Viagens e mais viagens – por Bianca Pereira, de Chandigarh, Índia

Viagens e mais viagens – por Bianca Pereira, de Chandigarh, Índia

Em quase quatro meses consegui viajar muito pouco: apenas três cidades. Em duas passei apenas algumas horas e na terceira passei três dias. Primeiro porque trabalhava de terça a domingo, com folga na segunda e um horário que fazia ser impossível tirar o fim de semana de folga; segundo por causa da situação de trocar de emprego (relembre AQUI), e toda a confusão de sair do antigo e não receber nada pelo mês trabalhado (é, a situação é só um pouco complicada).

Viagens e mais viagens – por Bianca Pereira, de Chandigarh, Índia - bi-1A primeira viagem foi para Kasauli, uma cidadezinha do distrito de Solan, no estado de Himachal Pradesh. Está a cerca de 70 km de Chandigarh, porém demora quase três horas para chegar lá, já que é subindo a montanha, 1,900 metros acima do nível do mar, e tem o trânsito maluco para encarar. A cidade (fotos acima) foi fundada pelos britânicos em 1842 e tem uma população de quase 5 mil pessoas.

Passamos um dia lá, saindo bem cedo da manhã. Na verdade, logo depois do meu trabalho, o que deixa claro que eu estava quase dormindo a viagem inteira. A cidade é pequena, porém tem trilhas e um templo para ver. Lá descobri que meu passaporte tem um aviso que não posso passar por lugares militares, então não poderia ver o templo, porém pareço indiana, e o nosso motorista me convenceu a tentar passar sem mostrar meu passaporte. Dito e feito, passei sem problema nenhum – eu sei que não foi legal! Mas nem saí das vistas dos guardas, estava tão cansada que fiquei no restaurante esperando o pessoal voltar do templo. Na verdade, essa viagem foi meio perdida para mim; fazia bem mais de 24 horas que estava acordada e não havia forma de conseguir aproveitar nada.

Viagens e mais viagens – por Bianca Pereira, de Chandigarh, Índia - bi-2A segunda viagem aproveitei mais. Fomos num feriado de domingo que tive livre, pois era o dia de Gandhi Jayanti, um festival nacional celebrado todo ano no dia 2 de outubro, comemorando o nascimento do “Pai da nação”, Mohandas Karamchand Gandhi. Também é considerado o dia da não-violência e é um “dia seco” no país inteiro, não podendo ser comprado álcool em lugar nenhum (por isso o clube não funcionou nesse dia). Shimla (nas fotos acimaé a capital e a maior cidade do estado do Himachal Pradexe, com cerca de 170 mil habitantes. A cidade foi declarada a capital de verão da Índia Britânica em 1864, e depois da independência tornou-se a capital do Panjabe, para depois ser declarada a capital do Himachal Pradexe. A cidade foi centro de eventos políticos importantes, como a Convenção de Shimla em 1914 e a Conferência de Shimla em 1945.

Para chegar na cidade, um pouco mais de 100 km de Chandigarh, demoramos quatro horas e na entrada precisamos subir dois andares de elevador. A vista é de morrer e o passeio foi muito legal, mas eu não sou muito interessada em entrar em tudo que é templo, prefiro falar com as pessoas e saber o que elas pensam da religião do que fingir que entendo tudo que está acontecendo no templo e que é muito diferente das missas nas igrejas – mesma coisa com línguas diferentes, porém há lugares com uma energia incrível!. Lá encontramos uma pessoa parecidíssima com Einstein, e um dos meninos indianos que estava comigo queria muito tirar uma foto com ele. Como pedem para tirar foto conosco toda a hora, só porque somos estrangeiros, falei que me vingaria e fui pedir uma foto para o cara. Ele foi super simpático e achou engraçado que uma estrangeira quisesse uma foto com ele. PS: lembram do primeiro texto? Quase quatro meses fazem uma diferença!

A cidade é linda, com um ar perfeito para caminhar e relaxar e cheia de edifícios de estilo da era colonial britânica. Passeamos pelo mercado, que estava fechando já que era feriado, e chegamos lá perto das 14h, e depois sentamos num café onde podíamos ver grande parte da cidade montanha abaixo.

Viagens e mais viagens – por Bianca Pereira, de Chandigarh, Índia - bi-3A terceira viagem foi depois que saí do clube, logo antes de começar no novo emprego. Precisava de um tempo para relaxar, longe da loucura que era procurar um novo emprego num país e numa cidade diferentes, precisava parar de pensar. Combinei com um amigo a viagem antes de saber que tinha sido selecionada para a nova vaga. Fomos na sexta de noite e voltamos na segunda.

Kasol é outra vila no Himachal Pradesh, (sim, só viajei para lá por enquanto), e é considerada o melhor lugar para os estrangeiros pararem. E, realmente, tem tanto estrangeiro lá que ninguém te encara ou acha estranho um por perto. São 149km de Chandigarh, um total de sete horas de viagem.

O caminho para os três lugares é quase o mesmo, só um mais para cima da montanha que o outro. Viajamos à noite pelas estradas cheias de curvas e de motoristas loucos. Realmente não é para os fracos de coração. As estradas são estreitas, mal passando os dois carros, e cheias de construções acontecendo, sem contar que é montanha acima e qualquer erro pode resultar em cair do penhasco. A ideia é não prestar atenção no caminho e não se concentrar nas curvas. Viajamos à noite, o que deixa tudo mais perigoso, mas o caminho da ida foi tranquilo, não havia muita gente na estrada. Ah, as três cidades tinham macacos por todos os lados!

Chegamos no hotel perto das 3 da manhã, tão podres que nem lembro como desci a “escada” que lavava para a ponte que dava para o hotel. Ficamos em um estilo de uma cabana, e a vista ao acordar era maravilhosa! No fim éramos eu e os meninos, como sempre, com o lugar quase todo para nós e uma vontade de não fazer nada a não ser aproveitar a paisagem.

O lugar é perfeito para quem gosta de relaxar vendo o rio passar e com uma vista que parece pintura. Passei os quase três dias escrevendo, lendo e apenas estando lá. Tudo que eu precisava para começar o trabalho novo com uma nova visão e completamente renovada.

Kasol também é conhecida pelas festas e drogas – pais, não se preocupem, não fiz nada. Acho que depois de todos os livros que li sobre isso, pessoas que conheci e coisas que vi, sei muito bem o que faz bem para mim ou não. E a minha droga de escolha sempre vai ser a comida. Os meninos aproveitaram a festa; eu aproveitei a fogueira e as cobertas quentinhas para aquele frio lindo das montanas.

A volta pareceu mais longa, mesmo fazendo o caminho em menos tempo e depois de termos nos perdido e quase ido para Shimla de novo. Mas estava tão cansada que só queria chegar em casa e dormir para acordar na terça pronta para a nova etapa.

No caminho de volta paramos na cidade de Manikaran para visitarmos a Gurudwara, um templo Sikh conhecido pelas aguas termais. Lá vimos pessoas cozinhando arroz nas aguas termais e entramos no templo para ver as camarás quentes. O lugar tem uma energia incrível!

Agora no Natal voltaremos para Shimla, natal com neve e a família louca e estranha que arranjei aqui. No ano novo vamos para a cidade de Khajuraho para ver o templo do Kama Sutra. E que venham novas viagens e novas histórias!

CONFIRA DOIS CURTOS VÍDEOS COM IMAGENS DE KASOL E SHIMLA

 



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