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A tardinha em tempo de invisibilidade – por João Luiz Vargas

Fazer política: “para quem vem de longe, é difícil adaptar-se ao momento atual”

A tardinha, quando a monotonia do entardecer nos faz entrar nesse mesmo compasso.

Lembranças de outras caminhadas democráticas, com visibilidade intensa e o som de jingles inspirados nos versos de poetas, jovens com suas bandeiras e “santinhos” nas mãos.

Ficaram nas cinzas depositadas no coração do estudante, hoje um vetusto guardião de sonhos de liberdade e igualdade.

A invisibilidade se torna cada vez mais visível.
A ausência de abraços, sorrisos e apertos de mão são provas irrefutáveis de que não existíamos no olhar de quem visitávamos.

A indiferença nos olhos das pessoas, ao cruzarem com os nossos, não era exatamente indiferença, era ausência de visibilidade.

Com o avanço da tecnologia, acredito que o fenômeno da invisibilidade esteja ligado a um mundo fantástico que, talvez, um dia eu venha a compreender.

Neste ano pré-eleitoral, como sempre ocorre, vamos gradativamente despertando para o processo democrático que se aproxima.

Para quem, como eu, vem de longe, com uma trajetória marcada pela convivência com outras formas de fazer política, é difícil adaptar-se ao momento atual, em que os avanços tecnológicos se impõem de tantas maneiras nas chamadas redes sociais.

Fico a meditar e, como iniciei esta reflexão, sinto-me invisível.

“Para escrever, só existem duas regras: ter algo a dizer e dizê-lo.”
Oscar Wilde

(*) João Luiz Vargas, ex-prefeito de São Sepé, ex-deputado, ex-presidente da Assembleia Legislativa e ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado). Ele escreve no site às sextas-feiras.

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