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A casa nem tanto do povo – por Marionaldo Ferreira

Como crítico político, é impossível ignorar o que se tornou rotina na atual base de governo municipal: uma prática parlamentar cada vez mais distante do povo, cada vez mais hostil aos servidores públicos e cada vez menos comprometida com a essência da democracia.

Quando os vereadores se habituam a sessões esvaziadas, feitas apenas entre eles, sem o incômodo da sociedade real — aquela que trabalha, que sustenta a cidade, que cobra direitos —, estamos diante de uma distorção grave da representação. Fechar as portas da Casa do Povo não é um detalhe administrativo; é um ataque frontal ao princípio democrático. Fechar a Casa do Povo é fechar a democracia.

O que se vê é um parlamento que foge da participação popular e abraça, com naturalidade perigosa, os conchavos de bastidores, as negociações que atropelam sonhos e ignoram quem mais precisa ser ouvido. Quando a voz da rua deixa de ecoar dentro do plenário, abre-se espaço para a política de gabinete, aquela que serve a poucos e machuca muitos.

E nesse cenário, o comportamento do presidente da Câmara revela mais do que nervosismo: revela inabilidade política, falta de preparo e ausência de espírito público. Sua contrariedade com a presença da população demonstra que ele não compreende a função de quem preside um parlamento. Uma Casa Legislativa, por sua natureza, é espaço de conflito legítimo, debate plural e divergência democrática — nunca de imposição, impaciência ou autoritarismo.

Se a base do governo se acostumou a governar sem olhar nos olhos da sociedade, é porque encontrou terreno fértil em uma condução frágil, incapaz de estabelecer governança política verdadeira. Mas a política não perdoa esse tipo de miopia. Quando os representantes se esquecem de quem representam, cedo ou tarde o povo bate à porta. E, gostem ou não, terão que ouvir.

(*) Marionaldo Ferreira é especialista em governança pública, mentor de líderes e consultor em gestão e captação de recursos para municípios. Atua na formação de servidores e agentes públicos e é autor do livro Governança Pública e Suas Possibilidades.

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4 Comentários

  1. Resumo da opera. Elefante Branco continua sem conclusão. Casa de Cultura, Centro de eventos. Buracos nas ruas. Eventual falta d’agua. Deve haver problemas que a população em geral nem sabe que existem. Cabidão consome um naco substancial do orçamento. Por lá nada acontece. A decadência da urb continua.

  2. ‘Quando os representantes se esquecem de quem representam, cedo ou tarde o povo bate à porta.’ Grande maioria será reeleita no próximo pleito. O resto é circo.

  3. ‘Uma Casa Legislativa, por sua natureza, é espaço de conflito legítimo, debate plural e divergência democrática — nunca de imposição, impaciência ou autoritarismo.’ Sim, mas vale para todo mundo. Cabidão já foi alvo de inúmeras invasões. Gente que não tem voto para barrar uma decisão e procuram empastelar a votação.

  4. ‘[…] cada vez mais hostil aos servidores públicos e cada vez menos comprometida com a essência da democracia.’ Essência da democracia não passa pelo bem estar dos servidores públicos. Nem toda decisão vai agradar os referidos. Previdência? O problema continua lá, não deixou de existir. E com o tempo piora. Simples assim.

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