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As pessoas estão cada vez mais imbecis e eu (acho que) posso provar – por Guilherme Bicca

Há um “recorte significativo da sociedade passível de se conhecer pelo trânsito”

Ontem, quase tive um surto tentando tirar meu carro da garagem. Mas o que isso tem a ver com o assunto? Já explico:

Moro em uma rua movimentada, próximo da esquina de outra rua igualmente movimentada. O que faz com que eu fique impossibilitado de colocar meu carro de ré da garagem. E, por óbvio, me força a tirar o carro de ré, toda vez. 

O que não é tarefa fácil em uma rua movimentada e próximo da esquina. Quase não há tempo hábil de tirar o carro antes de se certificar que outros veículos estão ou não fazendo a conversão.

Isso faz com que eu precise da “caridade” dos motoristas alheios para sair da minha garagem. Todo santo dia. Mesmo em horários que não são de pico.

Carros estacionados dos dois lados da rua e trânsito intenso… some isso a falta de empatia de pessoas que, além de não estarem dispostos a ajudar um estranho, ainda contribuem para atrapalhar um pouquinho. 

Pronto: gota a gota o copo vai enchendo. Minutos parado dentro do carro com o pisca ligado tentando sair sem uma viva alma capaz de reduzir a velocidade pra te dar aqueles segundos preciosos que tanto precisa pra manobra? Sei que pra muita gente é difícil imaginar mas, sim… irrita. 

Bom, imagino que vocês estão se perguntando o que isso tudo tem a ver com eu achar que posso provar a imbecilidade cada vez mais crescente das pessoas. 

Pois bem… eu já morei nesta mesma casa, quatro anos atrás. Saí dela, fui morar em outro lugar e agora retornei. Antes de sair, morei nela por pelo menos sete anos.

Ou seja: entre 2014 e 2021 eu tirei o meu carro da garagem, todo dia, de ré, na mesma rua movimentada e perto da mesma esquina igualmente movimentada. E não lembro de uma vez sequer ficar tanto tempo esperando alguém dar aquela “freadinha” acompanhada do característico gesto com a mão que parece dizer “pode ir”. 

NENHUMA VEZ… em sete anos. 

A amostragem é pequena, eu sei. Trata-se de uma só garagem, uma só rua movimentada. Mas pra mim, é um indicativo muito forte de que as pessoas estão cada vez mais imbecis (e egoístas). 

Não existe aquela máxima de que se conhece uma pessoa pela forma como ela trata o garçom?

Pois penso que existe um recorte bem significativo da sociedade passível de se conhecer pelo trânsito. Gente que estaciona em vaga de carga e descarga; que não dá o lado pro colega trocar de via; que não reduz pro pedestre atravessar em dia de chuva. Ou o pior tipo: aquele que dirige com as rodas sobre as duas pistas. Esse sim, tem algum tipo de complexo mal resolvido.

Se bem que, falando em complexo, ao ler esta coluna você deve estar pensando que eu tenho os meus.

Mas enfim… se com essa “fábula” eu posso ou não provar que as pessoas estão cada vez mais imbecis, é você quem vai dizer. 

(*) Guilherme Bicca é jornalista graduado na Universidade Franciscana (UFN) desde 2008. Nesses anos, especializou-se em assessoria de comunicação integrada, quando realizou trabalhos junto a instituições como Sociedade de Medicina; Apusm; Sindilojas; e, mais recentemente, CDL Santa Maria. Está à frente da comunicação de entidades como Adesm e Secovi Centro Gaúcho; presta assessoria especializada ao Fidem Bank; é redator sênior na Jusfy, legaltech eleita a startup mais escalável do último South Summit. Também é um dos âncoras do Semanário, programa veiculado aqui mesmo em claudemirpereira.com.br; e criador do podcast Bocas do Monte, da TV Santa Maria. Guilherme Bicca escreve às sextas-feiras no site.

