Às devas ou BRICS? – por Orlando Fonseca
Num jogo, “ao final o vencedor leva tudo, sejam cartas, sejam bolitas”

As ameaças de Trump são pra valer ou se trata de blefe? Quando guri, no tempo em que ainda era possível encontrar um pedaço generoso de chão, nossa diversão era jogar bolitas. E nesse jogo, era possível jogar às devas ou brinques, jargão típico – assimilado pelo saudoso humorista Mussum – para indicar se era pra jogar “de verdade” ou de “brincadeira”. Na primeira modalidade, ganhavam-se ou perdiam-se as bolinhas de gude; já na outra forma, cada um levava de volta no bolso as bolinhas de vidro que tinha trazido para o jogo.
Aproveitando o trocadilho, como soe acontecer com cronistas com saudade dos tempos de inocência pueril, o que estamos presenciando na geopolítica mundial tem todos os elementos da inconsequência do jogo. Claro, com as devidas vênias dos especialistas na área, e com os riscos de cometer uma falácia retórica, misturando criancices com política internacional. No entanto, estou ciente, para todos os efeitos, de que a economia em dólares (ou outras moedas, como querem os membros do BRICS) é a vida real.
No jargão do mercado de capitais e da macroeconomia, costuma-se usar o termo “players” (jogadores) para os agentes implicados nas transações e nos negócios. Fazer investimentos também recorre ao verbo “jogar” como termo adequado para a ação.
Dito isso, procuro uma desculpa para o começo (com jeito de “nariz de folha” desta crônica), mas não me ocorre outra forma amena de abordar as idiossincrasias do presidente americano. Seu comportamento errático tanto pode indicar um gênio das negociações políticas e comerciais, quanto pode esconder um doido varrido, dublê de comandante da maior economia do planeta (e dono do maior arsenal bélico também).
Blefe é parte do jogo, e Trump já deu mostras de que sua retórica agressiva é cheia do recurso. Mas o jogo, mesmo, não aceita a mudança de regras em seu transcurso. Sei, o jogo, nesse caso da economia global é com dinheiro vivo, aquele que estampa “In God we trust”, porém nós não sabemos se o Blefador tem as cartas boas na mão. O mercado americano até já cunhou uma expressão para indicar que o Presidente Laranja, de vez em quando, vacila – a sigla TACO, abreviação de “Trump Always Chickens Out” (em bom português futebolístico: Trump sempre amarela).
A dependência mundial da economia baseada em dólar, no pós-guerra, está perdendo a força, com a queda do “império americano”. A busca por cooperação multilateral, com uma relação cada vez maior dentre as economias emergentes, levou ao BRICS, hoje tendo, na letra C do acrônimo, a locomotiva do comércio global: a China.
O BRICS está fazendo um jogo de ganha-ganha – como recomendam as boas práticas do comércio internacional, mesmo em se tratando de players com camisetas ideológicas e regimes divergentes. Sentindo o golpe, o atual morador da Casa Branca chegou lá pelos votos de uma maioria de americanos descontentes com as políticas dos últimos governantes, as quais não têm conseguido retomar as glórias pretéritas dos EUA.
Por isso, Trump, com suas diatribes falastronas, suas birras e bizarrices está tentando subverter esta lógica, pois com seu objetivo de “fazer a América grande outra vez” (na sigla MAGA) quer retomar a política neocolonialista de submeter seus parceiros comerciais. Haja vista a esdrúxula taxação nas transações comerciais com que procura atingir o Brasil.
E é ridículo e antipatriótico o que os aliados do bolsonarismo estão fazendo, ao aplaudir a taxa de 50% aplicada pelo presidente americano. A medida é uma retaliação ao processo contra os vândalos na tentativa de golpe de 8 de janeiro, à regulamentação das big techs (terra de ninguém na difusão de fake news), e a liderança no BRICS.
Esse pessoal não está mais pensando no Brasil acima de tudo – quer apenas anistia para os golpistas (como se isso fosse pouco). Minha expectativa é que o Supremo leve a cabo o julgamento e dê a cada um a justa sentença, e que o nosso país consiga se colocar bem entre os “players” da economia global e do comércio internacional.
Entre parceiros de um jogo, ao final o vencedor leva tudo, sejam cartas, sejam bolitas. Já em termos de política internacional, o jogo é sempre às devas, e o que deve regular as ações é o diálogo diplomático; não cabe a qualquer governo querer se portar como dono do campinho, botar a bola embaixo do braço e pretender mandar geral. Trump, se não aprender a negociar direito, vai ter de levar umas lambadas de diplomacia para aprender que o Brasil não está para brinques, mas para BRICS.
(*) Orlando Fonseca é professor titular da UFSM – aposentado, Doutor em Teoria da Literatura e Mestre em Literatura Brasileira. Foi Secretário de Cultura na Prefeitura de Santa Maria e Pró-Reitor de Graduação da UFSM. Escritor, tem vários livros publicados e prêmios literários, entre eles o Adolfo Aizen, da União Brasileira de Escritores, pela novela “Da noite para o dia”.





Em tempo. Dilma, a humilde e capaz, basta verificar o divulgado pela imprensa, até 2015 concedeu desonerações que somariam algo como 460 bilhões de reais. Os incentivos fiscais dobraram do inicio do primeiro governo Rato Rouco para o fim da Capaz, de 2,96% do PIB para 6,66%. Objetivo era segurar-se no poder. Agora, segundo os mentirosos de plantão, a culpa é (dos outros, obvio) dos ‘ricos’, da pandemia, etc. Reclamam dos problemas que eles mesmo criaram.
