Desenvolvimento da Região passa por infraestrutura e vontade política – por Luís Henrique Kittel
Nós precisamos “mostrar que o interior tem dados, tem força e tem urgência”

Mais uma vez a nossa região está mobilizada em torno de uma pauta de desenvolvimento regional. Estive nesta quarta-feira (29) no Centro Administrativo Fernando Ferrari, em Porto Alegre, em uma reunião com prefeitos, deputados, secretários, representantes de entidades ligadas à iniciativa privada e Secretaria da Reconstrução Gaúcha. O tema foi um dos mais urgentes para o futuro do interior: a duplicação da RSC-287, uma rodovia vital para o escoamento da produção, o transporte de pessoas e o crescimento econômico do nosso Estado.
Durante o encontro foi discutido o processo de revisão contratual da concessão, uma vez que foram identificados equívocos e defasagens na execução e no planejamento das frentes de duplicação. O próprio secretário estadual Pedro Capeluppi explicou que o chamado gatilho de tráfego, originalmente estabelecido em 18 mil veículos por dia, já se encontra, na prática, em cerca de 12 mil veículos. Ou seja, a demanda atual já é praticamente suficiente para justificar a abertura de uma nova frente de duplicação na Região Central.
Outro ponto abordado foram os reflexos tarifários, ajustes que poderiam permitir o comando administrativo necessário para antecipar o cronograma das obras. A secretaria reconhece que, para isso, precisa reunir elementos fáticos, econômicos e técnicos que comprovem o potencial de desenvolvimento da região e justifiquem a antecipação. É justamente nesse ponto que nós, prefeitos e lideranças regionais, entramos: mostrar que o interior tem dados, tem força e tem urgência.
Porém, o Estado ainda nos pede mais dados, como se o que vivemos todos os dias não fosse prova suficiente. Enquanto se solicitam relatórios e estudos, o trânsito aumenta, os acidentes acontecem e o desenvolvimento fica travado. Chega a ser frustrante ver que, mesmo após tudo o que enfrentamos nos últimos anos, ainda precisamos comprovar novamente o que já foi reiterado e apresentado em tantas oportunidades, de jeito que a dor e o esforço do interior precisassem de planilhas para serem compreendidos.
A população regional conhece a realidade. Há meses, estamos enfrentando o processo de reconstrução de pontes, como as do Arroio Barriga e do Arroio Grande, e lidando com as dificuldades logísticas e de deslocamento diário. Por isso, não podemos esperar mais 18 anos para ver a duplicação da 287 chegar ao coração do Rio Grande.
O desenvolvimento do Estado não pode continuar concentrado apenas em alguns eixos geográficos. A duplicação pela Região Central é uma medida de justiça, equilíbrio e visão de futuro. A RSC-287 é a coluna vertebral. Por ela passam os produtos que sustentam o Rio Grande do Sul, os estudantes que buscam formação em Santa Maria, os pacientes que procuram atendimento especializado, os servidores e militares que se deslocam, as famílias que movem a vida do interior.
É hora do governo estadual e a concessionária darem um passo à frente. A duplicação da RSC-287 não pode ser tratada como promessa de longo prazo, mas como necessidade imediata.
(*) Luís Henrique Kittel, 40 anos, é jornalista formado pela então Unifra, atual UFN). É prefeito reeleito do município de Agudo (o único do PL na região), foi vice-presidente do Consórcio de Desenvolvimento Sustentável da Quarta Colônia e atualmente é vice-presidente da Associação dos Municípios da Região Central (AM Centro). Ele escreve no site às quintas-feiras.





ATENÇÃO
1) Sua opinião é importante. Opine! Mas, atenção: respeite as opiniões dos outros, quaisquer que sejam.
2) Fique no tema proposto pelo post, e argumente em torno dele.
3) Ofensas são terminantemente proibidas. Inclusive em relação aos autores do texto comentado, o que inclui o editor.
4) Não se utilize de letras maiúsculas (CAIXA ALTA). No mundo virtual, isso é grito. E grito não é argumento. Nunca.
5) Não esqueça: você tem responsabilidade legal pelo que escrever. Mesmo anônimo (o que o editor aceita), seu IP é identificado. E, portanto, uma ordem JUDICIAL pode obrigar o editor a divulgá-lo. Assim, comentários considerados inadequados serão vetados.
OBSERVAÇÃO FINAL:
A CP & S Comunicações Ltda é a proprietária do site. É uma empresa privada. Não é, portanto, concessão pública e, assim, tem direito legal e absoluto para aceitar ou rejeitar comentários.