Memento mori: o lembrete que falta na política brasileira – por Marco Jacobsen
“Lembre-se de que o poder é passageiro e a responsabilidade, permanente”

Recentemente, estudando Roma, tive contato mais profundo com o conceito de memento mori. A frase em latim, “lembre-se de que você vai morrer” atravessa séculos como um chamado à humildade. Seu uso mais célebre remonta à Roma Antiga: durante os desfiles triunfais, enquanto o imperador era celebrado como uma figura quase divina, um conselheiro caminhava ao seu lado e sussurrava ao ouvido, de forma discreta e constante, esse lembrete simples, direto e brutal.
A função desse conselheiro não era diminuir a grandeza do imperador, nem relativizar suas conquistas militares ou políticas. Era o contrário: tratava-se de um esforço para impedir que o governante se deixasse intoxicar pelo próprio poder. Era uma forma de aterrissá-lo, conectá-lo novamente ao chão, à realidade, à condição humana aquela que nenhum ouro, nenhuma legião e nenhum território conquistado consegue abolir. Esse gesto, embora pequeno, carregava um propósito gigantesco: evitar que o homem mais poderoso do mundo esquecesse que, antes de governar um império, ele precisava governar a si mesmo.
E isso nos leva ao Brasil de hoje. Vivemos um cenário político marcado por uma rivalidade quase patológica entre dois grandes personagens da nossa história recente: Lula e Bolsonaro. Ambos se tornaram polos gravitacionais tão intensos que já não orbitam apenas a política, orbitam a vida cotidiana das pessoas. Essa disputa constante alimenta uma divisão que racha famílias, destrói amizades, paralisa debates, contamina instituições e aprofunda a sensação de que o país está travado em um eterno duelo de personalismos. O resultado é um ambiente tóxico no qual o país parece menor do que os egos que o disputam.
Mas o mais preocupante é outra coisa: ao que tudo indica, falta ao redor desses dois líderes alguém com coragem suficiente para cumprir o papel daquele antigo conselheiro romano. Falta quem sussurre, com honestidade e firmeza, aquilo que todo poder precisa ouvir especialmente quando se imagina inabalável:
Memento mori.
Lembre-se de que você é humano. Lembre-se de que você erra. Lembre-se de que o país é maior do que você. Lembre-se de que a história não termina no seu mandato, nem no seu grupo político, nem nos seus seguidores. Lembre-se de que o poder é passageiro e a responsabilidade, permanente. Talvez seja justamente essa ausência de humildade, de reflexão e de autolimitação que esteja custando tão caro ao Brasil. Não se trata de diminuição, mas de lucidez. Não é fraqueza; é consciência.
Roma entendia essa necessidade dois milênios atrás. Nós, aparentemente, ainda não aprendemos, e enquanto nenhum dos palácios, nem o do Planalto, nem o das redes sociais, tiver alguém disposto a sussurrar essa verdade simples, continuaremos presos a um ciclo de vaidades que custa ao país muito mais do que qualquer disputa eleitoral.
Porque todo poder que esquece da própria finitude tende a agir como se pudesse tudo e esse é sempre o começo da queda.
Um lembrete antigo. É exatamente o que falta à política brasileira hoje.
(*) Marco Jacobsen é administrador, professor e assessor na secretaria municipal de Parcerias, na Prefeitura de Porto Alegre.





Resumo da opera. Rato Rouco está com 80 anos. No maximo em 5 sua importencia diminui. Cavalão tem 70, mas com a prisão e saude debilitada vai ter um atraso. O mundo esta mudando, uma geração esta de saida e o zeitgeist tem tudo para mudar. Pelo fluxo dos acontecimentos, não por conta de textos escritos no ar condicionado.
‘Roma entendia essa necessidade dois milênios atrás.’ Roma teve 6 guerras civis no final da Republica. No Império durante a crise do terceiro século teve 26 guerras civis em 50 anos.
‘[…] falta ao redor desses dois líderes alguém com coragem suficiente para cumprir o papel daquele antigo conselheiro romano.’ Barbadão! É simples assim, só falta alguém para dar uma ‘mijada’ em Cavalão e Rato Rouco! Extremamente Facil!
‘Vivemos um cenário político marcado por uma rivalidade quase patológica entre dois grandes personagens da nossa história recente: Lula e Bolsonaro.’ Isto não é de hoje. Vide rivalidade UDN e PDT. Vide motins subsequentes ao suicidio de Gege. O grande problema é a expectativa dos utopistas, acharam que depois da CF88 tudo seria tranquilo, um mar de rosas, o apice da civilização dos tropicos. Ceu de Brigadeiro e Mar de Almirante.
Atualmente o ‘memento mori’ envolve uma imagem (em medalhas e tatuagens por exemplo) envolvendo uma flor, um cranio ou uma ampulheta). Ou uma reprodução simplificada do teto da Capela Cistina, uma mão de esqueleto quase tocando a mão de uma pessoa viva.
‘[…] um conselheiro caminhava ao seu lado e sussurrava ao ouvido,[…]’. Por partes como diria Elize Matsunaga. Não era o imperador. Geralmente eram generais que tinham obtido sucesso em campanha. Conduzidos numa carruagem de 4 cavalos. Quem sussurrava era um escravo publico, não um privado. Era uma honraria concedida pelo Senado. Crasso derrotou Espartaco, mas não ganhou triunfo. Por conta de ‘qualidade do inimigo’ e politicagem.