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Marquesa de Condorcet – por Elen Biguelini

A filósofa francesa Sophie Marie Louise de Grouchy nasceu no dia 7 de abril de 1763 no Castelo de Villette, na França. Foi filha do marquês de Grounchy, François Jacques de Grouchy (1715-1808) e sua esposa Gilberte Fréteau de Péni (c. 1740-1793).

Foi educada em casa, sendo beneficiada pelos tutores dos irmãos. Aos 21 anos foi para o convento, mas sua inclinação filosófica logo a fez mudar de ideia e ela optou por se casar dois anos depois com o também filósofo Condorcet. Marie Jean Antoine Nicolas de Caritat, marquês de Condorcet (1743-1794), conhecido como Condorcet ou Nicolas de Condorcet, vinte anos mais velho que sua futura esposa, já era um filosofo influente quando conheceu a jovem Sophie na casa de seu tio, o jurista Jean Baptiste Mercier du Paty, o chamado presidente DuPaty (1746-1788). De futura religiosa, se tornou ateia. Ironicamente, foi justamente no convento que teve contato com a obra de Rousseau e Voltaire, que tanto influenciaram a alma republicana da filósofa, bem como a afastaram da religião católica.

Após seu casamento, instalou-se na casa do marido, o Hotel da Moeda, onde iniciou um salão filosófico em 1787. Continou seus estudos, partindo agora também para a matemática. Uma de suas tutoras foi a pintora francesa Élisabeth Vigée Le Brun (1755-1842), autora do famoso retrato de Maria Antonieta segurando uma bela rosa.

Seu marido tem um texto marcante na história do movimento feminista “Sobre a admissão das mulheres no direito da cidade” de 1790. Sua esposa possivelmente tenha sido influência e musa deste texto.

Para além disto, o contato com a mais alta elite cultural, sendo seu próprio esposo um dos ilustres membros visitadores de outros salões importantes, fizeram de seu salão, e dela própria, um ícone da Paris ilustrada. Junto ao marquês incentivou pensamentos republicanos, através de um periódico chamado “Le Républicain”, lia Rousseau e Voltaire, e traduziu Adam Smith. Influenciou o pensamento revolucionário, ainda que o nome de seu marido seja o mais conhecido. Como salonnière, tinha o papel de introduzir a seus conhecidos os pensamentos filosóficos os mais recentes, e assim o fez. Transformando seu salão em local de discussão e inovação filosófica. Sabe-se também que editou os trabalhos do marido, e embora seja conhecido de sua autoria apenas uma obra, teria escrito e pensado muitas outras que não vieram à prelo ou foram mantidas em forma manuscrita.

Após a morte de seu marido, e com Revolução Francesa, acabou ficando em uma situação econômica deficiente, precisando até mesmo abrir uma loja de roupas na parte térrea de sua casa. Além disto, viveu através da arte e da tradução da obra de Adam Smith. Enquanto o marido ainda era vivo, visitava-o sorrateiramente no local próximo onde ele se escondia do governo do Terror revolucionário, enquanto auxiliava na escrita da obra do esposo.
Com o final do Terror, Sophie Grouchy melhorou sua situação econômica. Voltou então a ter seu salão e passou a editar os diversos textos de seu marido e também de seu cunhado.

Também teria tido relacionamentos com o político francês Jacques Joseph Garat, o chamado Mailla Garat(1787-1839) e com o poeta erudita Charles Claude Fauriel (1772-1844), com quem esteve até o final de sua vida.

Faleceu em Paris, em 8 de setembro de 1822.

Obras:
“Les lettres sur la sympathie”. Publicadas em 1798, mas escritas entre 91 e 92. Cartas escritas para Pierre Jean Georges Cabanis (1757-1808), um médico e filosofo francês que era também seu cunhado.
“Théorie des sentimens moraux, ou, Essai analytique sur les príncipes des jugemens que portent naturellement les hommes,..”. Tradução de Adam Smith. 1798.

Referências:
Página francesa da Wikipedia sobre Sophie de Grounchy. Acesso via: https://fr.wikipedia.org/wiki/Sophie_de_Grouchy
“France. Women in the Revolution: Sophie de Condorcet”. Via Library of Congress. Acesso via: https://guides.loc.gov/women-in-the-french-revolution/sophie-de-condorcet
“Sophie de Grouchy”. Revista The new Historia. Acesso via. https://thenewhistoria.org/schema/sophie-de-grouchy/
“Sophie de Grouchy”. Stanford Encyclopedia of Philosophy Archive. Acesso via: https://plato.stanford.edu/archives/spr2021/entries/sophie-de-grouchy/u
Bergès, Sandrine. “Against Power: ”. Revista Aeon. Acesso via: https://aeon.co/essays/the-radical-political-writings-of-sophie-de-grouchy
Illert, Katheleen McCrudden. “Sophie de Grouchy: The most interesting French Revolutionary you’ve never heard of”. Podcast. Acesso via: https://www.thefrenchhistorypodcast.com/sophie-de-grouchy-the-most-interesting-french-revolutionary-youve-never-heard-of-by-dr-kathleen-mccrudden-illert/
Leitão Bandeira, Lourdes. “Salões culturais abertos por figuras femininas: O salão ‘Universitas Gratie’”. Lisboa: Carvalho e Simões Lda, 2006. p. 113-114

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