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Eu odeio o Pix. Apesar de ser uma das maiores disrupções financeiras da história do Brasil – por Guilherme Bicca

E ainda é “inclusão financeira, digitalização da economia e eficiência pública”

Eu odeio o Pix. Pronto, falei. Às vezes chego a mentir que estou com meu aplicativo bloqueado, só pra poder pagar no débito, como o senhor de 40 anos que sou.

Mas antes que o Banco Central bloqueie minha conta, deixa eu explicar.

O Pix é, sem exagero, uma das maiores disrupções financeiras da história recente do Brasil. Um verdadeiro case de inovação pública digna de despertar inveja ao Vale do Silício. 

Desde seu lançamento, em 2020, ele transformou a forma como o dinheiro circula no país, eliminou burocracias e, de quebra, ajudou a formalizar uma parte significativa da economia.

Graças ao Pix, o dinheiro deixou de ser preguiçoso. Agora ele circula com uma velocidade que faz o caixa sorrir. 

As empresas recebem mais rápido, reinvestem mais cedo, pagam fornecedores de “bate pronto”. O ciclo financeiro encurtou, a liquidez aumentou… é o sonho de todo economista e o alívio de todo o microempreendedor.

Além disso, o Pix reduziu custos de transferência, aposentou o TED e o DOC, e colocou as tarifas bancárias pra dormir.

Hoje, pequenos empreendedores e autônomos movimentam seu dinheiro com custo quase zero e os bancos (que continuam lucrando muito, não se preocupe) tiveram que se reinventar.

E o impacto social? Gigantesco.

Mais de 40 milhões de brasileiros que antes estavam fora do sistema financeiro formal passaram a ter acesso a transações, pagamentos, recebimentos e até ao microcrédito. Tudo com um CPF e um celular na mão.

É inclusão financeira, digitalização da economia e eficiência pública, tudo numa chave de QR Code.

Ou seja, o Pix virou um dos motores da economia brasileira.

Mas então por que eu odeio o Pix?

Porque existe uma situação, em específico, que consegue transformar o sistema de pagamentos mais eficiente e democrático do mundo em um teste olímpico de paciência: a fila do mercado.

Sim, o pix é o inimigo número um de quem enfrenta filas de mercado. Na frente, inclusive daqueles que esquecem de pesar as frutas e legumes antes de ir pro caixa. 

Pensa comigo… três, cinco, oito pessoas à sua frente, na fila do mercado. Todas elas já sabem que vão pagar com Pix. E só quando a atendente pergunta qual a forma de pagamento que lembram de sacar o celular e abrir o aplicativo. 

Aí começa a via-crúcis:  desbloqueia o celular, procura o app do banco, digita a senha, seleciona a opção no menu. 

Isso sem contar que na maioria dos casos o sinal de internet não colabora e o aplicativo não abre de primeira. Ou que o cliente precisa de óculos pra enxergar o que está fazendo, e não consegue encontrá-lo na bolsa.

Nessa hora eu tenho saudade das niqueleiras cheias de moedas.

Certa feita, eu esperei uma senhora fazer uma recuperação de senha, ali mesmo, em pleno caixa. Aham: ela errou a senha uma, duas, três vezes. 

E empenhada em ser moderna, pagando no Pix, iniciou um atendimento junto ao banco, para poder voltar a usar o app. 

Por essas e outras eu me pergunto: por quê? O cliente não tem vantagem alguma ao pagar por Pix no mercado. 

Ele é uma benção para o estabelecimento. Sem taxas de débito, sem intermediários, sem esperas de compensação. 

Mas pra quem está na fila, o Pix é um teste de paciência. A diferença entre o cacetinho quentinho e o borrachudo.

Claro que tudo isso é brincadeira: o Pix é um símbolo nacional de eficiência, inclusão e inovação que acelerou a economia brasileira. 

Pena que ele não conseguiu fazer o mesmo com as pessoas e a fila do mercado.

(*) Guilherme Bicca é jornalista graduado na Universidade Franciscana (UFN) desde 2008. Nesses anos, especializou-se em assessoria de comunicação integrada, quando realizou trabalhos junto a instituições como Sociedade de Medicina; Apusm; Sindilojas; e, mais recentemente, CDL Santa Maria. Está à frente da comunicação de entidades como Adesm e Secovi Centro Gaúcho; presta assessoria especializada ao Fidem Bank; é redator sênior na Jusfy, legaltech eleita a startup mais escalável do último South Summit. Também é um dos âncoras do Semanário, programa veiculado aqui mesmo em claudemirpereira.com.br; e criador do podcast Bocas do Monte, da TV Santa MariaGuilherme Bicca escreve às sextas-feiras no site.

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10 Comentários

  1. Resumo da opera II. Pix é bom. Mas não é incrivel, fantastico, extraordinario. E as emergencias do SUS em POA continuam lotadas, Educação na base do que a casa tem para oferecer. Segurança publica rumo a mexicanização. Negocio é continuar rindo.

  2. Resumo da opera. Existe uma necessidade enorme do brasileiro se autoiludir. E de alguns iludir os outros. A quantidade de premios que significam nada é um dos indicadores. Muitos premiados em todos os setores e o pais continua como sempre.

  3. ‘[…] o Pix é um símbolo nacional de eficiência, inclusão e inovação que acelerou a economia brasileira.’ Não se sabe quanto custa para os cofres publicos. Os excluidos do mundo digital continuam assim (como dizem os picarestas do juridico: ‘mas isto é outro problema!’; nota de rodapé para imbecis, juridico também tem gente séria). Pix é de 2020. India já usava um sistema parecido para transações entre bancos desde 2016 e em 2019 ja tinha o IMPS equivalente ao tupiniquim. Paises nordicos desde 2013.

  4. Pix tem seu custo institucional. Todos pagam a operação do Pix, até os que não usam. Marketagem utiliza o volume de operações porque o numero é grande e bonito. A propaganda afirma que o giro faz ‘a economia crescer’. Estudos frios e obscuros afirmam que o impacto é de 2,5% do PIB. Que se for de 2,5% significa um impacto de 0,0625%.

  5. ‘[…] que consegue transformar o sistema de pagamentos mais eficiente e democrático do mundo […]’. Para fazer esta afirmação seria necessario avaliar todos os sistemas do planeta. Como não aconteceu é só fanfarronada. Alas, 10% da população não acessa internet. E uns 20% só tem habilidades digitais basicas.

  6. ‘Além disso, o Pix reduziu custos de transferência, aposentou o TED e o DOC, e colocou as tarifas bancárias pra dormir.’ Mas não tem a segurança do TED. Que só funciona se o nome e CPF estiverem certos. Pix só tem devolução em caso de golpe ou fraude. E que nem carga de celular pre-pago, se errar o numero e ele existir só com processo.

  7. ‘Um verdadeiro case de inovação pública digna de despertar inveja ao Vale do Silício.’ O PIB do Vale do Silicio é algo como 467 bilhões de dolares.

  8. Lenda urbana. Hiena seria um bicho que transa uma vez por ano, comeria côcô e passaria o tempo todo rindo.

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