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14 Comentários

  1. Resumo da opera IV. A quantidade de bocabertas dirigindo em SM é uma coisa absurda. CTB é coisa da Globo. Gente estacionando em esquina (no bico!). Gente parando no meio da via para pedir informações. Buzina é o amuleto para fazer o transito andar. Pisca-alerta é o sinal ‘posso estacionar onde quiser porque é rapidinho, vou logo ali’. Pessoal daqui esta anestesiado, quem dirige fora nota a diferença. Não sei como não surta um motorista de taxi por semana.

  2. Resumo da opera III. Pessoas buscam conveniencias e acham-se especiais, merecem tratamento diferenciado.

  3. Resumo da opera. Faixa Velha numa epoca tinha este debate. Gente que ‘dava um jeitinho’ para quem transitava nas vias laterais querendo sair, atravessar a faixa ou entrar na faixa. Uma ‘seguradinha’ ilegal para ‘quebrar o galho’.

  4. ‘[…] se com essa “fábula” eu posso ou não provar que as pessoas estão cada vez mais imbecis, é você quem vai dizer.’ As pessoas não estão ficando mais imbecis, o problema é que não estão ficando menos. Causa perdida.

  5. ‘Se bem que, falando em complexo, ao ler esta coluna você deve estar pensando que eu tenho os meus.’ SM é uma cidade interiorana. Gente usando meios de comunicação ao inves dos canais formais para reclamar de problemas porque é mais conveniente esta longe de ser incomum. ‘Tem um buraco na minha rua’. ‘Tem que colocar uma sinaleira no caminho que eu faço’. Pessoal do juridico reclamando do trevo da saida do forum. Lista interminavel.

  6. ‘Gente que estaciona em vaga de carga e descarga; que não dá o lado pro colega trocar de via; que não reduz pro pedestre atravessar em dia de chuva. Ou o pior tipo: aquele que dirige com as rodas sobre as duas pistas.’ Ou seja, pessoas que desrespeitam as leis de transito como ele deseja que façam para ‘quebrar o galho dele’. Mais espantalho.

  7. ‘[…] se conhece uma pessoa pela forma como ela trata o garçom?’. Falacia do espantalho. O garçom está prestando um serviço para o interessado. No caso aventado o interessado tem um problema pessoal e intransferivel. Que deseja transferir através de ‘jeitinho’.

  8. ‘Mas pra mim, é um indicativo muito forte de que as pessoas estão cada vez mais imbecis (e egoístas).’ O criterio de avaliação da imbecilidade e egoismo é a frequencia com que dão ‘um jeitinho’ para o autor.

  9. ‘Sei que pra muita gente é difícil imaginar mas, sim… irrita.’ Sem duvida ‘muita gente’ esta preocupada com o estado animico do autor. Todos(as) com a vida ganha e sem problema nenhum.

  10. ‘[…] sem uma viva alma capaz de reduzir a velocidade pra te dar aqueles segundos preciosos que […]’. Atrapalham o transito numa via de circulação preferencial. Quem não souber o que é ‘preferencial’ melhor consultar um amansa-burro.

  11. ‘Carros estacionados dos dois lados da rua e trânsito intenso…’ Estão irregularmente estacionadas?

  12. ‘[…] falta de empatia de pessoas que, além de não estarem dispostos a ajudar um estranho, ainda contribuem para atrapalhar um pouquinho.’ As pessoas são obrigadas a obedecer o Codigo de Transito Brasileiro. Art. 253A. ‘Usar qualquer veículo para, deliberadamente, interromper, restringir ou perturbar a circulação na via […]’. Infração gravissima. Perto da esquina nem se fala. Diferente do 181 ‘estacionar o veiculo’.

  13. ‘O que faz com que eu fique impossibilitado de colocar meu carro de ré da garagem. E, por óbvio, me força a tirar o carro de ré, toda vez.’ Ou seja, o problema é unica e exclusivamente do autor. Simples assim.

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