A cultura do tabaco se evidencia em meio a tantos desafios – por Luís Henrique Kittel
O orgulho “do esforço de cada agricultor, de cada família que não desiste...”

A divulgação do ranking da Afubra (Associação dos Fumicultores do Brasil) sobre os municípios sul-brasileiros produtores de tabaco na safra 2024/2025 mostra, mais uma vez, a força do agro em nossa região. Agudo conquistou a 15ª colocação no Rio Grande do Sul, com mais de 6.500 toneladas produzidas, em 2.953 hectares, resultado direto do trabalho de 1.448 famílias agricultoras.
Esses números falam por si só, mas por trás deles existe uma realidade que precisa ser lembrada: a fumicultura é uma das principais fontes de renda da agricultura familiar. É uma cultura legalizada, regulamentada e que garante sustento para milhares de famílias, movimentando comércio, serviços e a própria economia dos municípios.
Muitas vezes falar sobre a produção de tabaco é motivo de polêmica. Mas é preciso destacar, que não estamos aqui defendendo o tabagismo, mas sim reconhecendo uma atividade agrícola que cumpre um papel social e econômico fundamental.
Em Agudo, por exemplo, o tabaco é uma atividade que mantém famílias no campo, que garante a permanência dos jovens em suas comunidades e que ajuda a sustentar o comércio local. Quando olhamos para o dado da Afubra vemos histórias de agricultores que, mesmo após estiagens e enchentes, seguem firmes na sua produção. Ou melhor, vemos histórias de resiliência que sustentam a nossa economia.
O papel da gestão pública nesse contexto é fundamental. Não basta apenas reconhecer a importância da fumicultura: é preciso criar condições para que essa produção seja cada vez mais sustentável e traga mais segurança ao agricultor. Nesse sentido, é preciso que cada vez estejam mais presentes os investimentos em infraestrutura no interior, estradas vicinais em boas condições, assistência técnica de qualidade e facilitação ao acesso a programas estaduais e federais de apoio à agricultura.
Ao mesmo tempo, não podemos esquecer a importância de também incentivar a diversificação produtiva, seja por meio de hortifrutigranjeiros, leite, milho ou outras alternativas que complementem a renda das famílias.
Esse equilíbrio é essencial. O tabaco continua sendo a base de muitas propriedades, mas sabemos que o futuro da agricultura precisa caminhar junto com práticas de inovação, de sustentabilidade e de agregação de valor. Isso passa pelo fortalecimento de associações, cooperativas e pelo incentivo ao jovem rural para que ele veja no interior uma oportunidade de prosperar com dignidade e qualidade de vida.
Quando vemos Agudo bem colocado no ranking da Afubra, nos orgulhamos do esforço de cada agricultor, de cada família que não desiste, que enfrenta sol, chuva, crise econômica e segue acreditando no trabalho da terra. Esse é o verdadeiro símbolo da agricultura familiar: transformar desafios em sustento, dificuldades em esperança e trabalho em futuro. Por isso que eu sempre digo: é pelo agro que o nosso país avança.
(*) Luís Henrique Kittel, 40 anos, é jornalista formado pela então Unifra, atual UFN). É prefeito reeleito do município de Agudo (o único do PL na região), foi vice-presidente do Consórcio de Desenvolvimento Sustentável da Quarta Colônia e atualmente é vice-presidente da Associação dos Municípios da Região Central (AM Centro). Ele escreve no site às quintas-feiras.





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