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“E Deus criou a mulher”: a bela que virou fera – por Roselâine Casanova Corrêa 

Um pouco do significado da atriz francesa Brigitte Bardot, inclusive para o Brasil

“E Deus criou a mulher” (Et Dieu… créa la Femme) foi lançado há quase 70 anos (1956), quando Brigitte Bardot tinha 22 anos (1934-2025). Trata-se de um filme ítalofrancês, sob direção de Roger Vadim (1928-2000), marido de Bardot à época, que também se relacionou com Catherine Deneuve e Jane Fonda. Só beldades! E nem era um homem considerado bonito pelos padrões da época. Tipo Serge Gainsbourg, seu contemporâneo, que viveu com a belíssima e icônica Jane Birkin.

“E Deus criou a mulher” foi estrelado por Brigitte Bardot (Juliette), Curd Jürgens (Eric Carradine) e Jean-Louis Trintignant (Michel). É reconhecido como o filme que lançou Bardot e a tornou o sex-symbol do cinema europeu por décadas. O longa causou polêmica na Europa e foi condenado nos EUA, pela Liga da Decência Católica. Os escândalos envolvendo a película fez de Bardot uma sensação nos EUA. No Brasil, o longa constava na programação do  Festival Varilux (2023) e está disponível no Prime Vídeo e na Apple TV.

A Juliette de Vadim era uma órfã sensual de dezoito anos, com a mania de andar descalça e tomar sol nua – entre um varal e outro de roupas – o que só aumentava o interesse masculino pela beldade. E preocupação para o marido. A cena em que ela dança descalça em cima de uma mesa de bar é considerada uma das mais sensuais do cinema à época. Contudo, as bofetadas que recebeu do marido, na sequência, não causam espanto algum…. até hoje! O biquini, contestado pela sociedade conservadora de então, passou a ser um sucesso a partir das [raras] cenas em que Bardot faz uso dele. Aliás, ela fez sucesso também em Búzios, onde usou o biquini em Terrae Brasilis, nos anos de 1960.

Búzios era nesse tempo uma pacata vila de pescadores do RJ. A partir da visita de Bardot, se tornou um roteiro turístico internacional e possui uma estátua na Praia da Armação, em homenagem à atriz francesa. E como a senhora Bardot veio parar no Rio? Pelas mãos de Bob Zagury, um ex-jogador franco/marroquino/brasileiro de basquete do Flamengo, que também dava expediente no Little Club, em Copacabana. Sim, os anos 60 eram muito movimentados e o Rio bem conhecido de celebridades internacionais. Jorginho Guinle poderia confirmar. E dar nomes e sobrenomes! O que seria um perigo.

Brigitte Anne-Marie Bardot faleceu no último domingo (28/12), aos 91 anos, na charmosa cidade costeira de Saint-Tropez – sul da França – mesmo local em que se passa “E Deus criou a mulher”. Nicolas-Jacques Charrier (1960) – seu filho com o ator francês Jacques Charrier – foi criado pelo pai e a avó paterna, tendo pouco ou nenhum contato com a mãe. Reside na Noruega desde jovem, é avesso aos holofotes e sua relação com a mãe permaneceu fria e distante. Brigitte tinha duas netas, com quem também não mantinha convívio. Era casada com Bernard d’Ormale, desde 1992. Aceitou dar uma entrevista em 11 anos, para a BFMTV, em maio de 2025. Uma despedida?

Reclusa e ambígua, La Bardot transitava entre a filantropia e a xenofobia/homofobia. Ou seja, enquanto ganhava admiradores por suas fundações e luta em prol dos animais, foi declaradamente contra os Direitos Humanos. Atacou imigrantes, mulheres, pessoas de várias etnias e pobres, a população LGBTQIA+, além de hostilizar lideranças que defendiam a tolerância. Cabe redefini-la: bela ou fera? Talvez ambas!

(*) Roselâine Casanova Corrêa é Professora de História. Graduada em História (UFN), com especialização em História do Brasil (UFSM); Museologia (UFN) e mestrado em História (PUC/RS). Foi membro do COMPHIC (2012-2022). Também é, com o jornalista Bebeto Badke, idealizadora do “Projeto Amnésia: descubra Santa Maria”.

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3 Comentários

  1. A História do Cinema é um dos elementos mais potentes para entender o mundo.
    E História (minha formação) tem um dos compromissos visitar o passado – sempre.
    Aliás, o passado é muito rico para entendermos o futuro.
    E não lembro de mencionar nada que lembre a cor vermelha nesta coluna.
    Um ótimo 2026, para você, Brando.

    1. A História do Cinema é um dos elementos mais potentes para entender o mundo.
      E História (minha formação) tem um dos compromissos visitar o passado – sempre.
      Aliás, o passado é muito rico para entendermos o futuro.
      E não lembro de mencionar nada que lembre a cor vermelha nesta coluna.
      Um ótimo 2026, para você, Brando.

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