Resumo da opera II. Cavalão esta inelegivel e provavelmente estara preso no pleito vindouro. Positivo que ele não possa concorrer. Vai dificultar o trabalho dos chinelões da polarização.
Resumo da opera. Agente Laranja tem eleições importantes ano que vem também. Midterms. No pau da goiaba tem mais tres anos e meio no poder.
Brasil é o chihuahua que acompanha os cachorros grandes, China, India e o que sobrar da Russia. Simples assim. Ninguém aumenta de tamanho por associação.
Agente Laranja assinou uma lei, dificil de compreender, que aumenta a divida ianque em 3,3 trilhões de dolares nos proximos 10 anos. 330 bilhões por ano. Oito vezes o que o Brasil vende para a Ianquelandia por ano. PIB ianque é 28 trilhões de dolares por ano. PIB tupiniquim é pouco mais que 2. Fator maior que 10.
‘Trump, se não aprender a negociar direito, vai ter de levar umas lambadas de diplomacia para aprender que o Brasil não está para brinques, mas para BRICS.’ Sim, ele não vai dormir hoje de preocupado! Kuakuakuakuakuakuakua! Vai tentar dormir na pia mascando bombril! Kuakuakuakuakuakua!
‘[…] não cabe a qualquer governo querer se portar como dono do campinho, botar a bola embaixo do braço e pretender mandar geral.’ Depende com quem ele estiver falando. Com a China, a India e a Comunidade Europeia o ‘buraco é mais embaixo’. Brasil tem o tamanho que tem, não importa o discurso ufanista eleitoreiro de ocasião.
Grandes players da economia global e do comercio internacional. Uma piada, obvio. Produto Interno Bruto do Brasil é 2% do PIB global. É a cola do chihuahua querendo chacoalhar o dogue alemão.
‘[…] e que o nosso país consiga se colocar bem entre os “players” da economia global e do comércio internacional.’ Brasil tem uma das economias mais fechadas do mundo. Sim, porque comercio é uma avenida e não uma rua de mão unica. Para importar, fora a burocracia, tem que pagar ICMS, IPI, Imposto de Importação, PIS/PSEP, Cofins, adicional de frete para renovação da marinha mercante.
‘Esse pessoal não está mais pensando no Brasil acima de tudo […]’. Rato Rouco já esta fazendo o diabo para se reeleger. Não está pensando no Brasil de forma alguma. O negocio é prolongar o voo de galinha até depois do pleito. É se reeleger e ‘depois a gente vê’. Quem paga a conta? Os mesmos de sempre.
Criticas ao bolsonarismo são livres, mas cada um coloca o peso e a importancia que quiser.
‘[…] , à regulamentação das big techs (terra de ninguém na difusão de fake news), e a liderança no BRICS.’ Falar em atacar o dolar é ameaça existencial para os ianques. Xandão andou mandando ordens para as redes sociais via oficios sigilosos extrajudiciais. O que foi ‘esquentado’ no ultimo julgamento do Marco Civil da internet. Entre os atingidos está Paulo Figueiredo. Parece que tem acusação de tentativa de golpe sem ter colocado o pe no Brasil. Grande problema, Paulo Figueiredo tem cidadania ianque.
‘[…] quer retomar a política neocolonialista de submeter seus parceiros comerciais.’ Esta mais para um mercantilismo sem colonialismo. China não tem este problema, Brasil exporta commodities e compra produtos acabados voluntariamente. Entreguismo vermelho.
‘O BRICS está fazendo um jogo de ganha-ganha […]’. Sim, a China ganha e ganha. Brasil exporta commodities e importa produtos acabados.
Agencias do Immigration and Customs Enforcement, policia de imigração, sofreram ataques. Duas emboscadas. Numa dela um policial levou um tiro no pescoço. Prenderam uma cambada de vermelhos armados.
Eu não subestimaria o Agente Laranja e muito menos os ianques.
To play. Tomar parte numa atividade esportiva ou recreacional no caso das crianças. Atuar num filme ou peça de teatro. Tocar um instrumento. Para aprender um idioma é necessario conhecer a cultura. Contexto é importante.
Alas, tudo uma barbada. Café vendido la seria vendido aqui. Idem para a carne. Como se fossem o mesmo café e a mesma carne. Com o mesmo custo e a mesma qualidade. ‘Vai baixar o preço’ dizem os ‘espertos’. Bem assim que funciona.
‘[…] com as devidas vênias dos especialistas na área,[…]’. Especialistas genericos, parece os especialistas em risco da Globo, comentavam de rompimento de barragem até acidente de avião. Como alguém vira ‘especialista’ em guerra comercial trumpiana?
Desdolarização é uma alternativa. Nada que não leve uns 30 anos. Alas, ter moeda referencia mundial tem suas desvantagens também, fatores externos alteram o valor da mesma. Um dos motivos porque não é o franco suiço que é muito mais estavel. Conta capital, fluxo de capitais de um pais, tem que ser aberta. Não é o caso chines. Por isto teria que ser uma ‘moeda dos Brics’. Mesmo nas transações com as moedas nacionais não é simples. Tem que haver conversão para dolar para verificar o cambio. E não serve para nada a China ter um estoque de reais que quase ninguém aceita. Todo mundo quer dolar ou euro.
Não sei se era do Trapalhão. Era as brincas ou as devas.
‘As ameaças de Trump são pra valer ou se trata de blefe?’ Existem maneiras melhores de gastar tempo do que tentando entende o Agente Laranja.