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Geremildo e o ovo da “la minuta” – aconteceu em Santa Maria – por Marcelo Arigony

As dez cores do prato de comida e o ovo que o chamava, mas era proibido

Geremildo já não vinha à Terra da Boca do Monte há alguns meses. Adorava o calçadão e o chafariz da Praça Saldanha Marinho. Gostava de descer a Avenida Rio Branco até a gare e fazer autorretrato junto aos trens abandonados.

Desta vez queria ir a uma praça de alimentação… no segundo, ou terceiro andar de um shopping. Na sua geremildade imaginava uma praça suspensa – a la Spielberg – com jardins elevados desprezando a gravidade, fontes jorrando agua cristalina e muita comida.

Pois é, Geremildo veio de madrugadinha. E depois de muito pernear em volta da praça, comprar quinquilharias no shopping popular, comer churros e massa folhada, resolveu almoçar no Shopping.

Tudo ia bem, estava faceiro. Tinha medo de elevador. Resolveu subir até a tal praça de pela escada. Chegando ao local ficou decepcionado: um monte de gente esperando para almoçar; fila para servir; fila para sentar; fila para pagar. E nada dos jardins suspensos, nem da água cristalina.

Fazer o que?! O cheiro de fritura tinha aguçado o apetite. Foi para a fila de um restaurante self service. Viu o preço do almoço a dezenove reais e noventa centavos, e isso cabia no seu orçamento. Parecia um bom negócio, com duas carnes e sobremesa. Pois bem, Geremildo repetia mentalmente: – arroz e feijão não; arroz e feijão não!

Tinha lido que um prato com sete cores preenchia a necessidade nutricional. Seu prato teria ao menos dez cores. Arroz e feijão não! E foi enchendo o prato de saladas, regado a molho de iogurte. Depois manga e quivi por cima. Ficou uma aquarela. Caganeira certa (!)

Foi então que enxergou algo que fez os sentidos pulularem. Estavam lá, na chapa, fritando, ainda meio moles, vicejantes a chamar por Geremildo. Ovos fritos. Havia vários… seis ou oito ovos fritos.

Ovo frito era coisa de comer em casa. Mas não resistiria. Lançou a mão a uma escumadeira e, na iminência de tocar o ovo, ouviu uma ralhada lá do fundo da cozinha:

– O ovo não! – O ovo não!

– Não está vendo que o ovo é da “la minuta?!”

Credo, que burrice a do Geremildo, não saber que num buffet livre, onde uma placa grande referia ser almoço livre, com duas carnes a dezenove e noventa, não incluía um ovo frito. O ovo era da “la minuta”. Também, ao preço que o ovo está…

(*) Marcelo Mendes Arigony é titular da 2ª Delegacia de Polícia Civil em Santa Maria, professor de Direito Penal na Ulbra/SM e Doutor em Administração pela UFSM. Ele escreve no site às quartas-feiras.

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