Caminho Livre

“Então é Natal, e o que a gente fez? O ano termina, e começa outra vez!” – por Bianca Pereira, de Chandigarh, Índia

O grupo em Shimla, com suas diferenças óbvias, mas com algo a uni-los: passar o Natal em terra diferente da de todos eles
O grupo em Shimla, com suas diferenças óbvias, mas com algo a uni-los: passar o Natal em terra diferente da de todos eles

Passei todo o natal com essa música na cabeça, não exatamente toda a música, mas essa parte em particular. Esse foi o primeiro Natal longe da minha família grande e louca do Brasil, e perto da família grande e louca que montamos na Índia. Então imaginem o meu “bom humor” depois de algumas semanas me estressando com tudo e passando meu primeiro Natal longe da família que, por mais que seja “de sangue” (tenho pavor dessa definição), eu sempre escolheria ter por perto (no pensamento de família a gente escolhe, parente não).

Na verdade, a viagem de Natal foi bem desorganizada nas questões de dinheiro (até agora não tenho certeza do que estava incluso no preço e porque paguei algumas coisas) e de quantas pessoas seríamos, quem realmente estava convidado e iria.

Era para irmos para Shimla, alugar uma casa lá, fazer um “barbecue” – me recuso a chamar isso de churrasco! – e passar o fim de semana. No fim, não achamos lugar em Shimla e acabamos alugando uma casa em Solan, um pouco antes do primeiro lugar, a cerca de três horas de Chandigarh.

A casa na verdade surpreendeu a todos. Era quase no meio da cidade, porém num lugar alto que a colocava em isolamento. Tínhamos os dois andares inteiros para nós, os donos ficariam por lá, porém não se incomodavam com o barulho. A vista da cidade era linda, cercada de montanhas e casas coloridas agrupadas nas encostas. Tinha até um restaurante e um café a poucos metros de distância.

A festa foi numa casa de dois pisos, teve quinze pessoas e o “barbecue” (não de carne bovina, claro) foi feito por elas
A festa foi numa casa de dois pisos, teve quinze pessoas e o “barbecue” (não de carne bovina, claro) foi feito por elas

A organização para a ida também foi meio tumultuada. Duas pessoas iriam de carro e teria mais vagas, porém muita gente do nosso grupo trabalha no mesmo lugar e foram estes que acabaram indo no carro. Como as minhas duas colegas de apartamento trabalham com quem iria de carro, elas me colocaram numa das vagas! O restante iria de ônibus. Fui uma das primeiras a chegar lá, esperamos o restante do pessoal e resolvemos comer algo antes de começar a cozinhar o “barbecue”.

O que paguei meio sem pensar foi o “barbecue” vegetariano, cheio de abacaxis, pimentões e sei lá mais o que. Nem um pouco para mim. Comi bem no café, percebendo que só comeria quando a carne (galinha claro, a carne de porco, que se acha por aqui, é muito cara) chegasse e me atraquei nas chips, que não são rufles, até essa hora.

Nossa carne chegou atrasada, perto das 23 horas, bem quando terminaram de assar o resto. Claro que daí começou a briga sobre quem iria assar, só havia duas pessoas que sabiam como fazer um “barbecue”, ou sabiam pelo menos o básico sobre, e essa última era eu! Minha colega de apartamento era a outra, mas num grupo grande como o nosso (éramos 15 pessoas nessa hora) com gente de tudo que é personalidade, certo que alguém iria querer bancar o palhaço e, como a pessoa mesmo disse, “testar como se faz um barbecue”. Para quem estava morrendo de fome e queria comer o mais rápido e o máximo que desse foi uma péssima ideia.

No fim, a maior parte da carne estava queimada por fora e ainda crua por dentro. Claro que não comi muito, peguei as que a minha colega fez e comi estas que estavam realmente prontas.

Não dissemos muitos “feliz natal”, mas dançamos, fizemos um amigo secreto que continua secreto (você pede para outra pessoa entregar o presente para você – eu ganhei uma espécie de lanterna, onde se colocam velas), alguns jogos de beber e ficamos conversando sobre qualquer assunto. Fui uma das últimas a dormir. Na verdade devo ter dormido uma hora só.

Para mim foi meio tedioso, estava estressada, com saudade de casa e a internet resolveu não funcionar até a manhã do outro dia. Não consegui falar com a família na virada, daqui ou daí, o que me deixou pior. Tentei aproveitar, mas estava num humor tão ruim que só conseguia ver o lado negativo das coisas.

Paisagem linda, disponível a partir do local em que o grupo, inclusive a blogueira, passou o final de semana natalino
Paisagem linda, disponível a partir do local em que o grupo, inclusive a blogueira, passou o final de semana natalino

No outro dia fomos para Shimla. Nos falaram que tinha neve nas montanhas mais acima. Aí que tudo piorou. Tínhamos um carro indo para lá, com 6 pessoas já, decidi que não queria ser a 7 num carro para 5 (lembrem que eles não seguem praticamente nenhuma regra de transito aqui!) e decidi ir de ônibus com os meninos. Estava chuviscando, tivemos que caminhar bastante, o ônibus demorou, e meu humor foi ficando pior, e ainda estava cansada por não ter dormido quase nada, mas pelo menos consegui dormir no ombro de um amigo durante a viagem.

Não tinha neve em Shimla, tinha um concerto de Natal. Mas além disso só muita gente. Total perda de tempo e de sono. A volta foi numa minivan que alugamos para nos deixar em casa. Claro que na chegada o motorista não quis nos deixar nem um pouco perto de casa e só queria fazer o caminho dele. Tivemos que descer num frio de matar, pegar um tuktuk (era o modo mais rápido de chegar em casa) e congelar por alguns minutos a mais.

Foi legal, mas sinceramente acho que não foi uma boa ideia ter passado o Natal com todo mundo. Tudo que eu precisava e queria era estar em “casa” com o meu “todo mundo”. Eles não comemoram Natal aqui, não há muitas luzes, ou decorações, o que torna tudo meio surreal. Mas já passou e foi um dos últimos fins de semana com o grupo que temos agora; muitos estão indo embora nas próximas semanas.

Os planos do ano novo mudaram, consegui tirar uma semana de folga do trabalho e eu e a Iules (Jules),uma das meninas do apartamento, estamos indo viajar na sexta para visitar várias praias perto de Goa (que por sinal tem colonização portuguesa, e todos me falaram que muita gente fala português de Portugal), eu volto dia 6 ou 7 de janeiro para um apartamento novo e só para mim e muitas mudanças na rotina do grupo. Ela ainda vai mais ao sul da Índia por mais uma semana.

Então foi o Natal, e eu me pego pensando em tudo que aconteceu esse ano, todas as mudanças e tudo que ainda está por vir. Tenho tentado melhorar meu humor, e torço para que a praia me ajude a voltar ao jeito que estava antes, vendo que não é fácil, mas conseguindo aproveitar ao máximo cada experiência.

PS: finalmente recebi meu salário! No fim do mês, mas inteiro e pronto para a viagem. Que mês que vem não seja assim!

CONFIRA DOIS VÍDEOS CURTOS FEITOS PELA BLOGUEIRA:

 

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