Caminho Livre

Trânsito – por Bianca Pereira, de Chandigarh, Índia

A demora para escrever e mandar esse texto tem desculpa. Muitas coisas aconteceram nessas últimas semanas, boas e ruins. Foram lugares para visitar, pessoas para conhecer e decisões para tomar que mudarão a minha vida aqui pelos próximos 10 meses. E a falta do wifi no apartamento não ajuda!

O meu “tempo livre” para escrever foi trocado temporariamente por tentativas de dormir e descansar a cabeça e muitas conversas com pessoas daqui e daí para me ajudar a tomar uma decisão e me sentir bem com ela.

Para vocês entenderem melhor, estou trocando de emprego. Os motivos virão em outro texto,  assim que conseguir organizar meu pensamento sobre o assunto, por agora só é preciso saber que a ideia é ficar aqui até meu visto expirar (setembro de 2017), mas trabalhando em outro lugar. Definitivamente, uma decisão que muda todo meu rumo aqui e toma meu “tempo livre” para se concretizar.

Então, vamos falar sobre trânsito?

Há várias formas de se deslocar por aqui, a maioria das pessoas possuem motos, scooters ou carros, porém há táxis, ubers, tuk tuks (estilo de taxi, mas menor e sem portas) e as bicicletas puxadas por pessoas. Os taxis funcionam como os nossos, você liga e eles atendem e aparecem; porém, para estrangeiros é complicado, já que a maioria não fala inglês e não é sempre que temos um indiano por perto para traduzir. O jeito mais fácil é usar aplicativos como Uber ou o Jugnoo (localiza tuk tuks).

Você pode pegar um tuk tuk na rua, eles cobram 10 ou 20 rupias (menos de R$ 1,00) para seguir uma linha reta e você precisa barganhar com eles pelo preço para qualquer outro caminho. Eles cobram caro de quem é estrangeiro, por isso surgiu o Jugnoo, um aplicativo no estilo Uber onde, antes de confirmar a corrida, a gente recebe uma estimativa da conta.

Como tudo é online, o passageiro paga o valor que aparece na tela do celular e nada mais. Os tuk tuks normais podem parar para pegar passageiros a qualquer hora, não importando se você está dentro ou se está quase lotado, por isso são considerados perigosos para estrangeiras sozinhas. A última forma é o carrinho de tração humana, com bicicletas. Andei uma vez por insistência de um amigo que queria que eu tivesse todas as experiências indianas, mas não consegui aproveitar a viagem pensando que devia estar muito pesado e difícil de carregar duas pessoas. Eu uso os aplicativos para me locomover aqui e as vezes consigo caronas de amigos.

A gente acha o transito de Santa Maria caótico nos horários de pico; claro, nada comparado a São Paulo ou Rio de Janeiro; mas caótico mesmo assim. Tudo para, ficamos horas em filas, demoramos mais de hora para chegar em lugares que geralmente se leva 20 minutos. Aqui? Existe horário de pico sim, pelas 19h, quando todos estão saindo do trabalho, mas a diferença gritante nos nossos trânsitos não é esta. Há regras, como as nossas, mas quem disse que o “jeitinho indiano” de se fazer as coisas segue regras?

Muita gente possui moto ou scooter aqui e é raro ver pessoas de capacete; a maioria não usa. Mulheres usam véu e óculos escuros para escapar da poeira das ruas. Andar de moto em três ou mais pessoas é normal. Já vi famílias de cinco pessoas (pai, mãe e 3 filhos pequenos) na mesma moto e eles dirigem rápido. Sem contar que não há sinalização nas ruas, algumas sinaleiras entre os setores e muitas avenidas, mas quem diz que ter uma divisória entre os dois lados da rua impede o “jeitinho indiano” de andar pelo lado errado?

Você errou o caminho? Tudo bem, só entre na próxima rua do jeito que você achar melhor e siga seu rumo. Para que fazer uma grande volta, certo? A sinaleira recém fechou e você não quer esperar? Veja se a polícia não está por perto e vá, ninguém vai ver. O seu lado da rua tem muito tráfego? Vá pelo outro, algum carro vai sair da frente para você passar; afinal a buzina serve para que?

Nas primeiras semanas aqui não podia olhar o caminho toda vez que saía de carro ou tuk tuk. Sempre parecia que íamos bater a qualquer segundo. Agora estou mais acostumada e a loucura do trânsito não me assusta tanto; porém não prestar atenção nele é a melhor saída.

O transito é muito barulhento; eles buzinam para tudo! Para alguém sair da frente, porque alguém fez algo errado, porque eles fizeram algo errado, pra chamar atenção de alguém, para dobrar, para seguir reto, simplesmente porque está muito quieto… É uma loucura! E esta é uma das cidades mais calmas da Índia em relação ao trânsito. Quando comento com alguém sobre isso todos respondem “imagina quando for para Delhi”!

Deixo vocês com alguns vídeos que mostram um pouco do trânsito aqui, como trabalho no horário de pico e saí poucas vezes nele não pude filmar a loucura maior, mas prestando atenção vocês verão a falta de sinalização, o não uso do capacete e as milhares de buzinas por todo lado!

CONFIRA O TRÂNSITO EM QUATRO PEQUENOS VÍDEOS

 

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