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Meio ambiente: que seja inteiro, que seja pleno – por Marta Tocchetto

A articulista e os motivos que a trarão a este espaço sempre as terças-feiras

Este ano, o Dia Mundial do Meio Ambiente teve um gosto amargo,

não apenas pela pandemia, mas pelos retrocessos em nosso país

Meio ambiente não significa metade ou parcela. Meio é espaço, lugar. Meio ambiente é ambiência. É ecossistema. É natureza. Natureza no sentido mais amplo, incluindo todos os seres, independente da complexidade, e os elementos que a compõe: florestas, matas, campos, mares, rios, plantas, rochas, atmosfera, solos, enfim todos os bens naturais presentes.

Durante muito tempo, acreditou-se na inesgotabilidade da natureza. Ocorre que tudo que se explora além da capacidade de recuperação, colapsa. O meio ambiente está em colapso! Ao tratá-lo como um sistema vivo, trago a visão de Capra – a grande teia da vida. A teia é formada por múltiplos fios que se conectam formando uma imensa rede. O rompimento de um pode custar a resistência da teia e colocar em risco o todo. O homem tem se desconectado desta teia, em muito pela ganância.

Nosso modo de vida se distanciou dos demais seres e, na minha visão, não pela inteligência humana, mas pela ausência dela. Na visão predatória que ainda domina e, no Brasil nos últimos tempos voltou com força total – o lucro justifica a destruição.

Neste rastro, crescem o desmatamento, a destruição das florestas, o garimpo ilegal, o extermínio de indígenas e de povos tradicionais, a impunidade, o uso de agrotóxicos, o desmonte das estruturas ambientais, dentre outros.

Ações chanceladas pelo Ministério do Meio Ambiente que mais parece o da Destruição. O Brasil detém a condição de um dos maiores destruidores do planeta pela adoção de políticas ultrapassadas. Ao contrário do restante do mundo, que revê padrões e estabelece acordos rumo à revolução da sustentabilidade, como proclama Al Gore.

O autor de “Uma verdade inconveniente” alerta para as perdas econômicas do país por não proteger a biodiversidade e por descumprir metas para frear as mudanças climáticas. A redução da exploração e do uso de combustíveis fósseis faz parte dessa agenda.

Por outro lado, assombram nosso estado, os grandes projetos de mineração de carvão. É como se o mundo andasse de trem bala e nós nos primitivos motores à combustão, em que nuvens de fumaça encobriam as cidades, como se isso representasse progresso.

As mudanças climáticas ultrapassam as pautas ambientalistas. Hoje, são pautas governamentais, políticas. São pautas dos cidadãos por meio de suas escolhas de consumo. Dia 5 de junho foi instituído o Dia Mundial do Meio Ambiente com o objetivo de refletir a sua importância.

Este ano teve um gosto amargo, não apenas pela pandemia, mas pelos retrocessos. O Brasil anda de marcha ré e olha pelo retrovisor as soluções para avançar em direção às medidas de proteção ao nosso principal capital, o capital natural.

Estes são os motivos que me trarão aqui sempre às terças-feiras. Motivos que regeram a minha formação profissional e regem minha atuação como cidadã. Regem minha vida. Trago a visão da professora, da mulher, da ambientalista ampliando os espaços de discussão em busca de um mundo melhor, mais fraterno, mais justo para todos e para todas, indistintamente, com posição, respeito e empatia.

Que seja um espaço de crescimento. Publicamente, reitero minha gratidão pela oportunidade, pelo espaço de fala e reflexão.

(*) Marta Tocchetto é Professora Titular aposentada do Departamento de Química da UFSM. É Doutora em Engenharia, na área de Ciência dos Materiais. Foi responsável pela implantação da Coleta Seletiva Solidária na UFSM e ganhadora do Prêmio Pioneiras da Ecologia 2017, concedido pela Assembleia Legislativa gaúcha. Marta Tocchetto, que também é palestrante em diversos eventos nacionais e internacionais, escreve neste espaço às terças-feiras.

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Um Comentário

  1. Fritjof Capra é um fisico que escreve livros de divulgação cientifica/auto-ajuda/picaretagem. Pessoal do juridico gosta de cita-lo na bibliografia, dai sai alguns absurdos do tipo ‘direito quantico’. Nenhum absurdo pessoal do juridico faz tese em direito ambiental e cita Revista Superinteressante.
    O autor de “Uma verdade inconveniente” previu que a neve do Kilimanjaro não existiria até 2015. Alás, o documentário catástrofe tem muitas previsões furadas.
    Criticas ao Cavalão são compreensíveis. Porém a cascata sobre a Amazônia não vai colar. Quando construiram a Usina de Belo Monte (e tem um monte de ‘lixo’ embaixo do tapete por lá) haviam mais 19 usinas do mesmo estilo no papel (lembro de uma audiencia no Congresso a respeito) e ainda estão por lá.
    Mais de 18 bilhões de dolares segundo alguns (Belo Monte), 19 bilhões de reais segundo outros ou ainda 30 bilhões de reais segundo outra estimativa. Vezes 20, vezes 3%. Logo se o objetivo é debater meio-ambiente melhor deixar os ‘ismos’ de lado.

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